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Séries

Supermax: Último episódio e futuro do terror na TV Aberta


14 de dezembro de 2016 - 12:24 - Tiago Soares

O caminho ainda é longo…


Ontem foi ao ar o último episódio de Supermax, série responsável por implantar elementos do terror pela primeira vez na TV aberta ao contar a história de 12 personagens, que precisam ficar confinados em uma prisão de segurança máxima durante três meses em busca do prêmio de 2 milhões de reais. Criada por José Alvarenga Jr. (Os Normais), Marçal Aquino (O Cheiro do Ralo) e Fernando Bonassi (Carandiru) a série vinha com altas expectativas e foi responsável por mudar o formato de exibição, lançando os 11 primeiros episódios no Globo Play e deixando apenas este último para ser visto na emissora (por mais que a forma de exibição da mesma não tenha funcionado). Confira a crítica dos 11 primeiros episódios sem spoilers, e vamos falar do último, claro, com spoilers.

O episódio começa do ponto em que acabou, com os sobreviventes Sergio (Erom Cordeiro), Bruna (Mariana Ximenes), Sabrina (Cléo Pires), Artur (Rui Ricardo Diaz), Diana (Fabiana Gugli), Timóteo (Mario César Camargo) e Dante (Ravel Andrade) presos dentro da cela, já que Baal (Márcio Fecher) e sua turma querem matar os homens e pegar as mulheres para procriar. Mesmo parecendo que não havia saída, a ameaça das mulheres de cometer suicídio acaba se tornando uma resolução inteligente, e traz toda uma tensão ao início do episódio, até a morte de Dante, de forma cruel e sem cortes, a de Janette (Maria Clara Spinelli), antes de mostrar que acima de homem, mulher ou trans, somos seres humanos.

Além dessas ameaças, a figura infectada de José (Ademir Emboava) em uma versão animal, ainda rondava os participantes, e o que se seguiu foi o previsível, uma tentativa de tentar fugir de todos, até suas mortes um a um, restando apenas um participante, dando o verdadeiro sentido de reality show a série. Escrito pelos criadores e dirigido por José Alvarenga Jr. e Felipe Miranda é possível encontrar inúmeros problemas neste episódio final, a maioria deles após a abertura e comercial, em que todos terminam fugindo, para logo depois sermos apresentados a alguns personagens já mortos, como aconteceu com Timóteo e Artur.

Sempre digo que a mídia “audiovisual” é muito mais visual: se você tem o poder de mostrar, porque apenas falar? Não era necessário Baal narrar cada uma de suas vítimas e Sabrina explicar porque Artur morreu, porque não mostra logo? Além disso a direção se torna confusa ao separar os personagens tomando uma decisão de roteiro idiota, seguindo os inúmeros filmes de terror B. Além disso, a figura do padre Nando (Nicolas Trevijano) surge como um deus ex machina, para logo depois sair de cena levantando a dúvida se teremos ou não uma segunda temporada.

O futuro

Apesar de todos os seus erros, Supermax significou um grande passo para o início do terror na TV aberta brasileira. Existe o acerto de incluir nomes da cultura pop em seu roteiro como Carolina Kotscho (A Teia), Braulio Mantovani (Tropa de Elite 2), Dennison Ramalho (O Fim da Picada), Juliana Rojas (Sinfonia da Necrópole), Raphael Draccon (Dragões de Éter) e Raphael Montes (Dias Perfeitos), mas a concessão entre os roteiristas deveria ser melhor. Víamos capítulos completamente diferentes um dos outros, sem contar que o acúmulo de ideias diferentes acabou deixando Supermax inchado. Foram muitas as vezes em que o programa não teve foco, querendo enfiar muitos elementos do terror guela abaixo do telespectador, sem explicar pra que servia aquilo.

Outro ponto que deve ser melhorado é o quesito atuações, porque muitas delas ainda estão muito novelescas. Não desmerecendo nossa teledramaturgia, mas uma série com tamanha expectativa pedia um trabalho melhor. Apesar da Globo trazer atores com mais experiência teatral, o que se viu foi uma direção na maioria das vezes ruim dos mesmos. Vale lembrar que o texto também não ajudou muito, salvo raras exceções, algumas frases são de dar vergonha, como a do último capítulo quando Artur diz a Sabrina para ela permanecer viva, pois “quer fazer muito sexo com ela”. Sério mesmo que à beira da morte você vai pensar nisso?

Ao fim, quando Sergio (o grande “vencedor”) chega ao fim, a frase na parede traduz muito o que o espectador mais merece ao fim da série: “Parabéns, se você chegou até aqui, você é o campeão da Supermax“. Demos um primeiro passo prematuro, mas o caminho ainda é longo, e espero que seja melhor.