AODISSEIA
Filmes

Viagem no Tempo: Batalha Real (2000)


29 de abril de 2013 - 00:59 - Flávio Pizzol

Um filme japonês ultra-violento que teve sua história usada como inspiração diversas vezes. Quem já assistiu sabe que a história de Jogos Vorazes é muito parecida com a de Batalha Real, mas o tratamento, o desenvolvimento e as situações politicas são um pouco diferentes.

A história desse filme se passa em um futuro próximo, onde a rebeldia dos adolescentes força o governo a criar o Ato BR, que leva uma classe de estudantes para um jogo onde só uma pessoa pode sobreviver. Os jovens são controlados por um colar explosivo equipado com GPS e microfones, que vai explodir após três dias de jogo, a não ser que exista um vencedor.

Esse filme é bem mais violento do que o Jogos Vorazes e mostra com extrema veracidade as mudanças comportamentais e a violência dos combates entre os jovens. A critica social e politica marca muito bem a sua presença no filme, assim como no filme americano (mesmo que em contextos diferentes).

A direção é boa, principalmente por não ter medo de mostrar a carnificina entre os jovens. O roteiro é interessante, mas cria algumas situações que são muito melo-dramáticas e atrapalham o andamento do filme.

O elenco é formado, basicamente, por jovens desconhecidos e inexperientes, algo atrapalha o andamento da história que precisa muito dos atores em algumas cenas. Um exemplo disso é a cena final, onde os jovens falham por não terem experiência. Essa cena em questão é salva pelo veterano Takeshi Kitano, que rouba a cena em todas as suas aparições. A melhor dessas é a cena em que as regras dos jogos são explicadas através de um vídeo-propaganda.

Outro acerto do filme é a abordagem perfeita das reações humanas em situações criticas. Em algumas situações a amizade se fortalece, em outra essa acaba. Alguns jovens veem a violência florescer dentro deles de uma maneira brutal. Surgimento do ódio, do amor, da falsidade, do egoísmo e da hipocrisia. Cada pessoa reage de uma maneira diferente nessas situações e isso é mostrado de uma maneira muito boa no filme. Uma das cenas que é um ótimo exemplo disso é a cena da cozinha do farol, em que a mentira e a falsidade gera a desunião e consequente morte de 6 meninas.

Não é uma obra-prima, como muitos falam, mas é um filme muito bom que merece ser assistido, principalmente por retratar as reações humanas e as questões politicas sem perder o ritmo nas cenas de ação. E também não usando artifícios para mostrar a violência que pode ser causada pelo ser humano.

OBS 1: em 2009, Quentin Tarantino elegeu “Batalha Real” como o seu filme favorito desde que passou a trabalhar com cinema (em 1992 com o brilhante “Cães de Aluguel”). Nas palavras dele: “Desde que eu me tornei cineasta, este é o único filme que eu gostaria de ter feito.”. E apesar da boa direção do filme, eu também gostaria que o Tarantino tivesse dirigido esse filme…

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