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Um ano se passou desde o último – e espetacular – episódio de Breaking Bad. E posso dizer que valeu a pena esperar todo esse tempo. A melhor série de TV da atualidade voltou com tudo. Não importa se essa é a continuação da 5ª temporada ou se é o começo da sexta e última temporada. O importante é que Breaking Bad está de volta deixando claro que esse é o começo do fim.

Não pretendo me estender ou ficar criando muitas teorias, mas me senti obrigado a escrever depois que terminei de assistir o episódio de retorno. “Blood Money” marca o retorno de maneira perfeita, porque é focado em mostrar as consequências de tudo o que aconteceu nos últimos episódios e ainda deixa um gostinho do que ainda vai acontecer no final da série. “Blood Money” reapresenta todos os personagens principais e todos os assuntos que serão importantes para a conclusão. Vemos o sofrimento de Jesse, o câncer de Walter, as descobertas de Hank e Heisenberg.

E pra começar a falar desse retorno, sou obrigado a falar da espetacular cold open (aquela cena que passa antes dos créditos iniciais). Essa abertura foi um flashforward, ou seja, uma cena que se passa no futuro. Uma cena seca e avassaladora que mostra um Walter barbudo e envelhecido, que já apareceu na série, pegando a ricina na sua casa destruída e abandonada. O que aconteceu com Walter? E com sua família?

O restante do episódio seguiu a linha temporal verdadeira, explorando, como eu já disse, as consequências da primeira parte da temporada em cada personagem principal. Walter vive as consequências de ter abandonado a produção de metanfetamina e está cuidando do lava-jato junto com uma Skyler infeliz. Jesse está convivendo com o remorso e decide não ficar com o dinheiro da venda das drogas. E Hank está procurando provas contra seu cunhado depois da epifania do 8º episódio.

A história de Jesse é fraca (nesse episódio), por ser muito óbvia. As reações do personagem são as mesmas que ele tem sempre que comete algum crime junto com Walter. E dentro dessa história óbvia até Walter fica previsível. Quem não sabia que ele ia tentar enrolar Jesse com aquela conversa mentirosa de sempre.

Outra característica que chama a atenção na série são os diálogos geniais. E o retorno acertou em cheio nos diálogos. Os destaques vão para o diálogo sobre Star Trek e a discussão entre Hank e Walter no final do episódio. O diálogo sobre Star Trek surgiu do nada e acabou sendo uma das melhores cenas do episódio. Um diálogo criativo, peculiar e engraçado. Eu acho que nunca tinha visto uma discussão entre nerds chapados. Já a intensa cena que fechou o episódio entra para o hall das melhores de todos os tempos de Breaking Bad.

Essa cena, que deve influenciar outros episódios deste final, merece um destaque diferenciado, porque o diálogo repete – ou recria – a transformação de Walter em Heisenberg em uma versão curta.

Essa transformação foi desenvolvida com tranquilidade nas temporadas anteriores, mostrando como criar um verdadeiro anti-herói. Agora que a transformação está praticamente concluída, a série deve retratar as consequências dessa transformação para o personagem e para os demais envolvidos (na minha opinião isso sempre foi feito, mas agora esse será o foco do restante da temporada). E a cena com Hank deve ser muito importante para o desenvolvimento final do personagem.

É interessante observar que Walter começa essa discussão como um pobre coitado. Essa primeira fase (similar à primeira temporada da série) tenta convencer o público da inocência do personagem. Assim o espectador ficará com pena de Walter e usará esse sentimento para justificar os crimes cometidos durante a transformação.

A segunda fase pode ser observada quando Walter é atacado por Hank e começa a agir na defensiva. Ele tenta fazer as pessoas aceitarem seus crimes. Ele tenta convencer o adversário (e o público) dizendo que não teve outra opção (“Meu câncer voltou”).

Quando essa tática não funciona e o personagem é encurralado, ele completa a transformação para tentar virar o jogo, dominar a situação (Heisenberg sempre mostrou que gosta do poder e de conseguir controlar tudo e todos). Nesse momento, Walter começa a atacar e ameaçar para defender seu ponto de vista.

Enfim, “Blood Money” foi um episódio sensacional. Abordou o passado e trouxe novas dinâmicas e enredos para nossa história favorita.

OBS 1: A direção sensacional do episódio é de Bryan Cranston.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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