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Especial

TOP 18: Os Filmes do MCU

Qual o melhor filme da Marvel? E o pior?

25 de abril de 2018 - 14:07 - Flávio Pizzol

Pra encarrar nossa série de posts sobre a Marvel antes desse grande evento chamado Vingadores – Guerra Infinita (o próximo texto já será a crítica), vamos organizar todos os dezoito filmes lançados do pior até o melhor. A brincadeira, apesar de levemente polêmica, é simples e o único aviso necessário é que essa lista é totalmente pessoal. Antes de me xingar por discordar de qualquer posição, você pode refletir sobre a vida, o universo e tudo mais, e apenas dizer nos comentários a sua própria lista.

Além disso, eu vou tentar falar de maneira relativamente sucinta sobre cada produção para que a postagem não fique imensa. Afinal de contas, mesmo com algumas mudanças de opinião, a maioria dos filmes (não todos…) possuem críticas mais completas no site ou separado em uma lista no meu perfil do Letterboxd. É só conferir lá!

Sem enrolação ou medo, vamos a classificação dos cavalinhos da Marvel:

 

18º – Thor (2011)

Direção: Kenneth Branagh (Assassinato no Expresso do Oriente)

Roteiro: Ashley Miller (X-Men: Primeira Classe), Zack Stentz (The Flash) e Don Payne (Os Simpsons)

O primeiro filme-solo do Deus do Trovão não é um desperdício total (nenhum filme da Marvel se encaixa nessa categoria), mas é sim uma produção desconjuntada e arrastada que sofre um bocado para apresentar Asgard e seus personagens de maneira decente. O elenco de coadjuvantes humanos não funciona, as cenas na Terra ficam entaladas na garganta, a ação não consegue empolgar nem um pouquinho e, mesmo sendo uma característica importante dos quadrinhos, o espírito shakespeariano parece fora de contexto quando o assunto é super-herói. Pra nossa sorte, o longa – que funciona como uma diversão razoável naquele domingo chuvoso – deixou uma herança realmente poderosa e inesquecível para o público: o Loki interpretado por Tom Hiddleston.

Nota: 3/5

 

17º – Vingadores: Era de Ultron (2015)

Direção: Joss Whedon (Muito Barulho por Nada)

Roteiro: Joss Whedon (O Segredo da Cabana)

Eu dei nota máxima para era de Ultron na época do lançamento, mas me arrependi pouco tempo depois e fiquei esperando até agora pra me redimir. O longa tem boas cenas de ação, desenvolve os personagens com agilidade e funciona como transição em um universo, porém fica inchado e arrastado graças às subtramas desnecessárias e a duração excessiva, subaproveita personagens (sim, Mercúrio, eu estou falando de você) em prol de uma mera demonstração de heroísmo e apoia boa parte da trama em um Ultron sem nenhuma motivação válida. Não é um pesadelo e os diálogos de Joss Whedon chegam a ajudar bastante no quesito diversão, mas isso não muda o fato dele ser um desperdício de tempo quase completo.

Nota: 3,5/5

 

16º – Thor: O Mundo Sombrio (2013)

Direção: Alan Taylor (Game of Thrones)

Roteiro: Christopher Yost (X-Men: Evolution), Christopher Markus e Stephen McFeely (dupla de Guerra Infinita)

Melhor que seu antecessor, O Mundo Sombrio ganha pontos por criar uma Asgard mais palpável, aprimorar os relacionamentos entre personagens e entregar-se a um tom mais cômico. Por outro lado, é um longa covarde e levemente arrastado que possui o vilão mais fraco do MCU (confira a outra lista) e um segundo ato quase insuportável. Parecia ser melhor quando eu vi no cinema, há cinco anos atrás, graças ao timing cômico de Chris Hemsworth e ao nosso bom e velho Loki. Mas essa culpa pode – e deve – ficar só no ombro deles mesmo, porque muito pouco se salva eternamente aqui.

Nota: 3,5/5

 

15º – Homem de Ferro 2 (2010)

Direção: Jon Favreau (Mogli – O Menino Lobo)

Roteiro: Justin Theroux (Trovão Tropical)

É difícil encontrar fatores que possam destruir um filme do Homem de Ferro, mas a fotografia tremendamente escura, as cenas de ação confusas, as dezenas de subtramas desnecessárias e as típicas coincidências que surgem do nada para resolver pepinos narrativos chegam muito perto de fazer isso nesse protótipo de continuação. O arco do protagonista é razoavelmente bem organizado, a introdução da Viúva Negra resulta em bons momentos de pancadaria, Favreau cumpre seu trabalho mesmo sem apresentar a inspiração do longa anterior e Robert Downey reúne todo o carisma necessário para salvar parte da produção. Consegue divertir, mas o tempo deixou claro que isso não o suficiente para o personagem mais importante da Casa das Ideias.

Nota: 3,5/5

 

14º – O Incrível Hulk (2008)

Direção: Louis Leterrier (Truque de Mestre)

Roteiro: Zak Penn (Jogador Nº 1)

Primeira escolha contestável dessa lista, a segunda tentativa de fazer um filme do Gigante Esmeralda não é o desastre que muita gente espalha por aí. Tem seus probleminhas de ritmo, umas resoluções de última hora (o que é aquela palma que apaga o fogo, senhor?) e vários efeitos que não envelheceram bem no terceiro ato, porém possui uma direção funcional que flerta até com o terror de maneira decente e um texto que passa por diversos gêneros sem perder totalmente o caráter sério ou o fator diversão. Edward Norton não parece estar à vontade nessa peça que nunca encontra a profundidade que o Hulk merece, mas diverte e acaba sendo decisivo para o futuro do personagem ao criar aquela ideia de “ficar sempre com raiva”.

Nota: 4/5

 

13º – Thor: Ragnarok (2017)

Direção: Taika Waititi (A Incrível Aventura de Rick Baker)

Roteiro: Eric Pearson (Agent Carter), Craig Kyle (Planeta Hulk) e Christopher Yost (Logan)

É provável que a trilogia estrelada Deus do Trovão seja o maior erro que a Marvel já cometeu e a maior prova está no fato de todos os filmes estarem na metade de baixo dessa lista. Ragnarok é muito superior aos seus antecessores e acerta em cheio ao se entregar a comédia de uma vez por todas com Taika Waititi deixando sua marca estética em todos os cantos, mas as boas cenas de ação, as toneladas de diálogos improvisados e o visual impecável não são o suficiente para salvar Thor que um longa que não consegue conectar personagens e público de maneira plena. É gostoso de ver, diferente e gigantescamente divertido, mas ainda deixa aquela sensação de que faltou algum ingrediente na receita.

Nota: 4/5

 

12º – Capitão América: O Primeiro Vingador (2011)

Direção: Joe Johnston (Jumanji e Mar de Fogo)

Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely (Sem Dor, Sem Ganho)

Não é perfeito, mas é um filme de origem que chega perto desse status ao assumir sua simplicidade. O roteiro acerta na divisão do tom entre ação, guerra e tiradas cômicas perfeitas, o desenvolvimento do protagonista é exemplar, a inspiração nos quadrinhos deixam qualquer fã em estado de graça e as relações entre os personagens também adicionam vários temperos positivos ao produto final. Junte isso com um elenco escolhido a dedo  uma direção que sabe entregar exatamente o que o filme precisa e um final deliciosamente doloroso. O ritmo e o vilão ficam presos numa região questionável, mas isso não impede que tenhamos um ótimo ponto de partida para aquele que teria o melhor arco entre os personagens da Marvel.

Nota: 4,5/5

 

11º – Homem de Ferro 3 (2013)

Direção: Shane Black (Dois Caras Legais)

Roteiro: Drew Pearce (Missão: Impossível – Nação Secreta) e Shane Black (Máquina Mortífera)

Homem de Ferro 3 dividiu opiniões e acabou crucificado por causa das suas escolhas relacionadas ao Mandarim, porém eu não poupo esforços para defendê-lo. O longa realmente escorrega no uso inconstante da narração, nas reviravoltas simplórias e naquele terceiro ato que soa mais forçado do que deveria, mas, por outro lado, consegue entregar uma história menos inchada que a do segundo filme, acerta ao usar o isolamento para desenvolver os aspectos emocionais do protagonista, constrói boas relações do mesmo com seus coadjuvantes (inclusive a criança) e mistura drama, comédia e os trechos sem armadura com perfeição. O Mandarim funciona como artifício narrativo (ignorem os quadrinhos), o longa diverte sem dificuldades e funciona como conclusão parcial do arco de Tony Stark.

Nota: 4,5/5

 

10º – Homem-Formiga (2015)

Direção: Peyton Reed (Sim Senhor)

Roteiro: Edgar Wright (Em Ritmo de Fuga), Joe Cornish (As Aventuras de Tintim), Adam McKay (A Grande Aposta) e Paul Rudd (Faça o Que eu Digo, Não Faça o Que eu Faço)

Homem-Formiga só não é um filme perfeito porque demora mais do que deveria pra terminar e insiste em mais um vilão fraco. De resto, o tom é incrível acertado, a trama aproveita o plano de fundo paterno para criar um protagonista crível, Paul Rudd manda bem demais, os coadjuvantes (todos) são extremamente carismáticos, as cenas de ação são inventivas, a mistura com um subgênero inesperado refresca o universo, e as piadas e referências se encaixam como uma luva. Sei que Edgar Wright poderia fazer maravilhas com o personagem, porém o DNA dele continua ali, ajudando na construção de uma origem de herói/filme de assalto insanamente divertida.

Nota: 4,5/5

 

9º – Doutor Estranho (2016)

Direção: Scott Derrickson (O Exorcismo de Emily Rose)

Roteiro: Jon Spaihts (Prometheus), Scott Derrickson (A Entidade) e C. Robert Cargill (A Entidade 2)

Um vilão mediano problema recorrente nos filmes da Marvel) e uma ou duas piadas fora do lugar não podem derrubar a nota de um filme de origem que apresenta um universo completamente novo sem exagerar no didatismo, possui diversas cenas diferentes de tudo que tinha sido feito anteriormente nos filmes de herói, inova ao criar um clímax sem ação e escala o elenco com uma precisão que chega a dar nojo. Sei que não pode ser considerado o melhor da Marvel, porém não tem nenhum erro muito grotesco e me agrada muito. Além disso, repito, sem titubear, uma coisa que disse lá em 2016: se a fórmula Marvel é um preço que eu preciso pagar para ver algo assim no cinema, pode colocar duas rodadas na conta…

Nota: 5/5

 

8º – Capitão América: Guerra Civil (2016)

Direção: Anthony e Joe Russo (Community)

Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely (Guerra Infinita)

Mais um filme da Marvel que, se não é perfeito, chega muito perto de tal feito. O vilão é unidimensional (apesar de cumprir a seu papel de fagulha) e o final coloca panos quentes onde não era necessário, porém o roteiro é ágil e amarradinho, a trama evolui progressivamente até chegar em seu ápice, as relações entre os personagens são magníficas tanto na hora das piadas “internas” quanto nos diálogos mais sérios e ideológico entre Tony e Steve, a direção dos Irmãos Russo mantém o pé no chão de Soldado Invernal enquanto se adapta de acordo com as necessidades do longa e a química do elenco funciona como a cereja do bolo. Isso sem contar a existência de pelo menos dois momentos icônicos e inesquecíveis: aquele plano lateral que homenageia os quadrinhos no final da batalha entre Capitão e Tony; e os 25 minutos de puro êxtase que constroem a sequência do aeroporto.

PS: Os quadrinhos precisaram ser adaptados para a realidade do Universo e isso não é nenhum problema. Mídias diferentes, produtos diferentes…

Nota: 5/5

 

7º – Pantera Negra (2018)

Direção: Ryan Coogler (Creed: Nascido para Lutar)

Roteiro: Ryan Coogler (Fruitvale Station: A Última Parada) e Joe Robert Cole (American Crime Story)

Pantera Negra é certamente o filme mais politizado e importante que a Marvel já fez e provavelmente estaria mais na frente nessa lista, se não tivesse estreado no começo do ano. Eu acredito que o filme ainda precise maturar e passar pelo teste no tempo, porém não posso ignorar os méritos (quem sou eu pra fazer isso?) de um filme bem dirigido, divertido, bonito – o figurino e a direção de arte são impecáveis -, emocionante e cheio de personagens incrivelmente bem escritos. O terceiro ato exagera no CGI, mas ver Ryan Coogler usar a fórmula Marvel como caminho para fazer um filme sobre representatividade que nunca perde o espírito heroico é simplesmente espetacular.

Nota: 5/5

 

6º – Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017)

Direção: Jon Watts (A Viatura)

Roteiro: Jonathan Goldstein (Férias Frustradas), John Francis Daley (Tá Chovendo Hambúrguer 2), Jon Watts (Clown), Christopher Ford (A Viatura), Chris McKenna (Jumanji: Bem-Vindo à Selva) e Erik Sommers (Homem-Formiga e a Vespa)

Não é o melhor filme da Marvel, mas é certamente meu favorito. É aquela produção que está no coração e pode ser revisitada infinitas vezes graças ao humor certeiro e à construção acertada – e praticamente inédita – de ambos os lado do herói: Peter Parker e Homem-Aranha. O nerd adolescente e tímido contraposto ao herói que precisa se provar, os relacionamentos de escola, a reviravolta que tira o fôlego, o vilão incrivelmente bem desenvolvido e um Tom Holland brilhante. Tudo está ali e, com exceção do CGI no clímax, se encaixa perfeitamente levar os fãs para as paginas dos quadradinhos que formaram tantos jovens por aí. É o Amigão da Vizinhança sendo um herói de verdade e inspirando pessoas no filme que eu cresci esperando pra ver.

Nota: 5/5

 

5º – Guardiões da Galáxia Vol. 2 (2017)

Direção: James Gunn (Para Maiores)

Roteiro: James Gunn (Super)

O segundo volume da ópera espacial de James Gunn não tão balanceado quanto seu antecessor, mas consegue injetar ainda mais diversão, agilidade, cores e emoção na franquia. Os personagens evoluem de maneira gradativa, o vilão funciona o suficiente, as cenas de ação tiram o fôlego, os diálogos tem uma força inexplicável, as referências oitentistas voltam com tudo, a trilha sonora brilha mais uma vez e o terceiro ato me arranca algumas lágrimas só de lembrar. E vamos combinar que um filme que tem Sylvester Stallone e Baby Groot não poderia ficar fora de um Top 5 desses…

Nota: 5/5

 

4º – Homem de Ferro (2008)

Direção: Jon Favreau (Chef)

Roteiro: Mark Fergus (Filhos da Esperança), Hawk Ostby (The Expanse), Art Marcum (O Justiceiro: Em Zona de Guerra) e Matt Holloway (Transformers: O Último Cavaleiro)

Os primeiros passos da Marvel no cinema vieram com um filme simples e divertido que acerta em praticamente tudo que se propõe a fazer: um roteiro conciso, uma direção inventiva, um conjunto de efeitos visuais que não envelheceram, uma trilha de rock que se encaixa como poucas e um protagonista que não poderia ser mais acertado. Robert Downey Jr. é uma força da natureza que acerta na entonação de todas as frases de Tony Stark e carrega um filme que prende o espectador sem que este veja o tempo passar. Eu lembro de sentir isso no cinema e repetir a sensação em todas as vezes que revisitei essa obra impecável do MCU.

Nota: 5/5

 

3º – Os Vingadores (2012)

Direção: Joss Whedon (Agents of S.H.I.E.L.D.)

Roteiro: Joss Whedon (Buffy: A Caça-Vampiros)

Se Homem de Ferro começou tudo com o pé direito, Os Vingadores foi o longa responsável por mostrar qual era o objetivo da Marvel, sedimentar tudo e ainda criar a tal fórmula que iria acompanhar todas a produções futuras. Tudo isso em meio a um roteiro brilhante (o jeito como Whedon desenvolve personagens e resolve tudo com diálogos é ágil e impressionante), uma direção inventiva (aquele momento em que a câmera gira em volta dos heróis vive nos seus sonhos) e um elenco que eala uma química necessária para um filme como esse. Uma obra inovadora e divertida que marcou a história do cinema!

Nota: 5/5

 

2º – Guardiões da Galáxia (2014)

Direção: James Gunn (Seres Rastejantes)

Roteiro: James Gunn (O Experimento Belko)

Todo mundo sabia que os Guardiões da Galáxia era uma aposta arriscada da Marvel, mas o mundo não estava preparado para encontrar uma produção tão criativa e surpreendente como essa. James Gunn pegou o mundo desprevenido com um grupo de personagens fora da caixinha, um humor completamente bizarro, uma mistura de gêneros que beira a subversão, uma direção tão inventiva quanto a de Whedon e um elenco recheado de carisma. Gunn usou a fórmula a seu favor para criar o longa mais divertido do estúdio, deixou seu nome na história dos blockbusters e incluiu os Guardiões na cultura pop de uma vez por todas. Não poderia estar em outra posição…

Nota: 5/5

 

1º – Capitão América 2: O Soldado Invernal (2014)

Direção: Anthony e Joe Russo (Arrested Development)

Roteiro: Christopher Markus e Stephen McFeely (Guerra Infinita – de novo, porque sim…)

Um roteiro redondo e ágil que apresenta e desenvolve tramas/relacionamentos sem fazer esforço, sempre usando ao máximo os diálogos, a ordenação das sequências e a mise-en-scène. Uma direção surpreendentemente realista que se encaixa com a proposta, aprimora as lutas corpo-a-corpo, captura o senso de dúvida que percorre uma narrativa de espionagem e injeta ação de qualidade indiscutível. Um elenco cheio de química que coloca uma pitada certeira de alívio cômico (é incrível como TODAS as piadas funcionam), aproveitando os arcos dos personagens já conhecidos para levá-los para lugares distintos da narrativa. Uma receita que não erra na inclusão de nenhum ingrediente e entrega um filme de suspense político com muita ação, comédia e momentos mirabolantes que só um filme de herói poderia ter. Certamente o melhor filme da Marvel até Guerra Infinita.

Nota: 5/5