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Quando se pensa em um filme de comédia estrelado por Marcelo Adnet e Eduardo Sterblitch, que são maiores comediantes da atualidade, logo pensamos em um filme com capacidade para fazer quem assiste rolar de rir. O problema é que quem assiste o filme esperando rir, não consegue rir…

O filme segue a história de um trambiqueiro (Adnet) que salva um sujeito do interior do Rio (Sterblitch) de se matar e a partir daí resolve depenar o pobre coitado, tirando proveito da tristeza amorosa do cara. A história principal é fraquíssima, fazendo com que as cenas não tenham nenhuma ligação entre elas. Não existe um pano de fundo forte para apoiar o roteiro, fazendo com que o filme seja um apanhado de esquetes (a maioria sem graça) feitos por Adnet e Sterblitch. Talvez seja por isso que as melhores cenas do filme sejam aquelas mais soltas, como as festas e a cena do carro de polícia. Cenas onde os atores principais podem improvisar, já que o roteiro erra a mão feio nas piadas.

O roteiro é falho, o desenvolvimento dos personagens é ruim (isso atrapalha a dupla principal, já que eles não são atores acostumados aos papéis mais dramáticos) e os “mistérios” do longa são muito previsíveis (tenho que admitir que só a resolução da personagem russa me surpreendeu um pouco). O maior acerto do filme é também um dos seus erros. O roteiro não apela para uma grande quantidade de humor físico para gerar o riso, mas talvez esse humor físico fosse necessário para que Adnet e Sterblitch se soltassem. Os dois estão acostumados com esse tipo de humor escatológico.

A direção é de Andrucha Waddington, que é um diretor acostumado aos dramas ou aos filmes artísticos. Aqui ele faz bem o seu trabalho.  Os ângulos de filmagem são bem interessantes e dão um tom um pouco autoral para o filme. O problema da falta de movimentação e conexão do filme prejudica, mas o culpado é o roteiro e não o Andrucha.

Adnet emplaca mais uma decepção, depois de “As Aventuras de Agamenon”, já que ele não parece estar a vontade em um papel que não foi escrito por ele. Enquanto isso, Edu Sterblitch consegue encontrar um tom diferente para o seu personagem, usando suas vozes e caretas a favor do filme. Edu surpreende e por isso, as poucas risadas, que eu dei no decorrer do longa, vieram de cenas dele.A linda Mariana Ximenes não tem grandes cenas e parece só estar ali para embelezar a tela (e o objetivo é atingido…). As outras participações são jogadas no filme sem nenhuma função ou cena interessante.

É incrível e triste, a maneira como o cinema de comédia brasileiro não se separa da televisão (mesmo o filme não sendo produzido pela Globo). O humor é raso e extremamente caricato. Uma comédia que beira o ridículo sem arrancar risos. É incrível como o filme é parecido com o programa “O Dentista Mascarado”, programa global estralado por Adnet. O tipo de humor, de roteiro e de filmagem são idênticos.

O problema é que isso não acontece só aqui. Todos os filmes de comédia lançados no Brasil nos últimos anos  possuem este estilo e temática. As comédias brasileiras precisam de uma revitalização urgente.

O filme não é bom, mas também não é  todo ruim (acreditem que é muito difícil escrever criticas sobre filmes assim…). O filme poderia ser bem melhor e bem mais engraçado. Ainda assim, quem assistir de maneira despretensiosa, sabendo que o humor de Adnet e Sterblich não estão presentes no filme, vai ficar satisfeito, já que o filme é um passatempo bacana.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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