AODISSEIA
Especial

Um futuro de representatividade para a Marvel

Tudo porque ela importa e muito...

12 de março de 2018 - 16:23 - Flávio Pizzol

Mulher-Maravilha e, principalmente, Pantera Negra conquistaram o público e a crítica, quebraram recordes de bilheteria e comprovaram que a representatividade não só importa como também pode ser valiosa para os estúdios. A Marvel está entendendo a mensagem com perfeição enquanto enche os bolsos com sua aventura política sobre Wakanda e certamente não vai deixar que essa seja apenas uma vitória pontual. Segundo Kevin Feige, a representatividade e a diversidade são partes decisivas dos próximos projetos de um Universo Cinematográfico que deve explorar um mundo totalmente novo após Vingadores: Guerra Infinita e sua continuação sem nome.

Em suas próprias palavras:

“Teremos novos locais, novas países que contam com uma significância cultural própria. Continuaremos a contar histórias que representam o mundo como ele é, que representam pessoas que não se viam representadas dessa maneira no passado. Queremos continuar a fazer isso”.

E, pra melhorar, o movimento também deve ocupar muito espaço nos bastidores das produções:

“Contratamos algumas pessoas em diferentes posições, especialmente por trás da câmera, mas não estamos prontos para anunciar ainda. Como Pantera Negra declarou em voz alta, [representação] só pode ajudar, pode contar histórias únicas, pode ajudar a fazer coisas de uma maneira nova e de uma maneira animadora. Se fizer isso, o público vai notar e apoiar”.

De fato, o filme da Capitã Marvel já está sendo gravado sob o comando de uma mulher – Anna Boden, ao lado do seu colaborador frequente Ryan Fleck (Se Enlouquecer, Não Se Apaixone) – e roteirizado por outras seis mãos femininas que tem roubado os holofotes da indústria – Geneva Robertson-Dworet (Tomb Raider: A Origem), Nicole Perlman (Guardiões da Galáxia) e Meg LeFauve (Divertida Mente). A Sony, usando um personagem da Marvel, também deve entrar nessa roda com o lançamento da animação do Homem-Aranha que substitui o renomado Peter Parker pelo adolescente negro Miles Morales.

Pensando nesse movimento que merece ter vida longa, nós decidimos reunir outros personagens diversificados e representativos que podem ser trabalhados no cinema nas próximas fases do nosso tão querido Universo Cinematográfico da Marvel:

  • Viúva Negra

Os boatos em torno da produção desse filme estão tão grandes que nós não poderíamos começar por outra personagem. A Viúva Negra já deixou sua marca em diversas produções do estúdio desde Homem de Ferro 2 e pode ser considerada um membro original dos Vingadores da telona, mas nunca foi realmente a protagonista de sua própria história ou teve seu passado bastante rico explorado sem nenhum medo. Para nossa alegria e merecimento de Scarlett Johansson, nos últimos meses, as boas línguas confirmaram que a Marvel pediu para a mesma Nicole Perlman desenvolver um roteiro inicial ao lado de Jac Schaeffer (Olaf em uma Nova Aventura Congelante de Frozen).

Isso não significa que o longa vai mesmo sair do papel, mas nós garantimos que o resultado tem potencial para ser, no mínimo, superior ao mediano Operação Red Sparrow

  • Shuri

Interpretada pela ótima Letitia Wright (Black Mirror), a irmã mais nova do Pantera Negra roubou os holofotes no filme de origem do herói, deve fazer o mesmo quando se encontrar com Tony Stark nos próximos Vingadores e está merecendo ainda mais espaço no universo da Marvel. É claro que ela vai receber muito material na extremamente provável continuação das aventuras em Wakanda, mas nós fomos além e decidimos nos entregar a uma teoria que fãs que mexeu com a internet nas últimas semanas: e se Shuri fosse a responsável por assumir o manto do Homem de Ferro no futuro?

Atualmente, a armadura dos quadrinhos também é utilizada por uma jovem negra, mas a utilização de uma personagem que já caiu no gosto dos fãs evitaria as reclamações de substituição forçada (argumento nº 1 dos fãs conservadores) que acompanhariam a apresentação tardia e um tanto brusca de Riri Williams. Além disso, Shuri compartilha o mesmo tipo de humor que Tony, possui inteligência e acesso tecnológico de sobra e comprovou ter muito mais presença de cena que o Máquina de Combate para protagonizar um filme desse porte.

Essa é a combinação perfeita de elementos necessários para uma produção de sucesso, mas, acima de tudo, ainda poderia resultar em uma parceria incrível entre Homem de Ferro e Pantera.

  • Sam Wilson

O mundo inteiro já sabe que o provável substituto de Steve Rogers no cinema será o Soldado Invernal (ou, pelo menos, é isso que todas as pistas deixadas até aqui indicam), no entanto isso não nos impede de imaginar como seria ver Sam Wilson – o Falcão – assumindo o manto como acontece nos quadrinhos mais recentes. Os dois personagens surgiram no mesmo filme, construindo relações similares com o Capitão América, comprovaram seu valor no campo de batalha e conquistaram um número muito parecido de fãs, logo poderiam conduzir boas histórias no futuro do universo cinematográfico.

Eu admito, e repito mais uma vez ,que Bucky Barnes (Sebastian Stan) recebeu mais protagonismo quando apareceu e está muito na frente nessa corrida pelo lugar do Capitão, mas existe uma coisa que me faz torcer pelo contrário: enquanto a utilização do Soldado Invernal repetiria vários aspectos da história do Capitão, incluindo o homem dividido entre dois tempos, a entrada do Falcão (Anthony Mackie) poderia abrir espaço para o roteiro trabalhar, assim como na HQ, temáticas que envolvam a relação dos negros com a polícia ou os movimentos sociais que ganharam força nos últimos anos.

Seria uma bela continuação para a trilha política que Pantera Negra começou a abrir, não é?

  • Kamala Khan

Sim, eu tenho plena noção que defender a aparição dessa personagem antes mesmo da chegada da Capitã Marvel aos cinemas é um pouco absurdo. No entanto, eu também tenho plena noção que a novíssima Ms. Marvel se tornou uma das melhores coisas que a Marvel criou nos últimos anos, conquistou um fandom de respeito e merece roubar as telonas em um futuro não muito distante.

A verdade é que, dentro da proposta estabelecida por Kevin Feige, não existe representação de diversidade melhor do que Kamala Khan, considerando que estamos falando de uma adolescente paquistanesa e muçulmana que precisa se dividir entre heroína em treinamento e uma garota simples que luta contra o preconceito americano. Seguindo a mesma linha que sempre me conquistou no Homem-Aranha, suas histórias poderiam resultar em uma aventura cinematográfica divertida que misturaria responsabilidade, dilemas da adolescência, religião e feminismo sem desrespeitar, sexualizar ou soar pretensiosa.

E, para aqueles que acham que ela não poderia ter lugar em um universo compartilhado, eu relembro que a Marvel já fez tantas adaptações para encaixar personagens nas suas histórias que não custaria fazer outra. Imagina uma continuação da Capitã Marvel explorando a relação de mentor e aprendiz que poderia ser formada entre as duas…

  • Versão feminina do Thor

A gente sabe que, nos quadrinhos, o martelo do Deus do Trovão tem sido empunhado por Jane Foster. Isso nunca vai acontecer no cinema depois da recepção no mínimo contestável de Natalie Portman no papel, mas ela não a única personagem feminina com presença de cena e força para assumir o lugar do poderoso Thor. Na verdade, a Marvel nem precisaria pensar muito ou criar qualquer personagem inédita quando possui Lady Sif em suas mãos.

A guerreira asgardiana foi cortada de Thor: Ragnarok porque, segundo o estúdio, a agenda de Jaimie Alexander (Blindspot) não oferecia nenhum espaço para que ela gravasse sua minúscula participação. Se isso for verdade e a relação da atriz com a Marvel ainda estiver em boas condições, a personagem poderia aparecer outra vez e assumir o Mjolnir, caso o herói oficial precise realizar algum sacrifício em algum dos dois Guerra Infinita.

Seria necessário arrumar alguma desculpa para o sumiço repentino de Sif, mas não existe nada que uma missão para um planeta distante não possa resolver quando o que está em jogo é a representatividade feminina e, quem sabe, a possibilidade de uma grande história de empoderamento ao lado da Valquíria.

  • X-Men

Mesmo que a confirmação do governo americano ainda seja necessária, as relações comerciais entre Fox e Disney abrem espaço para que Kevin Feige também utilize os mutantes como peça-chave de histórias recheadas de diversidade e representatividade. Afinal, mais do que qualquer coisa, precisamos lembrar que a criação dos X-Men possui ligações inquebráveis com os temas em questão e oferece uma gama de opções infinitas para os roteiristas e diretores da Marvel.

São diversas personalidades distintas, cores diferentes e personagens femininas fortes que poderiam chegar às telonas com a força de um furacão. Só pensando nos heróis mais conhecidos e poderosos, podemos citar de forma direta os nomes de Kitty Pride, Vampira, Tempestade ou até mesmo Bobby Drake, o Homem de Gelo. Inclusive, a utilização contundente do personagem nos cinemas permitiria que a Marvel realmente incluísse um personagem homossexual sem deixar que essa característica seja citado em apenas um diálogo, fique em segundo plano ou dependa do ator avisar sobre isso na internet.

Além disso, caso o estúdio queira ir mais além para fazer a alegria dos fãs, sempre existe a possibilidade dos próximos filmes aproveitarem o sucesso de Logan para construir uma grande personagem feminina em torno da X-23. Seria incrível, não?