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Séries

Tá No Ar: 5ª Temporada volta com ares de grande produção

Já vimos o primeiro episódio da temporada!

23 de janeiro de 2018 - 09:27 - Tiago Soares

Apesar do Tá no Ar, está “no ar” na Rede Globo, canal de maior audiência do Brasil, ele sempre foi um programa de nicho. Com o passar das temporadas, isso só ficou mais claro. Os que pensaram que a Globo iria “estragar” os humoristas que vieram da MTV, ou que ia fazer um humorístico enlatado, quebraram a cara.

O programa de Marcius MelhemMarcelo Adnet e Mauricio Farias já é o favorito de várias pessoas, em sua maioria jovens, que entendem as piadas e tiradas rápidas e referências da cultura pop. Mas isso não é o caso de todo mundo, meu pai por exemplo, minha maior referência em ser palhaço, não gosta do Tá no Ar, e antes que digam que ele tem mente fechada e é “velho”, ele também não curte o Zorra (apesar do programa estar reformulado).

Toda essa introdução se deve ao fato de que, mesmo o Tá no Ar sendo um programa apenas pra alguns, a Globo aposta alto na produção e o episódio de estreia do novo ano é um exemplo disso. Muito bem dirigido, fotografado e editado, a 5ª temporada começa com o pé na porta, com uma canção pesada de Adnet sobre os tiroteios excessivos que ocorrem próximo as escolas do Rio de Janeiro.

O clima tenso é logo quebrado pelas piadas rápidas das “trocas de canais”, que aliás, foram atualizadas para uma Smart TV com vários serviços de streaming, com uma menção ao Globo Play inclusive (aonde o primeiro episódio está disponível). A novela Paixão Sem Marcas, traz uma crítica a própria Globo, por abusar do merchandising em suas produções.

Clássicos como Jorge Bevilacqua – apresentando um novo produto contra crianças e o retorno do reality Os Karlakians, demonstrando toda a futilidade da família, são mais engraçados pelo absurdo do que propriamente pela piada. O militante continua afiadíssimo em seus comentários e o índio Obirajara, arranca risadas altas na sua participação no Encontro com Fátima Bernardes.

As novidades ficam por conta do Pirateando Carros, sátira daqueles programas americanos de reformas. A dublagem atrasada dá um toque especial ao quadro e nele que vemos pela primeira vez a estreia do novo integrante Eduardo Sterblitch, que casou perfeitamente com o restante. “Silvio Greatest Hits” retorna sempre atualizado, desta vez cantando K.O de Pabllo Vittar e uma bela homenagem ao ator Matheus Solano, amigo de longa data de Adnet, subverte a expectativa.

Dony De Nuccio (novo apresentador do Jornal Hoje), e até mesmo a Record não são poupados da zueira e não devemos esquecer que estamos em época de eleição, e os santinhos do Tá no Ar já começaram a ser distribuídos. Mas o destaque maior fica a cargo da música final. Posso afirmar que “Eu sou Bi” – paródia de ABC – cantada por Adnet e Sterblitch, é o sucessor definitivo de “Todo Mundo É Gay“, sucesso gravado ainda nos tempos de MTV.

Nos tempos em que se discute o significado do ‘B’ da sigla LGBT , e se prega a polarização e a não existência da bissexualidade, a música traz contornos até científicos, para explicar que o bissexual existe e que é normal. O certo é que o Tá no Ar voltou prometendo mais um ano daqueles, e a paródia de The Walking DeadWalking Back – diz muito sobre o retrocesso brasileiro e mundial que será abordado nessa temporada.