Unlikely | O energizante álbum do Far From Alaska

Unlikely

Título: Unlikely
Artista: Far From Alaska
Lançamento: 04 de agosto de 2017
Gravadora: Elemess


Vinda diretamente de Natal-RN no nordeste brasileiro, cantando em inglês e tocando juntos desde 2012, o Far From Alaska já era improvável muito antes do título do novo CD. A banda de hard rock? Metal? Alt-rock? Ou tudo isso junto, formada por Emmily Barreto (voz), Cris Botarelli (steel guitar, sintetizador e voz), Rafael Brasil (guitarra), Edu Filgueira (baixo) e Lauro Kirsch (bateria), nasceram como um projeto paralelo que acabou se tornando o principal. Lançou seu primeiro disco — o Modehuman, em 2014 — um disco pesado e com uma pegada pós-apocalíptica visualmente e musicalmente falando.

Agora em 2017, após 1 mês em Ashland (Oregon, EUA), trabalhando no The Foundation Soundstage com a produtora Sylvia Massy, responsável pela produção e mixagem de sons de grandes bandas e artistas como SOAD, RHCP, Prince e Johnny Cash, o Far From Alaska volta mais grandioso do que nunca — e diferente — apostando numa pegada mais hard rock eletrônico, misturando com pop e outros estilos. A verdade é que neste novo disco, cada música é um universo. Ela está num ritmo, numa pegada, numa entonação de voz de Emmily, e em seguida está em outra.

Apesar do Far From Alaska já ter ido ao EUA com o CD todo pronto – com exceção da última faixa “Coruja” (única com o título em português) – a ajuda de Sylvia preencheu erros de outrora e o som ficou algo mais harmônico, distorcido e ao mesmo tempo pesado. Não é um álbum cansativo — longe disso — e você consegue ouvir todas as músicas em sua ordem ou não, inteiras e sem enjoar. A banda parece saber onde chegou e que não precisa de firulas para terminar faixas já concluídas e expandir outras que parecem curtas.

A mudança vem desde a capa do CD feita pelo guitarrista Rafael Brasil, até o colorido dos cartões de cada música que vem junto com a mídia física. Aliás todas as faixas tem nomes de animais, com exceção de “Pizza” e cada música tem a ver com eles, seja direta ou indiretamente.

Abrindo o trabalho com Cobra – primeiro single lançado – a banda dá um soco no estômago com uma puta música, e ao mesmo tempo apresenta mudanças. É uma espécie de transição pós ModeHuman, pré Unlikely. Cobra narra uma pessoa forte, que só será derrotada com um poderoso veneno, ao mesmo tempo em que fala daqueles pessoas que chegam sorrateiramente na sua vida só para plantar a discórdia.

Bear já muda completamente o tom, começando com uma guitarra distorcida, uma pegada mais eletrônica e um “q” de reggae, além de ser uma das minhas faixas favoritas. Fala de alguém que quer conquistar o outro de todas as formas, mas acaba não conseguindo. Poderia até fazer uma analogia do Urso com o mel, mas seria viajar demais…ou não. Flamingo é uma das que mais me agrada musicalmente, mesmo não sendo uma das minhas favoritas, pra você notar como esse CD está animal (com perdão do trocadilho).

Tem aquele refrão grudento que com certeza a galera vai cantar junto nos shows. Aliás — em entrevistas — Emmily e Cris falaram que gostariam de realmente ter feito um disco mais acessível, mais fácil de cantar com a galera, ao mesmo tempo brincam dizendo que o novo trabalho é para “dançar e rebolar”. Assim como o animal do título, Flamingo narra a vida de uma pessoa noturna, que sai apenas a noite para curtir os bares e afirma que a noite é criança.

Unlikely | O energizante álbum do Far From Alaska 2
Foto Reprodução

Pig talvez seja a faixa com vocais mais melódicos e agudos de Emmily, além de ser a faixa mais pop do Unlikely. É uma canção de amor, fala do companheiro (a) que mesmo percorrendo caminhos longe de casa, estaremos sempre esperando por ele(a), fazendo com o que o lar seja sempre aconchegante.

Elephant começa tranquila, e talvez seja a música que exige mais dos vocais, alternando entre a voz suave e rasgada. É uma das músicas mais imprevisíveis do disco, e os instrumentos de sopro ou sintetizadores no pré-refrão imitam o animal do título (ou seria mais uma viagem minha?). Elephant é linda e fala do peso, da dor, e do sofrimento ao passar pela escuridão, até chegar a luz.

Monkey (minha favorita do Unlikely), tem uma letra mais curta mas cheia de significado. Musicalmente é uma das músicas que mais completas e é cheia de nuances. Me perguntava sempre se estava ouvindo a mesma música, sempre olhando pro visor do celular. Monkey de certa forma narra a própria banda e sua entrada no show business, o início de carreira em natal como Emmily afirma: “I’m from Natal”, e a volta por cima.

Pelican é uma das favoritas da galera, e é praticamente a continuação de Monkey, tanto em letra como música. A música fala dos desafios do início de carreira e daqueles que não os valorizaram. Emmily canta como uma pelicano (ave de um pio estridente), e ferozmente ironiza alguém que a fez de boba o tempo todo. Ela deu a volta por cima, voa como a ave, e não abre mais shows (não que isso seja um demérito, mas no sentindo de ser desprezada), além de dominar as rádios. No fim ela ainda se pergunta se eles estão sendo controlados como fantoches.

Pizza – a única sem o nome de um animal – é uma música alto astral, que tem o intuito de “por pra cima”, assim como o título que deixa qualquer um animado. É a faixa mais curta do Unlikely e ainda faz uma brincadeira com o fato da banda cantar em inglês, inserindo uma palavra em português “praia”, que segundo a banda, é a palavra favorita deles. Armadillo é a música que tem as melhores guitarras do Unlikely, e fala sobre a importância de seguir em frente – não querendo reparar o passado – mas deixa-lo lá como forma de aprendizado, Emmily declama esse aprendizado, o sair da escuridão como um tatu (Armadillo).

Rhino é talvez a música mais criativa do Unlikely. Ela fala de bloqueio criativo e ao perceber que está escrevendo sobre bloqueio, nota que ele não existe mais. É uma espécie de metalinguagem, ao mesmo tempo em que a compositora usa tudo ao seu redor. Slug é minha última faixa favorita do disco (e coincidentemente tenho uma no início, no meio e no fim). O início lento de certa forma é uma ironia, e o ímpeto seguinte também. Fala sobre não conseguir parar o tempo, os eventos da vida, sejam eles bons ou ruins. A lesma do título (seria esse o desejo dela?), pode demorar pra chegar ao objetivo, mas alegria vem ao amanhecer (uma clara referência bíblica).

Coruja finaliza o Unlikely de uma forma ótima, e tem uma cara de encerramento. Última música a ser composta ainda em Ashland, é uma clara referência ao animal do título. É uma música de autoconhecimento e narra alguém que sabe quem é, voa alto, e vê a vida por outros ângulos. A bateria brilha e capta o som da caixa de maneira perfeita graças ao microfone no pinto (sim, no pinto) do baterista, como afirmado numa entrevista da banda (uma técnica inusitada de Silvya Massy). O narrador (a) é assim por transcender, e deseja alguém igual a ele — como não encontra — segue sozinho por novos caminhos.

Unlikely mostra uma fase madura, mais distante do Brasil, mais dançante e mais incrível do Far From Alaska e não vejo a hora de ir ao show dos caras (e GAROTAS), para conferir todas as músicas ao vivo.


Tracklist:

1 — “Cobra”
2 — “Bear”
3 — “Flamingo”
4 — “Pig”
5 — “Elephant”
6 — “Monkey”
7 — “Pelican”
8 — “Pizza”
9 — “Armadillo”
10 — “Rhino”
11 — “Slug”
12 — “Coruja”


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