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Aproveitando que Elysium (ficção científica americana com participação de Alice Braga e Wagner Moura) estréia na próxima sexta (20/09), resolvi assistir o primeiro filme do diretor Neill Blomkamp. Apadrinhado por Peter Jackson, Blomkamp cria um longa interessante, emocionante, inteligente e delirante. Pra mim, Distrito 9  é um dos melhores filmes de ficção científica das últimas décadas.

Distrito 9 fala sobre as consequências de uma invasão alienígena na África do Sul (e não na Europa ou nos Estados Unidos…). Os aliens chegaram desnutridos e perdidos e o governo resolveu salvar os espécimes e criar um local (o Distrito 9 ,que dá nome ao filme, é uma verdadeira favela) para que os camarões, como os aliens são maldosamente apelidados, possam morar e conviver com os humanos.

Efetivamente, o filme se inicia 20 anos após essa invasão e segue um grupo que tenta realocar esses aliens para um local mais distante, por causa do aumento da criminalidade e do descontentamento da população. As coisas começam a dar errado quando Wikus van de Merwe, o desajeitado líder da missão, entra em contato com uma substância desconhecida encontrada no Distrito.

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O filme começa ser contado através de um documentário que segue Wikus durante a missão no Distrito 9. Jornalistas, especialista e a própria população explicam o que aconteceu desde a chegada dos alienígenas e dão algumas pistas sobre o que vai acontecer com Wikus. Esse tom documental pode gerar certa estranheza, mas é uma maneira diferente de contar essa história original. Com um fluxo calculado( e apoiado em uma edição brilhante), Neill começa a misturar algumas cenas normais dentro desse documentário e sem que o público perceba a mudança de tom é completada(inclusive por que a câmera de mão continua sendo usada).

O roteiro foi adaptado do curta Alive in Joburg do próprio Blomkamp, mas a história é original e fora dos padrões. Em um mesmo contexto, Neill consegue abordar questões sociais, criar dramas e fazer cenas de ação grandiosas. Distrito 9 certamente é um filme diferenciado.

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Ambientar a história na África do Sul e tratar de questões sociais dentro do filme é um grande acerto de Neill Blomkamp. Distrito 9 é uma grande metáfora ao apartheid, movimento racista que tomou conta da África do Sul por mais de 40 anos. Essas questões dão um tom muito interessante para o filme, já que faz o público pra pensar durante a diversão. Mas o foco não é tirado da diversão, por que esses pontos são abordados na hora certa e na medida certa.

A ação e diversão também estão lá. Os últimos 40 minutos de filme são tensos e recheados de ótimas cenas de ação. Por decisão de Blomkamp, as cenas de ação não são tão elaboradas para serem críveis e realistas. E a produção ajuda muito nisso, já que o público realmente entra na história e acredita na mesma.

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A direção de arte e os efeitos especiais são mais do que espetaculares. Os detalhes culturais presentes nos cenários e o visual dos camarões podem ser destacados. O sensacional suporte técnico do filme permitiu que Neill misturasse muitos efeitos práticos com um CGI realista.

Mas o filme também tem seus problemas, mesmo que estes sejam poucos e não atrapalhem o andamento do filme. Problemas naturais de um diretor iniciante, como o fluxo de algumas cenas e algumas narrações desnecessárias.

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Outro ótimo destaque do filme é o ator principal. Sharlto Copley (que também atua no curta Alive em Joburg) não queria ser ator, mas continuou na carreira depois desse filme.

Copley cria um personagem crível e muito complexo. Copley emociona o público nas cenas dramáticas (quando fala com a mulher ou quando é rejeitado e sofre na pele o preconceito), faz rir em algumas cenas improvisadas (na verdade, ele improvisou quase tudo do personagem, principalmente nas cenas do “documentário”) recheadas de ironia e humor negro e ainda se doa fisicamente nas cenas de ação.

Distrito 9 não é um filme perfeito, mas é original e muito bem produzido. Uma ficção científica que não tenta prever o futuro e sim analisar o presente. O filme é um estudo interessantíssimo sobre as consequências do choque entre raças ou sociedades completamente diferentes e ao mesmo tempo é um ótimo filme de suspense e ação.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

Um Assaltante Bem Trapalhão (1969)

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