tá no ar
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Tá no Ar: A TV na TV retorna para mais uma temporada, subvertendo as expectativas e mostrando um episódio de estreia excelente.

Apesar do Tá no Ar, está “no ar” na Rede Globo, canal de maior audiência do Brasil, ele sempre foi um programa de nicho. Com o passar das temporadas, isso só ficou mais claro. Os que pensaram que a Globo iria “estragar” os humoristas que vieram da MTV, ou que ia fazer um humorístico enlatado, quebraram a cara.

O programa de Marcius MelhemMarcelo Adnet e Mauricio Farias já é o favorito de várias pessoas, em sua maioria jovens, que entendem as piadas e tiradas rápidas e referências da cultura pop. Mas isso não é o caso de todo mundo, meu pai por exemplo, minha maior referência em ser palhaço, não gosta do Tá no Ar, e antes que digam que ele tem mente fechada e é “velho”, ele também não curte o Zorra (apesar do programa estar reformulado).

Toda essa introdução se deve ao fato de que, mesmo o Tá no Ar sendo um programa apenas pra alguns, a Globo aposta alto na produção e o episódio de estreia do novo ano é um exemplo disso. Muito bem dirigido, fotografado e editado, a 5ª temporada começa com o pé na porta, com uma canção pesada de Adnet sobre os tiroteios excessivos que ocorrem próximo as escolas do Rio de Janeiro.

O clima tenso é logo quebrado pelas piadas rápidas das “trocas de canais”, que aliás, foram atualizadas para uma Smart TV com vários serviços de streaming, com uma menção ao Globo Play inclusive (aonde o primeiro episódio está disponível). A novela Paixão Sem Marcas, traz uma crítica a própria Globo, por abusar do merchandising em suas produções.

Clássicos como Jorge Bevilacqua – apresentando um novo produto contra crianças e o retorno do reality Os Karlakians, demonstrando toda a futilidade da família, são mais engraçados pelo absurdo do que propriamente pela piada. O militante continua afiadíssimo em seus comentários e o índio Obirajara, arranca risadas altas na sua participação no Encontro com Fátima Bernardes.

As novidades ficam por conta do Pirateando Carros, sátira daqueles programas americanos de reformas. A dublagem atrasada dá um toque especial ao quadro e nele que vemos pela primeira vez a estreia do novo integrante Eduardo Sterblitch, que casou perfeitamente com o restante. “Silvio Greatest Hits” retorna sempre atualizado, desta vez cantando K.O de Pabllo Vittar e uma bela homenagem ao ator Matheus Solano, amigo de longa data de Adnet, subverte a expectativa.

Dony De Nuccio (novo apresentador do Jornal Hoje), e até mesmo a Record não são poupados da zueira e não devemos esquecer que estamos em época de eleição, e os santinhos do Tá no Ar já começaram a ser distribuídos. Mas o destaque maior fica a cargo da música final. Posso afirmar que “Eu sou Bi” – paródia de ABC – cantada por Adnet e Sterblitch, é o sucessor definitivo de “Todo Mundo É Gay“, sucesso gravado ainda nos tempos de MTV.

Nos tempos em que se discute o significado do ‘B’ da sigla LGBT , e se prega a polarização e a não existência da bissexualidade, a música traz contornos até científicos, para explicar que o bissexual existe e que é normal. O certo é que o Tá no Ar voltou prometendo mais um ano daqueles, e a paródia de The Walking DeadWalking Back – diz muito sobre o retrocesso brasileiro e mundial que será abordado nessa temporada.

Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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