Agnes de Deus | Espetáculo do dramaturgo americano John Pielmeier chega a São Paulo

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Foto: Ronaldo Gutierrez Divulgação

Tocando em temas como o embate entre religião e ciência, fé e ateísmo, a violência e o controle sobre o corpo feminino e a institucionalização do poder, Agnes de Deus estreia na sexta-feira, 20 de outubro, às 20h no Teatro Aliança Francesa. A peça foi escrita pelo dramaturgo americano John Pielmeier em 1979 e conta com a direção de Murillo Basso e codireção de Yara de Novaes. 

O elenco é formado por Clara CarvalhoGabriela Westphal e Mariana Muniz.  A temporada vai até 3 de dezembro com sessões de sexta e sábado, às 20h, e domingo, às 18h. A idealização do projeto é de Ariell Cannal e Gabriela Westphal, pela Cannal Produções.

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Foto: Ronaldo Gutierrez
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Qual a trama de Agnes de Deus?

A trama é um thriller psicológico que aborda a investigação de um crime: O assassinato de um bebê recém-nascido, supostamente cometido pela própria mãe da criança, uma jovem freira. A peça, baseada em fatos reais, nos conta os desdobramentos desta investigação. A história tem início quando um bebê é encontrado morto em um cesto de lixo no quarto de um convento. O texto apresenta a Dra. Martha (Clara Carvalho), uma psiquiatra; a Irmã Miriam Ruth (Mariana Muniz), coordenadora de um convento; e Agnes (Gabriela Westphal), a jovem freira.

Supõe-se que Agnes, a mãe da criança, teria dado à luz e, em seguida, matado seu bebê. Madre Miriam acredita que a jovem foi tocada por Deus, defendendo a ideia de que a criança poderia ser o resultado de uma concepção miraculosa, sem intercurso sexual. Já a Dra. Martha transita do ceticismo e do pragmatismo científico ao envolvimento cada vez mais obsessivo e pessoal com o caso de Agnes.

Sobre o espetáculo

A idealização do projeto se deu durante a montagem de Escola de Mulheres, de Molière, também da Cannal Produções, quando Ariell Cannal e Gabriela Westphal interpretaram, respectivamente, Horário e Inês sob a direção de Clara Carvalho. Durante o processo criativo, ambos tiveram acesso ao texto de John Pielmeier e pensaram em uma futura peça.

“Agnes é uma incógnita, ela é diferente, mas não conhece o mundo. É como se tivesse uma ligação com o divino, incorpora a fé na vida do dia a dia. A personagem sofreu muitos abusos quando era pequena, cheia de traumas”, fala Gabriela.

Clara Carvalho ressaltou a importância das camadas que permeiam a dramaturgia. “O Brasil e o mundo têm passado pela questão do fundamentalismo religioso, é importante visitar esse texto levando em consideração os momentos sociopolíticos dos últimos anos. A grandeza deste trabalho é que ele discute com uma série de questões femininas sem se fechar em si. Lida com o erótico, o espiritual e o místico para trazer uma boa história”.

A paisagem sonora em Agnes de Deus, assinada por Morris, permeia o canto da personagem, habilidade que é praticada por Gabriela. A cenografia de Mira Andrade reforça que a peça se passa em um universo plano mental e as unidades de espaço não são bem determinadas, as cenas podem se passar ora em um consultório, ora em um convento. O desenho de luz, de Aline Santini, e o figurino, de Marichilene Artisevskis, dialogam com essa espécie de fluxo de pensamento e memória que guiam a trama.

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De acordo com Murillo Basso, “A violência brutal sofrida por Agnes é um eco da nossa realidade, mas a direção encontra no mistério e nas perguntas sem resposta a possibilidade de expandir essa narrativa e tocar o desconhecido. A encenação parte de um lugar mais realista e vai se desdobrando poeticamente através do corpo em movimento, das sonoridades a iluminação e as transformações do espaço”.

Agnes é um agente transformador que impacta a vida e o modo de agir da psiquiatra Martha e da Madre Miriam Ruth. Apesar de serem dois pólos distintos, a ciência e a religião, as duas não são antagonistas, pois elas desejam proteger a freira mais nova. Clara enfatiza que a sua personagem até torce para que a jovem seja inocente e sua pureza seja preservada. A Madre de Mariana Muniz também mira no lado imaculado de sua protegida. “Ela era uma mulher que nem tinha certeza da existência de Deus, mesmo sendo freira. Porém ao ouvir o canto de Agnes, a Madre Miriam foi atingida pela inocência e a divindade.

A equipe de profissionais de Agnes de Deus tem uma extensa carreira que já rendeu dezenas prêmios somados como APCA e SHELL, além de outras tantas indicações. As três atrizes estiveram juntas no elenco de O Jardim das Cerejeiras do russo Anton Tchekhov, também produzido por Ariell Cannal. Inclusive, Clara e Mariana são parceiras cênicas e trabalharam em vários projetos como em As Criadas, Jean Genet; Sete Histórias, uma adaptação da obra Das Tripas Coração, de Ezter Liu.

Agnes de Deus já marcou presença nos palcos brasileiros. Teve uma montagem com Clarisse Abujamra, Cleyde Yáconis e Walderez de Barros em 1982. No Rio de Janeiro, a história de John Pielmeier ganhou uma produção com Lucélia Santos, Nicette Bruno e Yara Amaral.

Quando e onde assistir?

TEATRO ALIANÇA FRANCESA

Rua General Jardim 182 – Vila Buarque. Ar-condicionado. Informações: (11) 3572-2379

Temporada: De 20 de outubro a 3 de dezembro (Sexta e sábado às 20h | Domingo às 18h).
Preço: R$60 (Inteira) e R$30 (Meia). 
Compra Online Sympla: 
Classificação: 14 Anos. 
Duração: 100 Minutos

www.teatroaliancafrancesa.com.br


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