AODISSEIA
Filmes

Só nos resta dizer obrigado à Turma da Mônica: Laços

Um soliso no losto e um ablaço do seu melhor amigo


28 de junho de 2019 - 04:06 - felipehoffmann

Turma da Mônica: Laços é um filme sobre amizade e respeito. Sobre a simplicidade de conviver com um amigo e sobre acreditar que tudo é possível juntos, como vagalumes numa noite escura.


Há alguns anos, quando o live action de Turma da Mônica: Laços foi apresentado numa dessas CCXPs, a plateia fez um alvoroço enorme. Afinal era toda uma memória particular que estaria ali, representada bem na nossa frente, numa tela de cinema.

Turma da Mônica: Laços vem da sua HQ homônima, feita pelos irmãos Victor e Lu Cafaggi, dentro do selo Graphics MSP. Já falamos desse projeto aqui algumas vezes e não por menos merece toda a atenção. Rapidamente a HQ se tornou a mais vendida do selo e ganhou outras duas continuações. Lembranças e Lições.

Caiu nas mãos de Daniel Rezende a incumbência de levar milhões de adultos de volta à infância. Levar tantas memórias pra dentro do cinema e brincar com isso. E ele conseguiu.

 

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Daniel tem um tato muito particular pra contar histórias. O sucesso de críticas do recente Bingo: O Rei das Manhãs é prova cabal da sua capacidade. Por alto, transformar a história de um palhaço de TV em um dos melhores longas nacionais dos últimos anos, não é pra qualquer um.

Eu sabia que estava em boas mãos.

O longa tem uma história simples mas não menos encantadora. Via ali as páginas de tantas revistas que folheei quando criança. Que aprendi a ler e entender o poder de uma boa amizade. Vi no filme uma história feita de coração aberto, dizendo tudo que todos nós queríamos dizer para Turma da Mônica mas nunca conseguimos.

A simplicidade da história também é o peso que leva o filme. E não precisa de muito. Em Turma da Mônica: Laços o foco está em Magali (Laura Rauseu), Cascão (Grabriel Moreira), Cebolinha (Kevin Vechiatto) e Mônica (Giulia Benitte). Seus atores mirins são a base que mantém todo esse filme de pé. O grupo de amigos passa tanta verdade que a proximidade é instantânea.

Os quatro em cena foram nós mesmos, que brincamos na rua, brigamos também por lá, nos divertimos e choramos. Tratar dos sentimentos é universal e taí o grande trunfo de Daniel Rezende. Brincar com os nossos sentimentos e contar uma história que encaixa tanto pra mim, quanto pra criança que vai ver a turminha do Bairro do Limoeiro. A ideia de abraçar tudo isso é o que faz Laços ser tão especial.

 

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E falando de Bairro do Limoeiro, impressiona a quantidade de referências que cabem dentro de um lugar. Desde a banca de Jornal com um dono bem familiar, até o vendedor de algodão doce que idealizou as ideias das Graphics MSP. De Sidney Gusman até o poster do Astronauta na parede do quarto do Cebolinha. Passando pelos pelúcias do Jotalhão e Horácio e batendo de frente com vários outros personagens do Bairro que viveram aquelas páginas amareladas.

Tudo isso deixa o universo mais familiar e gostoso de assistir.

Não é fácil carregar o peso nostálgico de algo que está tão intrínseco na cultura do brasileiro. Mas Turma da Mônica: Laços tira isso de letra, apostando na beleza da sutileza e na força da amizade. Laços é quentinho como um cobertor num dia frio. Como um abraço da pessoa que você ama. Como o cheiro de café num domingo a tarde. Como as gostosas gargalhadas num sábado a noite com os amigos. É um longa sobre esses pequenos momentos e que deixa tudo grandioso.

E não tenho muito mais o que dizer sobre. Apenas obrigado.