0

Depois de muito tempo e insistência de algumas pessoas eu decidi fazer minhas próprias listas de 15 melhores qualquer coisa que der na telha. Poderia começar escrevendo sobre meus diretores favoritos ou filmes de suspense, mas eu decidi seguir a homenagem feita no dia de hoje e falar sobre os melhores longas do cinema brasileiro. É verdade que a maior parte do nosso cinema se restringe a poucos tipos, gêneros e estilos de filme, mas isso não impede que nós tenhamos obras raras que – muitas vezes – são muito melhores do que os grandes filmes americanos que lotam as nossas bilheterias todo ano.

Só para deixar bem claro, essa é uma lista pessoal e meus critérios de escolha envolvem a qualidade do filme em questão e, principalmente, sua reação ao tempo. Ou seja, filmes que continuam bons depois de décadas ou de muitas revisitações ganham muito ponto aqui. Esse é um dos motivos pelos os quais filmes recentes, como Que Horas ela Volta?, não vão marcar presença aqui. Levando isso em conta, vamos ao primeiro TOP 15 do blog:

15) Hoje eu Quero Voltar Sozinho (2014)

Esse filme, que já deu as caras por aqui nos melhores de 2014, é uma obra que usa uma história extremamente simples para tratar de assuntos que ainda podem ser polêmicos para os brasileiros, subverter um pouco a estética do nosso cinema e, principalmente, emocionar muito com a sensibilidade da autodescoberta sexual de um garoto cego.

14) Deus é Brasileiro (2003)

Os americanos tem Morgan Freeman e nós temos Antônio Fagundes no grande papel de Deus quando este se cansa e resolve sair de férias. A diferença é no longa brasileiro, dirigido por Cacá Diegues, a história foca na divertida – e um pouco insana – procura desse por um santo brasileiro para ficar no seu lugar, enquanto é guiado pelo Nordeste por ninguém menos que Wagner Moura. É uma receita simples e certeira para fazer rir e pensar sobre a situação do nosso país.

13) O Palhaço (2011)

Esse daqui é um filme simples e singelo, brilhantemente dirigido por Selton Mello, sobre um rito de passagem e como algumas decisões de uma pessoa podem mudar a vida de muitas outras. Mais do que isso, ele é um filme que consegue traduzir o cinema e a carreira do comediante através de uma mistura perfeita entre humor, melancolia e emoções genuínas.

12) O Lobo Atrás da Porta (2013)

Sou muito fã de muitos diretores brasileiros que ainda vão aparecer nessa lista, mas não titubeio na hora de afirmar que a nossa grande revelação dos últimos tempos é Fernando Coimbra e boa parte disso vem desse suspense pesado e inacreditável. Um filme tenso e extremamente bem construído, que fica marcado na memória graças ao grandes planos sequência de Coimbra, as atuações de luxo do elenco e um clímax que tira o fôlego de qualquer um.

11) Lixo Extraordinário (2010)

Quem me conhece sabe que eu não sou um grande fã de documentários e só assisto aqueles que realmente me interessam de alguma forma. Acontece que esse daqui, que fala sobre uma das grandes obras do artista plástico Vik Muniz, não era um desses, mas acabou prendendo minha atenção de maneira única com uma montagem perfeita e um conjunto de histórias realmente emocionante.

10) Tropa de Elite (2007)

Esse daqui foi um dos maiores fenômenos da história do cinema nacional e conseguiu acumular uma ótima bilheteria mesmo depois de ser distribuído em massa pelos camelôs de todos os cantos. E tudo isso é facilmente justificado por um grande roteiro, um grupo de personagens muito bons, uma ótima trilha sonora, uma direção foda que revelou todo o talento de José Padilha e muitos (muitos) bordões instantâneos. E, para mim, o filme ganha ainda mais pontos por ser um dos melhores exemplos de que podemos fazer cinema de gênero no Brasil.

9) Vidas Secas (1963)

Baseado em uma das obras literárias mais importantes da nossa história, Vidas Secas é um filme simplesmente brilhante e marcante para o país, principalmente por ser um dos principais longas do Cinema Novo. Temas importantes, uma história emocionante e muitas influências do neo-realismo italiano são apenas alguns dos motivos que fazem desse longa uma obra indispensável para a cinemateca britânica e para os brasileiros.

8) Bicho de Sete Cabeças (2000)

Temos um dos filmes mais fortes e interessantes do cinema brasileiro, principalmente por acertar em cheio na construção de todo o seu contexto dramático em cima de uma relação conturbada entre pai e filho para assim abordar temas mais complexos, como as drogas e os abusos nas instituições psiquiátricas. Além de ter a melhor atuação da carreira de Rodrigo Santoro, é um filme que envelheceu bem, já que continua sendo obrigatório, chocante e terrivelmente verdadeiro.

7) O Homem do Futuro (2011)

Está aqui mais um dos grandes exemplos de que nós podemos ter filmes de gênero, já que O Homem do Futuro é uma ótima ficção científica que mistura – de maneira certeira – o humor típico do cinema nacional, uma pitada generosa de romance e um roteiro de viagem no tempo perfeitamente construído. Pode até ser um pouco mais simples do que outros dessa lista, mas é sensacional e merece ser assistido por todo mundo.

6) Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)

Aqui talvez seja o momento decisivo onde minha vontade foi mais importante do que a qualidade total do longa, porque, nesse caso, o longa de Glauber Rocha teria conteúdo de sobra para estar no topo dessa lista. Ainda que o filme continue sendo uma obra fundamental do nosso cinema e trate de questões que continuam fazendo parte da nossa realidade, eu acho que ele não me acertou com o mesmo impacto que teve na época e, por isso, perdeu algumas posições para outros filmes que, pessoalmente, me marcaram muito mais.

5) Tropa de Elite 2 (2010)

Depois de um sucesso estrondoso de critica e bilheteria, não foi nada surpreendente ver Tropa de Elite ganhar uma continuação. A maior surpresa ficou por conta do segundo longa ser mais profundo, ter um trabalho de direção mais consciente e um grupo de personagens mais fortes e bem construídos. Um roteiro muito bem amarrado com o objetivo de escancarar a realidade brasileira sem esquecer dos bordões e da ação.

4) Central do Brasil (1998)

Dirigido por Walter Salles, esse filme me lembra muito o tão falado Que Horas Ela Volta?, já que fez o mesmo caminho e alcançou o sucesso internacional antes de estrear por aqui. Entretanto, Central do Brasil consegue ir um pouco mais longe ao contar uma história mais sentimental, tocar com mais profundidade nas suas criticas e coroar tudo com uma atuação brilhante e indicada ao Oscar de Fernanda Montenegro.

3) O Pagador de Promessas (1962)

A história de Zé Burro e seu confronto contra igreja é uma das mais conhecidas e premiadas da história do cinema brasileiro, tendo inclusive uma indicação ao Oscar e uma brilhante vitória no Festival de Cannes. Talvez só isso já fosse o bastante para dar o terceiro lugar a essa obra prima, mas ela ainda faz o favor de tratar muito bem de aspectos culturais do povo nordestino enquanto emociona e coloca o dedo na ferida das instituições de poder.

2) O Auto da Compadecida (1999)

Me desculpem, mas não tinha como uma união entre Guel Arraes (nome que mudou o formato das séries de televisão brasileiras) e Ariano Suassuna dar errado ou ficar de fora de uma lista. Praticamente um clássico da Sessão da Tarde, o Auto da Compadecida reúne de maneira brilhante tudo o que eu já citei em outros filmes: direção impecável, elenco sensacional, belíssima abordagem da cultura brasileira e criticas a vários assuntos considerados polêmicos. O resultado é certeiro, fantástico e eternamente engraçado.

1) Cidade de Deus (2002)

Considerado internacionalmente como o melhor filme brasileiro de todos os tempos, esse longa de Fernando Meirelles também vai ganhar o meu primeiro lugar por ser basicamente uma aula de como fazer cinema. Um roteiro impecavelmente construído de forma não- linear, críticas perfeitas a alguns aspectos da sociedade brasileira, uma direção de atores perfeita e alguns dos movimentos de câmera mais inusitados que eu já vi levaram o filme ao Oscar (teve quatro indicações, incluindo direção e roteiro) e ao posto de sétimo melhor filme do cinema mundial, segundo a Revista Empire. Não posso negar que ele é extremamente violento e um pouco difícil de ser assistido em alguns momentos, mas é, ao mesmo tempo, completamente marcante e inesquecível.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

Ponte dos Espiões

Previous article

Flash – Seguindo em Frente

Next article

You may also like

Comments

Leave a reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

More in Filmes