Supernatural
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A jornada finalmente chegou ao fim em Supernatural e na nossa série de homenagens. Estão preparados?


Dexter, The Walking Dead, How I Met your Mother, The Big Bang Theory, Game of Thrones…

A lista de séries que, segundo o público, deveriam ter acabado muito antes do seu final oficial é enorme. Não vou negar que Supernatural faz parte dessa lista, porém preciso dizer uma coisa: essa prolongação recheada por altos e baixos não torna o fim menos doloroso. Talvez seja até o contrário, afinal quanto maior o número de temporadas, maior o tempo em que os personagens permanecem na vida dos fãs.

Todos esses anos encarando milhares de erros e acertos transformaram Sam, Dean, Castiel e diversos outros coadjuvantes em parte essencial da vida de quem continuou acompanhando a série. Eu nem me considero um fã tão alucinado assim (abri mão da loucura de madrugar pra ver Misha Collins na CCXP, por exemplo), mas posso dizer isso com todas as palavras.

Supernatural faz parte da minha vida há mais de 13 anos. Desde quando assisti episódios aleatórios no SBT e peguei emprestado um CD (sim, um CD) com as duas primeiras temporadas completas. A partir dali, eu coloquei tudo em dia e comecei a baixar os episódios seguintes no meu computador caixote, semanalmente, como se fosse um ritual. Algo quase religioso que eu nunca tinha feito com nenhuma outra série antes.

Supernatural

Foto: Divulgação

Isso significa, em palavras mais simples, que Supernatural abriu um novo mundo pra mim. Um universo de possibilidades cheios de novas séries e filmes que não precisavam estar passando na TV. Tudo porque eu queria acompanhar, sem os meses de espera, a jornada daqueles irmãos cujo negócio da família era caçar monstros.

É por isso que eu acho justo dizer até mesmo que talvez eu não estivesse aqui, hoje, sem a entrada de Supernatural na minha vida. Sei que pode parecer estranho alguém falar dessa maneira sobre uma série procedural que nunca chegou perto de ser considerado um produto de primeiro escalão, mas essas palavras são mais do que verdadeiras.

O motivo: sem Supernatural eu não teria expandido o meu repertório. Não teria começado a acompanhar séries com mais frequência. Não teria visto a quantidade de filmes que vi na minha adolescência. E sem isso, talvez eu não tivesse alimentado de forma apropriada o amor por séries e filmes que me trouxe até aqui.

Logo, não tenho medo de dizer que Supernatural ocupa uma lugar muito importante na minha vida. E isso não tem nada a ver com a qualidade da série.

Eu sei que ela não é nenhuma Breaking Bad. Assim como também sei que a queda brusca de qualidade depois do quinto ano afastou muita gente. Eu entendo e não julgo quem não curtiu o formato desde o início ou quem acabou saindo do barco no decorrer das tempestades.

Supernatural

Foto: Divulgação

Eu fiz o mesmo com diversas séries, mas não consegui repetir o feito com os irmãos Winchester, apesar de não saber explicar exatamente os motivos. O melhor palpite é que meu lado ansioso não quis abrir mão daquele ritual que fazia parte da minha rotina de maneira tão fixa e leal. Mas isso é só um palpite…

Talvez eu só gostasse da maneira como a relação entre Sam e Dean foi se tornando, cada vez mais, o combustível da série. Talvez eu quisesse me divertir com uma sequência de casos da semana totalmente galhofas, sem ligar para teorias ou ideias maiores. Ou, quem sabe, era tudo isso junto…

Eu não sei e não preciso saber, porque acho extremamente idiota chegar aqui e ficar justificando minha decisão de acompanhar Supernatural até esse momento. Já fiz isso algumas vezes para tentar amenizar a “zueira”, mas a verdade é que eu gosto da série. E, na grande maioria das vezes, é só isso que importa.

Sempre critiquei quando a produção cometeu erros (tanto que nunca devo ter dado uma nota máxima pra série no site), mas eles nunca tiveram força suficiente para quebrar o laço que eu havia construído com Sam e Dean Winchester. E é por isso que quis escrever esse texto.

A ideia desse texto não listar qualidades ou criticar Supernatural. Meu objetivo aqui é dizer que, de alguma maneira, eu amo essa série. Talvez seja um amor meio conformista, forjado nos caminhos confortáveis do guilty pleasure, mas ele existe. E muitos poetas poderiam dizer melhor do que eu que o amor nem sempre pode ser explicado por palavras.

Supernatural

Foto: Divulgação

Eu só sei que sempre gostei das aventuras do irmãos Winchester. Tomei sustos, roí minhas unhas, dei risada e tudo mais ao lado deles. Fiz isso por quase quinze anos e vou sentir falta de não repetir tais momentos em episódios inéditos.

Vou sentir falta de não criar novas memórias com a série. De não colar novas figurinhas em um álbum que possui imitações ao lado de amigos (um mico, eu sei), os pedidos incessantes para incluir Eye of the Tiger nos exercícios do curso de inglês (Rocky Balboa entrou na minha vida depois, então, sim, eu conheci a música do Survivor graças a Supernatural) e lições de irmandade que replico sem medo com os meus próprios irmãos.

Pensar nisso me emociona, assim como aconteceu em outros momentos da produção dessa série de textos-homenagem. Sei que pouca gente leu, mas não ligo porque estava escrevendo por causa de mim. Hoje eu tenho certeza que precisava fazer isso toda quinta, como se fosse um ritual, para me preparar pro fim.

Sei que vou chorar no episódio e tudo mais, mas graças a esses textos estou pronto pra acompanhar a conclusão dessa jornada. Principalmente porque sei que, mesmo sem episódios inéditos, a série sempre vai fazer parte da minha vida. Afinal de contas, se alguém perguntar qual série começou isso tudo, a resposta (oferecida com todo o orgulho e prazer) vai ser sempre Supernatural.


Os Episódios de Supernatural estão sendo exibidos toda quinta nos EUA


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Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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