Peçanha Contra o Animal | Made in Youtube…

Peçanha Contra o Animal
Foto: Divulgação / Amazon Prime Video

Produzido pelo Amazon Prime Video, Peçanha Contra o Animal é uma grande esquete do Porta dos Fundos. Se isso é bom ou ruim, fica no ar…


Todo empresário pensa, em algum momento, na expansão do seu negócio. No caso de empresas ligadas ao audiovisual e à comunicação, é natural que esse crescimento esteja ligado à ampliação de formatos e mídias que recebem seus produtos. Com isso, você tende a conquistar novos consumidores, aumentar sua área de atuação e gerar mais lucro.

Não é por acaso que o Porta dos Fundos experimenta novas possibilidades e luta para expandir seu conteúdo, ultrapassando as fronteiras do Youtube com certa frequência. Se engana quem esquece que Peçanha Contra o Animal é o último exemplar de uma longa lista que inclui especiais de Natal, séries originais para diversos canais e um longa-metragem lançado nos cinemas.

Qual é a história de Peçanha Contra o Animal?

Escrito por Antonio Tabet com base no personagem que ele mesmo criou, Peçanha Contra o Animal envolve o policial e seus colegas da delegacia em uma investigação de múltiplos assassinatos.

Mas para encontrar esse serial killer que está tirando a paz da população de Nova Iguaçu, esse grupo de detetives politicamente incorretos vai precisar lidar com uma série de métodos não convencionais. Afinal, todos são suspeitos e possíveis vítimas.

O que achamos de Peçanha Contra o Animal?

Convenhamos que a jornada do Porta dos Fundos para além das esquetes publicadas no Youtube é composta por altos e baixos. Os vários especiais de Natal, apesar as polêmicas, funcionavam dentro da proposta paródica; as séries não tinham muitos atrativos formais, porém arrancavam risadas graças ao carisma do elenco;  já o filme escorrega miseravelmente em quase tudo que propõe.

Peçanha Contra o Animal
Foto: Divulgação / Amazon Prime Video

Talvez esse seja o motivo que afastou o grupo por quase cinco anos do formato em questão. E se eu posso dizer algo positivo sobre esse tempo de descanso é que, ao contrário do que acontece em Contrato Vitalício, eles aprenderam a construir uma história que não dependa exclusivamente de esquetes.

Eu sei que existe uma história por trás desse filme metalinguístico, mas ela fica restrita ao campo das ideias. No fundo, Contrato Vitalício acaba sendo composto por dezenas de esquetes amarradas em uma trama das mais rasas. Mesmo se tratando de um longa inspirado em paródias totalmente absurdas, a ausência de uma conexão razoavelmente interessante foi um dos fatores que manteve a produção oscilando entre tiradas engraçadas que dependiam da participação de alguém inesperado e longos períodos de tortura quase medieval.

Também sei que o Porta dos Fundos domina esse tipo de linguagem, mas isso não pode servir como desculpa para manter todos envolvidos aprisionados nessa zona de conforto bizarra. É por isso que fiquei feliz ao ver Peçanha Contra o Animal fugir desse caminho, pegando um personagem que ficou muito conhecido na pandemia e expandindo seu universo com a adição de outros personagens e situações que fogem do que víamos Antonio Tabet fazer nas esquetes verticais e horizontais.

Só depois, com esse mundinho particular em mãos, os envolvidos criam uma história onde o Peçanha pode misturar besteirol e críticas à corrupção policial. É uma trama questionável, não vou negar, mas tem um senso narrativo que funciona na maior parte do tempo.

Volta e meia, Vini Videla e Tabet abandonam tudo em prol de piadas pontuais que destoam do todo ou participações especiais que existem apenas para fazer os fãs abrirem um sorriso. O Carlinhos Avelar (mais um personagem importante da pandemia, interpretado por Rafael Infante) e Valesca Popozuda funcionam como bons exemplos, apesar dessas quebras serem perdoáveis.

O que realmente me incomoda é o fato do filme não se esforçar pra sair da sua bolha. Chega a ser curioso notar que, nesse aspecto, até mesmo Contrato Vitalício era mais assertivo, graças ao comando de Ian SBF, um diretor experiente que sabe lidar com a linguagem de um jeito bem interessante.

Vini Videla, por sua vez, construiu sua carreira inteiramente no Porta e se perde um pouco nessa transição para o cinema (é transmitido no streaming, mas continua sendo filme), tendo certa dificuldade para se desprender da dinâmica de esquetes. Em outras palavras: o roteiro supera essa barreira, mas a identidade estética de Peçanha Contra o Animal permanece inerentemente conectada ao Youtube.

Não posso dizer que as piadas são ruins ou que o longa falha na missão de arrancar risadas, porque estaria mentindo. O tipo de humor do Porta dos Fundos sempre me pegou, seja nas paródias escrachadas que parecem sair diretamente de Corra que a Polícia Vem Aí ou nas críticas políticas mais veladas. No entanto, é inegável que o projeto se mantém nessa zona de conforto, ficando meio batido a partir de certo momento.

Faltou os envolvidos expandirem o olhar cinematográfico junto com o restante do universo. Basta observar com a produção escorrega sempre que precisa dar um passo além, incluindo a criação de um clímax impactante. Preciso admitir que broxei, por exemplo, com a revelação morna e nem um pouco catártica do ser humano por trás do animal.

A ideia é boa e as piadas também, mas falta alguma coisa. Aquele passo pra fora da zona de conforto que se tornaria o diferencial. Aquele toque de emoção que faria Peçanha Contra o Animal ser mais do que um passatempo divertido, esquecível e idêntico a qualquer outro vídeo que o grupo subiu no Youtube.


Peçanha Contra o animal estreia no catálogo do Amazon prime video no dia 22 de outubro


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