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Zumbilândia 2 repete a fórmula do primeiro longa sem nenhum disfarce, mas acerta ao manter a diversão como sua peça-chave.


Desde o momento em que deixaram lendas haitianas rumo às celebradas produções norte-americanas, os zumbis foram usados de diversas formas nas obras de terror.

Donos de uma versatilidade que os manteve ativos por tanto tempo, os mortos-vivos conquistaram seu espaço em inúmeras mídias como monstros nojentos que ameaçavam a humanidade, frutos de eventos apocalípticos gerados por diversas fontes, metáforas para os grandes medos da humanidade ou até mesmo piadas que venciam a apatia do ser humano com boas risadas. Depois de abraçar a última opção com muito sucesso em 2009, o universo de Zumbilândia (veja o trailer) está de volta para mais algumas doses de loucura, dilemas familiares e zumbis.

Respeitando a distância oficial de dez anos entre as histórias, a continuação acompanha Tallahassee, Columbus e Wichita em mais uma viagem pelos EUA após Little Rock fugir com seu recém-conhecido namorado hippie e pacifista. Uma premissa simplória que aos poucos se torna um cenário razoável para discussões familiares, encontros inesperados com sobreviventes bizarros e batalhas épicas contra zumbis evoluídos.

 

 

Caso você tenha notado as pequenas porções de enrolação na sinopse e esteja se perguntando sobre a validade desse tão esperado Zumbilândia 2, vou fazer o favor de começar esse texto tirando o zumbi mais perigoso da sala: esse filme gira sim em torno de uma trama forçada que repete todos os ingredientes do primeiro longa sem nenhum disfarce. Em outras palavras, o roteiro escrito pelos criadores do universo, Rhett Reese e Paul Wernick (Deadpool), ao lado de Dave Callaham (Os Mercenários) deixa claro desde o princípio que seu objetivo é repetir todas as sacadas originais que sustentavam o material original com um pouquinho de grandiosidade a mais.

O resultado disso acaba sendo uma narrativa “meio boba” que passeia por esquetes e piadas sem conexão entre si, personagens cuja a única função é facilitar as resoluções e discussões sobre relacionamentos que nunca fogem do lugar-comum. Tudo orquestrado por um Ruben Fleischer (Venom) que aciona o piloto automático e abraça a ideia de repetir todas as soluções criativas que o colocaram entre as promessas de Hollywood sem nenhum esforço. Infelizmente, nos resta ficar curiosos com o que poderia ocupar as telas sem esse marasmo, já que o único momento onde Fleischer injeta alguma novidade realmente resulta em uma cena de ação divertida e elaborada que está entre os destaques do longa.

 

Dito isso, no entanto, é possível garantir que tais escolhas repetitivas não prejudicam o longa de verdade, afinal existe muito valor humorístico nas inserções de regras, na narração cheia de sarcasmo, na mistura de gêneros e em todos os recursos estilísticos escolhidos lá atrás. A fórmula de Zumbilândia 2, apesar de extremamente batida após diversas imitações, ainda arranca boas risadas e prende a atenção do espectador graças a uma penca de referências ao primeiro filme, piadas com timing cômico certeiro e sacadas reaproveitadas através dos novos personagens.

 

zumbilândia woody

 

É modesto narrativamente falando, porém respeita a essência de Zumbilândia e permite que o elenco brilhe mais uma vez. Entre nossos queridos protagonistas, Woody Harrelson (Estrada Sem Lei) continua se destacando com o humor bronco de Tallahassee, Jesse Eisenberg (A Rede Social) acerta na mistura entre ingenuidade e paranoia que compõe Columbus e Emma Stone (La La Land: Cantando Estações) se entrega sem nenhuma vaidade ao sarcasmo constante de Wichita.

Por fim, apesar de estar no centro da história, Abigail Breslin (Pequena Miss Sunshine) é única do grupo original que perde espaço e acaba se igualando ao elenco coadjuvante. Isso quando não perde espaço para uma Zoey Deutch (O Plano Imperfeito) hilária e completamente entregue ao estereótipo de patricinha sem noção.

É possível entender que algumas pessoas achem desnecessário produzir uma continuação tão similar ao material original, mas vale dizer que o resultado continua sendo uma visita agradável a esse futuro apocalíptico cheio de subversão, referências a cultura pop e tiração de sarro com os zumbis em si. Para efeitos comparativos, é como se Zumbilândia 2 funcionasse como aquela viagem repetida onde você encontra seus familiares mais disfuncionais.

Pode ser óbvio, bobo, desnecessário e até mesmo inferior a primeira vez, porém ainda compensa pelos bons momentos de diversão. E, no caso do universo de Zumbilândia, isso não só é o suficiente, como também é a regra número um.

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Zumbilândia 2 - Atire Duas Vezes

7.5

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