AODISSEIA
Especial

Top 15: Momentos Inesquecíveis de Brooklyn 99

E os motivos pelos quais ela mereceu a renovação...

23 de Maio de 2018 - 12:47 - Flávio Pizzol

O último episódio da quinta temporada – que felizmente não encerrará sua história – de Brooklyn Nine-Nine foi exibido no último domingo e eu decidi transformar a minha crítica em uma espécie de homenagem essa série que tanto alegrou minhas tardes nos últimos anos. É claro que poderíamos gastar alguns parágrafos falando sobre a atuação brilhante de Andy Samberg (Saturday Night Live), a química do elenco, as referências à cultura pop, as piadas absurdas, a amizade entre Jake e Boyle, a romance muito bem construído de Peralta e Santiago e tantas outras coisas que fizeram meu sorriso abrir e meu coração bater mais forte.

Também poderia ressaltar que o único pecado da série era não assumir riscos que pudessem levar a algum tipo de renovação as tramas, mas eu estaria repetindo o mesmo discurso das temporadas anteriores, forçando a barra e abortando a existência de um post especial. Um texto que conseguisse separar ideias e momentos (alguns específicos, outros mais genéricos) inesquecíveis, relembrar pontos positivos da própria quinta temporada sem cair na repetição e honrar a memória dessa incrível, inesperada e apaixonante obra criada por Dan Goor e Michael Schur (The Good Place).


OBS: Eu comecei a escrever esse texto antes da renovação/salvação da série ser confirmada, porém decidi mantê-lo no lugar da crítica pra brincar com um formato diferente.


As melhores aberturas de episódio da história

Usando piadas que raramente possuíam alguma ligação com o restante do episódio, Brooklyn Nine-Nine (que a partir de agora eu vou chamar apenas de B99) sempre entregou as melhores cold opens da televisão americana. Desde o primeiro episódio, esse espaço foi reservado para cenas completamente aleatórias onde um personagem – Jake, na maioria das vezes – fazia alguma estupidez ou preparava uma pegadinha com o resto do esquadrão pelo simples motivo de arrancar risadas do público e de si mesmos.  O vídeo acima deixa mais do que claro o quão incrível o resultado poderia ser, mas caso você ainda duvide pode ver uma seleção de cold opens feitas pela própria equipe aqui, aqui e aqui.

A seriedade também tem seu lugar

Apesar de ser uma série de comédia clássica, B99 sempre arrumou algum espaço para falar sobre assuntos sérios. Preconceito, sexualidade, paternidade, corrupção na polícia se tornaram assuntos frequentes, mas, por agora, eu gostaria de destacar dois episódios específicos: o 16º da quarta temporada e o 20º da quinta. O primeiro destes mostra Terry (Terry Crews) semre abordado ela polícia por ser negro e coloca nas mãos de Amy e Jake a dura missão de explicar para as filhas do sagento o que aconteceu com seu pai; enquanto o segundo usa o ataque de um atirador a um prédio – algo extremamente atual – como pontapé para mudar o ponto de vista da história e discutir o medo que os próprios policiais sentem em momentos como esse. Dois episódios espetaculares que não esquecem de serem tão divertidos como qualquer outro.

Uma metralhadora de referências duras de matar

A quantidade de referências e easter eggs  presentes em B99 é extremamente variável e incontável, logo eu vou falar especificamente sobre Duro de Matar. É claro que o gênero policial é uma influência óbvia na série, fornecendo material para boa parte das paródias criadas no decorrer das temporadas, mas a franquia estrelada por Bruce Willis possui um lugar especial no cânone graças ao fanatismo do protagonista pelos longas em questão. Ele virou policial por causa de John McClane, então a série não perde uma oportunidade sequer de colocá-lo em situações similares do seu herói, usar um dos bordões da franquia (inclusive como título de episódio), criar uma sequência dentro do prédio onde o original foi gravado e até mesmo convocar a participação do ator Reginald VelJohnson como homenagem final.

Uma pitadinha de putaria na relação

Assim como acontece em toda sitcom de longa duração, B99 também tem suas piadas clássicas. Aquelas que, em outras palavras, são repetidas com frequência e acabam ganhando ainda mais graça com o passar do tempo. No caso de B99, esses momentos surgem a cada vez que Jake usa a fala de outro personagem (geralmente Amy) para nomear a sua sex tape. Se você não entendeu o espírito da coisa, assista o compilado porque é impossível descrever essas piadas com palavras…

A arte de fazer piadas sem fazê-las de verdade

Eu não poderia comentar sobre uma série ambientada numa delegacia sem falar de do homem no comando: Capitão Holt. Aquela pessoa que, mesmo sem ser protagonista, direciona o navio para o caminho certo com sabedoria, experiência e uma boa dose de piadas executadas com total seriedade. E não existe ninguém melhor do que Andre Braugher (O Nevoeiro) para arrancar risadas sem, na maioria das vezes, esboçar um mísero sorriso que entregue o humor do personagem. Sua seriedade combina perfeitamente com o personagem e isso só o torna mais carismático e engraçado.

De volta para o passado

O próprio Capitão Holt também serve como uma ótimo gancho para falarmos de outra característica de B99 que, com o tempo, foi se tornando uma daquelas piadas repetidas à exaustão: os flashbacks. Os roteiristas da série costumam inserir cenas curtíssimas dos personagens no passado para justificar uma decisão ou criar uma piada inesperada, seguindo à risca a cartilha de mostrar mais do que falar sem esquecer do tom da série. Meus flashbacks favoritos estão divididos entre Terry e Holt, porém o segundo assume a dianteira quando suas cenas são usadas para apresentar, com bom humor, a dura vida de um policial negro e gay em começo de carreira.

Representatividade importa!

E, se estamos falando dos sofrimentos de um personagem negro e gay nos anos 80, não podemos deixar de gritar que B99 se importa – e muito – com essa coisinha que nós costumamos chamar de representatividade. É um show marcado por negros em posição de poder, personagens femininas (regulares e participações especiais) que estão, no mínimo, em pé de igualdade com seus colegas homens e um arco completo que mostra uma policial – a maravilhosa da Rosa Diaz (Stephanie Beatriz) – redescobrindo sua sexualidade e se assumindo como bissexual sem medo da repercussão. Palmas para B99, por favor!

É bromance que chama, né?

Outra característica típica das sitcons americanas que marca presença (com folga) é aquele bromance extremamente absurdo e hilário que só pode existir entre amigos de longa data. Muito bem escrita e representada por Andy Samberg e Joe Lo Truglio (Wet Hot American Summer: First Day of Camp), a amizade entre Jake e Boyle é crível, preenchida por doses cavalares de química e sempre gera algumas das melhores piadas dos episódios. É um concentrado de ciúmes, apelidos estranhos, diálogos bizarros e cumprimentos exclusivos que não pode ser ignorado.

Hora do susto!!!

Outra tradição de B99 que merece ser exaltada é a comemoração do Dia das Bruxas. Todo ano, nossos detetives favoritos tiram suas fantasias mais absurdas do armário e dedicam um dia de trabalho a um jogo absurdo (e cheio de reviravoltas) onde algum objeto precisa ser roubado dentro da própria delegacia. São momentos de pura bizarrice e diversão que atingiram seu ápice quando a quinta temporada subverteu a competição em um lindo pedido de casamento.

É tiro, porrada e bomba!

B99 é um série de comédia, no entanto, mesmo com o orçamento relativamente curto, sabe fazer boas cenas de ação quando precisa. Não é nada elaborado ou extremamente cinematográfico, mas a criatividade permite que essas sequências sempre funcionam como um clímax divertido e um tiquinho tenso (quando necessário) para os melhores episódios.

Luz, câmera e ladrão…

E, se estamos falando de uma série policial, também precisamos falar sobre os bandidos que servem de antagonistas para a delegacia dos nossos heróis. Lógico que muitos ladrões, assassinos, larápios e diversos tipos de criminosos já se destacaram nessas cinco temporadas e mereciam estar aqui, mas o Bandido do Pontiac foi o único que se tornou “amigo” dos protagonistas (quase um Loki) e ganhou participações recorrentes. Craig Robinson (É o Fim) é um gênio que criou momentos icônicos, cantou um bocado e fez por merecer esse destaque.

E o Oscar de melhores coadjuvantes vai para…

Hitchcock e Scully. Esse é o nome dessa dupla de policiais que aparece da maneira pontual possível e sempre acaba roubando todos os holofotes para si com a comilança, as falas completamente aleatórias, decisões idiotas, quartos secretos escondidos pela delegacia e algumas tiradas inteligentes que entraram pra história do programa. Vou dizer que, mesmo com tantas participações especiais que foram ou serão citadas nesse post, ninguém consegue superar esses dois mestres da investigação e do humor físico interpretados com propriedade pelos incríveis Dirk Blocker (Poltergeist: O Fenômeno) e Joel McKinnon Miller (Super 8).

O único emprego do pai do Chris

Depois de sofrer nas mãos de Rochelle, Terry Crews (Todo Mundo Odeia o Chris) finalmente conseguiu manter um emprego fixo como o Sargento Jeffords. No entanto, ele precisou batalhar muito para conseguir se destacar em meio a tantos atores/personagens incríveis, evoluir para um detetive de alta patente e brilhar de uma vez por todas em B99. E, criando quase que uma piada em relação ao seu papel mais famoso, a série retratou essa persistência do personagem através de uma linda pesquisa de seus empregos antigos que pode ser conferida no vídeo acima. Dito isso, podemos assumir que Terry Crews merece uma salva de palmas!

O casal mais fofo que a polícia já viu…

Sabe essas regras de não namorar um companheiro de trabalho? B99 decidiu ignorar completamente isso para criar aquele típico casal que sitcom precisa e merece ter. A relação entre Jake e Amy (Melissa Fumero) começa como um companheirismo simples e evolui de maneira tão natural para uma pegação escondida que logo vira o romance mais divertido e bonitinho que uma comédia apresentou nos últimos anos. E, depois de um pedido de casamento incrível no episódio de Halloween, não existiria maneira melhor de encerrar a série do que no casamento – maravilhoso e insanamente divertido, por sinal – dos pombinhos.

OBS: Como vocês já sabem, o encerramento não vai mais acontecer e nós teremos a chance de ver esses dois lindos como um casal de verdade em outro canal. E depois do pedido de casamento abaixo, isso é totalmente justo…

Melhor elenco da história!!

B99 é aquele tipo de comédia que depende muito do seu elenco. O texto também é incrivelmente bom, mas poucos dos diálogos funcionariam se a escolha dos intérpretes de cada policial não fosse tão acertada. Todos eles (eu disse todos) são carismáticos e funcionam muito bem individualmente, porém a química entre as peças é tão forte que qualquer dupla separada pelo roteiro ganham o espectador em poucos segundos. Isso sem contar as constantes participações especiais de grandes nomes como Kyra Sedgwick (The Closer), Jason Mantzoukas (O Ditador), Dean Winters (A Noite é Delas), Eva Longoria (Desperate Housewives), Bradley Whitford (Corra!), Ken Marino (Gênios do Crime), Patton Oswalt (The Goldbergs), Dennis Haysbert (24 Horas), Tim Meadows (Son of Zorn), Fred Melamed (House of Lies), Maya Rudolph (Big Mouth), Adam Sandler (Lá Vem os Pais), Ed Helms (Se Beber, Não Case), Jenny Slate (Venom), Garret Dillahunt (12 Anos de Escravidão), Nick Offerman (Fome de Poder), Zooey Deschanel (New Girl), Nathan Fillion (Castle), Danny Trejo (Machete), Sterling K. Brown (This is Us) e Bill Hader (Barry).


Hors-Concurs: Gina sendo Gina!

Achou que eu não esse texto não ia ter um tópico sobre a Gina? Achou errado otário! Eu acabei falando sobre todos os membros do elenco em algum tópico e ela, a deusa da comédia dessa série, não poderia ficar de fora. Logo ela que brilha através de uma interpretação BRILHANTE de Chelsea Peretti (Popstar: Sem Parar, Sem Limites) e seu humor negro e pontual que surge em diversas tiradas sarcásticas geniais. Além disso, eu acho que a própria personagem gostaria de estar nessa posição de destaque…