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Séries: True Detective


21 de janeiro de 2014 - 17:12 - Flávio Pizzol

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Só vou falar uma coisa sobre True Detective. A nova série da HBO é para todos os tipos de espectadores do canal, mas só funciona, ao mesmo tempo, para um público seleto.

Antes de tentar resumir a história da série, vou tentar explicar minha introdução. Por que a série é para todos os tipos de público? Por que ela é capaz de suprir os vazios deixados por diversas séries de TV a cabo, principalmente da própria HBO.

Gosta de séries policiais com ótimos casos, como The Bridge? Gosta de séries com roteiros ágeis e impecáveis, como os de The Wire e The Newsromm? Gosta de série que dão a devida importância aos seus personagens, como Sopranos, Game of Thrones e Breaking Bad? Tudo isso – e outras coisas mais – são facilmente encontradas em True Detective.

Mas ao mesmo tempo True Detective tem um clima diferente, uma história muito atemporal e um desenvolvimento lento que pode incomodar muitos telespectadores, inclusive aqueles que gostam das séries citadas acima.

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Voltando a história, True Detective segue dois detetives que precisam investigar um assassinato ligado a um serial killer em 1995. Eles vão narrando a história para outros dois detetives em 2012, porque o assassino voltou a agir depois de 17 anos.

A produção tem o selo HBO de qualidade. Direção de arte, fotografia, edição e trilha sonora sensacionais. A direção de Cary Fukunaga também está perfeita, usando estilos e ângulos diferenciados com maestria. Mas o maior destaque da série é o roteiro.

O texto de Nic Pizzolatto é impecável e inteligente. Pelo menos os dos primeiros episódio. Diálogos rápidos e complexos que obrigam o telespectador a prestar muita atenção. A personalidade dos personagens também é bem definida desde os primeiros episódios, sendo que ela vai sendo construída através de entrevistas e viagens no tempo. A personalidade definida não impede Nic de deixar alguns pedaços faltando e deixar evidente que falta alguma coisa.

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Essa ideia de contar a história de maneira completamente atemporal é tão genial que me obrigou a criar uma linha do tempo para a série. Basicamente, a série se passa em dois momentos específicos, se dividindo entre 1995 e 2012. Entretanto, outros atos relacionados a outros momentos vão sendo citados ao longo do “interrogatório”, deixando a entender que esse vácuo de informações pode ser muito relevante para a resolução do mistério.

Outra decisão interessante é evidenciar mais os personagens do que o caso em si, diferenciando esta de outras séries policiais. Os detetives, suas personalidades e seus métodos de investigação parecem ser mais importantes do que o caso, como se a relação entre dois tivesse alguma relação com o caso formado em 2012.

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Acreditem quando digo que algumas peças estão sumidas e vão ser reveladas aos poucos nesse vai e vém temporal em que a série foi apoiada.

Os personagens estão em evidência, mas o caso não é esquecido. Este também é construído com calma, tendo seu momento mais importante, seu estabelecimento na história, já nos minutos final do primeiro episódio.

Se tudo o que falei sobre o roteiro não foi o bastante para te convencer a assistir a série, os brilhantes personagens principais são interpretados pelos ainda mais brilhantes Matthew McCounaghey (provável melhor ator de 2013) e Woody Harrelson. Desde o primeiro episódio, os dois demonstram ter um total controle de seus personagens, que são humanos, com todas suas falhas, problemas e nuances.

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Harrelson merece ser elogiado por fazer um personagem que foge aos seus padrões atuais, mostrando o qual versátil ele é. E Matthew trabalha com um personagem que parece estar em uma montanha russa, de tantos altos e baixos que podem ser percebidos em sua personalidade. Um personagem louco, insano, inteligente, que tem grandes problemas com tudo a sua volta.

Personagens que não tem muito carisma ou identificação com o público, mas que, graças ao roteiro e ao nível das atuações, fazem com que o público fique instigado e queira conhecer mais das personalidades de ambos

No elenco de apoio ainda temos a linda Michelle Monaghan, Kevin Dunn e Alexandra Daddario, que ainda não mostrou a que veio.

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Uma série que tem tudo para entrar para a história do canal se mantiver a qualidade vista nesse inicio de temporada. Merece ser vista com toda a certeza.

OBS 1: A série está sendo transmitida simultaneamente nos EUA e no Brasil, da mesma maneira que é transmitida Game of Thrones.

OBS 2: A audiência de estreia bateu um recorde na HBO. True Detective teve a melhor audiência de estreia de uma série do canal, batendo Boardwalk Empirem, em 2010.

OBS 3: Um fato interessante é que a série vai seguir o molde inovador de American Horror Story, ou seja, cada temporada terá uma história fechada e separada.

OBS 4: Não falei sobre as ótimas reflexões religiosas, filosóficas e morais levantadas pelo roteiro, por eu acredito que nos próximos episódios esssas discussões vão ter bem mais foco.

OBS 5: Espero que a Alexandra Daddario continue tendo cenas como aquelas do segundo episódio.