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Pokémon: Detetive Pikachu é a nostalgia que procurávamos

Faltou só a Equipe Rocket


12 de maio de 2019 - 01:20 - felipehoffmann

Pokémon: Detetive Pikachu se ancora em uma premissa básica para levar aos cinemas o universo dos games. Além, claro, de deixar uma enorme brecha para filmes futuros.

 

A franquia Pokémon deu as caras em 1995 com Satoshi Tajiri lançando dois jogos que seriam o estopim de um sucesso. O que começou com uma série de jogos, se tornou uma fonte extremamente rentável na mesma medida de sua diversidade.

Lá na década de 90, se você abrisse sua Pokedex iria encontrar 150 Pokémons à sua disposição. Hoje, já ultrapassa os 800. Inclua aí inúmeros jogos para a Nintendo, animes, cards, brinquedos, longas animados, roupas e mais um monte de quinquilharias que batem de frente com qualquer coisa que a Disney venha produzir. Faltava só um live-action para fazer jus ao tamanho desse universo.

Não falta mais.


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Pokémon: Detetive Pikachu chega com a pompa de introduzir um universo incrivelmente verossímil enquanto tenta contar uma história simples, com alguns escorregões, mas que acima de tudo é extremamente divertida e eficiente. Existe no longa a clara intenção de contar mais histórias dentro daquele universo. Aqui, a Warner estabelece uma lógica narrativa que é completamente passível de expansão ao longo dos anos.

Rob Letterman (O Espanta Tubarões) apresenta um universo tão rico e variado que nos primeiros minutos de filme já desconectamos das histórias de Ash, Brock, Misty, Gary ou até mesmo a Cidade de Pallet. Eles não têm espaço por aqui, e que bom que isso aconteceu. Contar uma história original dá um fôlego imensurável para o “produto” Pokémon.

 

 

Protagonizado por Justice Smith (The Get Down) e Ryan Reynolds (Deadpool), Pokémon: Detetive Pikachu conta uma história bem simples sem muitos mergulhos em camadas de desenvolvimento de personagens. Tim (Smith) é um jovem que vive numa cidade do interior (que não é Pallet) e precisa ir para Ryme City (que não é Saffron) após receber a notícia da morte de seu pai, um renomado detetive da cidade. Em Ryme, Tim encontra um Pikachu viciado em cafeína e, juntos, precisam resolver o mistério da morte do detetive.

A conta dessa simplicidade só chega quando Detetive Pikachu aposta no turn over emocional das revelações, que tentam ser dramáticas, mas esbarram num Snorlax sonolento no ápice de seu clímax.

Os clichês carregados impedem o filme de crescer em história, mas o filme sabe da sua narrativa e acaba tirando sarro de si próprio. Essa noção de algo escrachado faz Pokémon: Detetive Pikachu funcionar como uma aventura simplista, justamente por entender que seu ponto forte não está na trama principal.

 

 

Mesmo que seja vendido como um filme infantil (o que resultou no absurdo fato de quase 90% das salas brasileiras só exibirem cópias dubladas da obra), Pokémon: Detetive Pikachu existe para conquistar pela nostalgia, pela riqueza de seu mundo. Não faltam, por exemplo, planos que existem simplesmente para ressaltar o visual dos personagens e a abundância de detalhes nas peles, camadas e pelos dos Pokémons. A ideia principal, porém, não é entregar esse universo de mãos beijadas para o espectador, e sim dar referências em doses homeopáticas, ao longo do desenvolvimento da trama, para sempre manter o espectador interessado em qual será a próxima novidade.

Letterman evoca a nostalgia em cada plano de sua câmera, que conquista desde a primeira cena de captura falha de um Cubone. A geração que cresceu assistindo ao desenho e os longas animados estão muito bem servidos de fan service. Apesar de possuir um roteiro simplista e óbvio, o mérito de Pokémon: Detetive Pikachu é de criar um universo crível, coexistindo humanos e pokémons.

No fim das contas o desinteresse pelo roteiro acaba funcionado como forma de apreciação nostálgica. Perdi a conta das vezes que parei de prestar atenção na história só pra ver um Charizard voando, um Charmander sorrindo, um Machamp como fiscal de trânsito, um Entei policial ou até as mímicas de Mr Mine (uma das melhores coisas do longa).

 

 

Pokémon: Detetive Pikachu é um filme ciente de que seu ponto forte é o universo, e trabalha para expandi-lo , criando espaço para que vindouros projetos aproveitem seus elementos. O encantamento pelo visual mora em cada enquadramento que nos põe frente a frente com uma cidade futurista na qual pokémons não só são realidade, como ocupam os mais variados espaços daquela sociedade.

Como filme de introdução a um novo universo, Pokemon: Detetive Pikachu cumpre muito bem o que promete. Pode não ser um primor de roteiro mas os pontos positivos permanecem muito mais frescos que as lembranças negativas do longa. À Warner resta encontrar uma maneira de explorar novos pontos que, dessa vez, fisguem pela história e que não fiquem apoiados só na base da nostalgia.