AODISSEIA
Filmes

Crítica: Círculo de Fogo

10 de agosto de 2013 - 05:41 - Flávio Pizzol

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Eu, como fã do diretor Guillermo Del Toro, estou esperando esse filme desde as primeiras imagens que saíram, mas eu realmente pirei depois de ver uma cena onde um robô usa um navio para bater em um kaiju. E fiquei muito feliz ao ver que essa não seria a cena mais empolgante do filme. Círculo de Fogo é – desculpem as palavras – FODA, um filme do caralho. Não é um filme perfeito, mas os erros não importam dentro desse espetáculo feito apenas para garantir a diversão do público.

Sei que gosto de criticar os filmes feitos só para diversão. Mas não posso nem pensar em falar isso de Círculo de Fogo, simplesmente porque Del Toro diverte o público sem esquecer do resto do filme. As atuações são razoáveis e o roteiro, simples e previsível, funciona. É um filme equilibrado.

O premissa é simples. Monstros gigantes saem de uma fenda no Pacífico e atacam a Terra. Depois de muita destruição, os governos se unem e criam os Jaegers, robôs gigantescos que conseguem vencer esses kaijus.

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O roteiro, como já falei, é simples e extremamente previsível. Todas as reviravoltas são facilmente percebidas antes de aparecerem na tela. A história é totalmente clichê, mas funciona muito bem como background para o porradeiro entre os robôs e os monstros. O filme até tem alguns momentos inspirados (como o flashback da infância da Mako), mas Del Toro parece não querer que o roteiro tire o foco da ação. A ação é o que ele realmente quer mostrar.

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Ainda assim, o roteiro consegue ter espaço para criticar (principalmente o governo e suas decisões estúpidas) e para dar lições de moral relacionadas  à sacrifícios, amizade,meio ambiente, etc…

Além de escrever o roteiro em parceria com Travis Beacham, Guillermo Del Toro dirige o filme. E que direção espetacular. Dá pra sentir que o diretor está feliz e realizado em poder levar essa história para as telas. Ele mesmo já comentou que esse seria seu filme dos sonhos e que os robôs e os monstros estão no DNA dele.

É impressionante como o filme parece ser real. A movimentação e o funcionamento dos robôs são proporcionais ao tamanho avassalador dos mesmos. As cenas de ação são resultado de uma perfeita combinação entre ângulos de câmeras e efeitos especiais e isso possibilita que o espectador entenda tudo o que está acontecendo nas lutas – ao contrário de Transformers – e acompanhe o filme com facilidade.

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O 3D também é um presente do diretor. A Warner queria muito fazer a conversão do filme, mas Del Toro só aceitou passar o filme pra 3D se isso fosse feito sob as condições dele. No final das contas, não dá pra acreditar que o filme não foi pensado em 3D de tão perfeita que é essa terceira dimensão.

A direção de arte também é sensacional, seja na criação do visual dos robôs ou na criação de uma Terra pós-guerra. E ela fica melhor ainda quando analisada junto com a direção e os efeitos especiais. Círculo de Fogo é um show visual de primeira qualidade.

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O elenco não é espetacular , mas funciona. Acredito que nenhum dos atores seguraria um filme desse sozinho, mas eles funcionam em grupo. Charlie Hunnam, Rinko Kikuchi, Idris Elba fazem o trio principal do filme e eles conseguem dar alguma profundidade aos seus personagens. Charlie Day (o alívio cômico), Max Martini e Ron Perlman (hilário) completam o elenco.

Mas no final o que importa é a ação. E as três grandes cenas de ação alucinam e fazem o público vibrar. Os robôs usam armas, mísseis, socos voadores, espadas e até navios para nocautear os monstros. Cenas gigantescas e muito bem filmadas.

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Um dos filmes mais divertidos que eu já vi, mesmo não sendo perfeito. Um filme para gritar, vibrar e enlouquecer. Um filme feito para fãs lunáticos por um fã lunático só poderia dar nisso. Círculo de Fogo abre o segundo semestre do cinema com Chave de Ouro. Merece ser visto em 3D, em XD, em Imax, em grupo, sozinho…

OBS 1: A bomba atômica explodindo embaixo da água é sensacional também.

OBS 2: As ideias relacionadas ao controle dos jaegers são sensacionais. Toda a explicação sobre a necessidade de dois pilotos e de uma conexão neural entre eles é muito boa e deixa o filme com mais cara de ficção científica.

OBS 3: Novamente tive problemas ao tentar assistir um filme no Cinemark. O projetor estava mal posicionado e a parte de baixo da projeção estava sendo cortada (inclusive não consegui ler algumas legendas nas cenas em japonês).

OBS 4: Desculpem se essa critica não ficou tão clara, porque, como um bom nerd, eu gostei muito do filme e tive dificuldades para escrever sobre ele.