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Um dos indicados ao Globo de Ouro 2017, Sing Street e seu subtítulo desnecessário, chegou a Netflix com uma história leve e marcada por clichês de filmes americanos, daqueles que mostram um loser dando a volta por cima. A diferença é que o filme vem regado de muita música boa, broderagem e um sub-texto político bem interessante.

Conor (Ferdia Walsh-Peelo) vive em Dublin na Irlanda e é obrigado a mudar de colégio, devido à difícil condição financeira de seus pais, que ainda por cima brigam sem parar. Logo ele tem problemas com um valentão local, que passa a persegui-lo, e também com o padre que coordena a escola, devido à sua disciplina rigorosa. Desiludido, Conor tem um sopro de esperança ao conhecer Raphina (Lucy Boynton), uma garota que está sempre à espera na porta da escola. Disposto a conquistá-la, ele diz que está montando uma banda de rock e a convida para estrelar um videoclipe. O problema é que Conor não tem nenhuma banda, e precisa montar uma rapidamente para que possa impressionar a moça.

A grande vantagem é que seu irmão Brendan (Jack Reynor) é um ex-música frustrado que está disposto a ajudá-lo com conselhos musicais. E, quando a banda de fato se une, é possível notar que há futuro ali, afinal todos são excelentes e funcionam muito bem em conjunto. Talvez a grande vantagem do diretor, roteirista e compositor John Carney (que fez outro excelente filme de música, Mesmo Se Nada Der Certo) seja focar no seu protagonista, nos seus anseios, sonhos e  na capacidade de transformar o sofrimento em música boa. É como ouvimos no filme repetidas vezes: faça músicas que sejam alegres e tristes ao mesmo tempo, afinal nós somos assim.

Além de boas composições da própria Sing Street como “The Riddle of the Model” e “Brown Shoes“, temos The Cure, Motorhead e Duran Duran, além de influencias visuais a David Bowie. Em vez de se entregar ao romance piegas já tradicional destes filmes, John prefere manter a principal relação do longa na forte amizade entre Conor e seu irmão que vê no outro a grande oportunidade que ele não teve. É como se Brendan externasse tudo aquilo que sente pelo mundo através de um sentimento sincero que é confirmado nos momentos finais da produção.

A crise na Europa nos anos 80 que levou muitos irlandeses para a Inglaterra é o sub-texto que surge no longa, que acaba afetando indiretamente Conor, seja na vida familiar, amorosa e até no valentão da escola, que ganha um pouco de desenvolvimento. Desenvolvimento esse que infelizmente não acontece com os outros integrantes da banda, e ficamos sabendo poucas informações sobre eles, talvez John quisesse realmente focar mais em seu protagonista, mas não me importaria de saber mais sobre todos.

Com uma conclusão que traz uma bela homenagem a De Volta Para o Futuro, tanto no visual, como nas situações, Sing Street é um daqueles filmes que mostram que “ainda dá”, que nunca é tarde pra seguir sua vocação, seja ela qual for. Apesar de recheado de alguns clichês que não afetam a produção, tem um tom leve, e as vezes cômico, principalmente na gravação dos clipes. É um daqueles filmes pra ver e se sentir bem.

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Sing Street: Música e Sonho

9.5

Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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