Triste e potente, A Baleia é mais um filme do dementador da alegria Darren Aronofsky…
Darren Aronofsky é um diretor controverso. Na maioria de suas histórias, parte da audiência acha que ele é daqueles diretores que quer apenas chocar, usando e abusando do sofrimento alheio para causar alguma emoção genuína no espectador.
Outro o acham um gênio, sempre levando seus personagens e atores ao limite da atuação. Eu estou no meio termo. Amo, gosto, e detesto algumas obras do diretor, mas confesso que estou mais para o lado que admira o trabalho do homem que trouxe O Lutador e Cisne Negro às telonas.

Mas, qual a história de A Baleia?
Charlie é um professor de inglês com obesidade severa, que tenta se reconectar com sua filha adolescente como uma última tentativa de redenção.
Baseado na peça homônima de Samuel D. Hunter (que também escreve o roteiro do filme).
O que achamos do filme?
Como era de se esperar, por ser baseado em uma peça, A Baleia é um daqueles longas que se passa inteiramente em apenas um ambiente, utilizando-se do texto para guiar os personagens que passam pela vida de Charlie.
Aronofsky escolhe um visual mais sombrio e com pouca iluminação para a casa, começando com uma cena que já deixa o espectador atônito de cara, para depois destrinchar as motivações e interesses do protagonista.

Mais contido no início, o cineasta fala sobre depressão de maneira singela, ligando sentimentos com autoestima, rotina, e a deterioração do próprio corpo. Talvez a repetição da condição de Charlie canse o espectador, mas quem se entregar a história e a forma que é conduzida, estará conformado, mas nunca confortável.
Brendan Fraser é o responsável por nos guiar nesta iminente tragédia. Charlie é um homem obeso, que tem dificuldades para se locomover, mas que mantém o ar positivo sobre a vida e as pessoas. Fraser parece ter sido a escolha perfeita para o papel. O ator que sofreu o pão que o diabo amassou em Hollywood, continua dando a volta por cima, por mais que o mundo queira dizer o contrário.
Sua atuação é digna da indicação (e até possível vitória) ao Oscar 2023, e brilha ao lado da indicada a coadjuvante Hong Chau. A relação com a filha vivida por Sandie Sink talvez seja o elo mais fraco do filme, mesmo que rendo belos momentos, inclusive a cena final.
A trilha muito incisiva e a forma como Aronofsky filma o martírio de Charlie pode incomodar alguns, mas talvez o objetivo seja esse. “A Baleia” engole nossas reações iniciais nos deixando chocados pela história forte e triste, podendo também causar raiva e revolta. Enfim, não podemos dizer que Darren Aronofsky é um diretor que não causa emoções.
Nota: 8