Wicked: Parte II – Crítica | Um voo bonito… mas baixo

Ariana Grande como Glinda e Cynthia Erivo como Elphaba em "Wicked: Parte II"

Após um ano de muitos memes, polêmicas e expectativas, “Wicked: For Good” chega aos cinemas após uma primeira parte grandiosa e premiada, levando o Oscar® de Melhor Figurino e Melhor Design de Produção na 97ª cerimônia, em março de 2025. Esta conclusão adapta o segundo ato do icônico musical da Broadway, e conta com Cynthia Erivo, Ariana Grande, Jonathan Bailey, Jeff Goldblum, Michelle Yeoh, Ethan Slater e Marissa Bode de volta no elenco principal.

Na trama, acompanhamos Elphaba (Erivo) planejando deixar seu esconderijo para mostrar a toda Oz a face manipuladora do grande Mágico (Goldblum), após os acontecimentos do primeiro filme. Enquanto isso, Glinda (Grande) é proclamada como a Bruxa Boa e celebra seu noivado com o, agora chefe da guarda, Príncipe Fiyero (Bailey). Após desavenças internas e uma completa mudança de clima, Elphaba e Glinda precisam encontrar uma forma de resolver o caos e a fúria que reina sobre Oz, encontrando um motivo pela qual as une e sempre as uniu.

O projeto é novamente liderado por Jon M. Chu (de “Podres de Ricos”, 2018) na direção e com as composições de Stephen Schwartz, que traz, ainda, duas canções originais exclusivas, “No Place Like Home“, interpretada por Cynthia Erivo, e “The Girl In The Bubble“, interpretada por Ariana Grande, cada uma para um momento de suas personagens.

Ariana Grande e Cythia Erivo em cena de "Wicked: For Good"
Foto: Reprodução.

Wicked: Parte II” tem o grande desafio de fazer render um segundo ato de musical que é conhecido por não ser tão empolgante quanto primeiro. E quando se fala em clímax, tanto o espetáculo de palco quanto o filme de 2024 entregam um dos momentos mais épicos e dramáticos, com o número “Defying Gravity“, após um longo desenvolvimento e estabelecimento de personagens. Aqui na segunda parte, no entanto, algumas coisas ocorrem ao inverso.

O filme trata de temas mais densos, porém é mais colorido; ao passo que é ligeiramente mais curto, mas quase monótono; fecha os arcos das personagens, mas não aproveita tanto do tempo para fazê-lo de maneira menos apressada… tudo parece corrido demais. E se o fato é porque o próprio material-base não tem muito o que oferecer, o que dizer das outras modificações na história? De certo, sente-se que havia uma margem a ser preenchida para quebrar o estranhamento que se tem ao experienciar “Wicked” em uma tela, com câmera e enquadramento, numa obra dividida em duas partes separadas por um ano, ao invés de uma peça teatral única.

A química entre o elenco continua excepcional, principalmente entre Cynthia Erivo e Ariana Grande. Na cômica sequência do catfight (quando as “bruxas” brigam após a queda da casa de Dorothy), as duas exalam diversão e liberdade, mas com uma súbita redenção de fortes sentimentos que se acumulam para o número musical seguinte, “No Good Deed“, o qual pede tal impacto emocional. Glinda, porém, parece ser a única que mais evolui enquanto personagem, misturando mágoa, nostalgia, insegurança e revolta de diferentes formas ao longo do projeto.

Ariana Grande e Cynthia Erivo em cena de "Wicked: For Good", filme de Jon M. Chu
Foto: Reprodução.

Esse amadurecimento pode ser testado na canção inédita “The Girl In The Bubble“, lindamente filmada entre reflexos e espelhos, mostrando a superficialidade das aparências sustentadas pela Bruxa Boa, enquanto o interior é frágil e sensível. O mesmo, infelizmente, não pode se dizer de “No Place Like Home“, que não revela e não muda muito o rumo do que foi até então apresentado, apesar da bela interpretação e entrega vocal de Erivo.

É nítido o quanto “Wicked: Parte IIse esforça para entregar um resultado mais do que incrível. Estamos falando de um dos musicais mais famosos e queridos do mundo; arruinar isso seria comprar uma briga eterna e imperdoável. E o filme realmente consegue atingir o seu público. Cativa, emociona e, claro, faz-nos lembrar do quanto dói ser tratado diferente por ser rotulado como diferente; ou ser estigmatizado por pensar diferente da maioria. É uma história sobre resistência e sobre amizade.

O filme é repleto de reprises de falas e letras de músicas que ressaltam uma conexão essencial entre as duas partes; o que no contexto do cinema nem sempre é bom, uma vez que, mesmo dentro de sagas, ou franquias, os projetos precisam de um início, meio e fim próprios; algo que não é tão bem delimitado aqui, em “Wicked: For Good“. A sensação que se tem é de assistir a um “meio e um fim”, mas não um “início”.

A (re)apresentação das personagens é rápida, tal qual como suas resoluções. A primeira cena com a presença da Dorothy é um exemplo, ao começar de forma súbita, logo após uma sequência com uma carga sentimental completamente diferente. Ou quando vemos a personagem de Marissa Bode se autodeclarar “Bruxa Má do Leste” com pouquíssima justificativa para tal. Em alguns outros momentos, porém, a transição é mais fluida e natural, quebrando um pouco do ritmo aparentemente acelerado do projeto.

Cena de "Wicked: For Good", filme de Jon M. Chu.
Foto: Reprodução.

Num geral, “Wicked: For Good” se consolida como um filme ambicioso, emocionante e muito corajoso, além de visualmente magnífico e monumental! As atuações são excelentes e o roteiro, bem como as músicas, demonstram a mesma sensibilidade da primeira parte, com um adicional excepcional de seriedade e maturação. Enquanto um filme legado e feito para os fãs, cumpre majestosamente seu papel e entrega uma adaptação fiel e digna de respeito. Enquanto continuação da história que cativou diversas pessoas que ainda não a conheciam e passaram a conhecer na parte um (como é o caso de quem vos escreve), deixa a desejar em alguns pequenos aspectos, dando a impressão de uma resolução um pouco ansiosa.

Nada muda, porém, o fato de que a magia pode ser sentida intensamente, independentemente da experiência. É o tipo de filme que toca seu espectador pela leveza e pela emoção. E se isso inspira amor, empatia, respeito e bom humor, então realmente fomos mudados para sempre!

Cynthia Erivo e Ariana Grande em cena de "Wicked: For Good"
Foto: Reprodução.

Wicked: Parte II” está disponível nos cinemas de todo o Brasil


7/10
Total Score
Total
0
Shares
Previous Post
Foi Apenas Um Acidente

Foi Apenas Um Acidente – Crítica | Traumas que ecoam como passos de uma perna de madeira

Related Posts