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A família é a resposta para tudo


Supernatural-Season-11-Promotional-Poster-supernatural-38847726-900-1350Antes de escrever qualquer coisa sobre a 11ª temporada de Supernatural, preciso avisar que eu tenho uma relação diferente com a série: simplesmente não consigo largar, porque foi o primeiro programa do tipo que assisti regularmente. No entanto, isso não me impede de perceber os problemas e saber que esse ano, apesar de certos errinhos comuns, foi bem interessante e muito divertida.

[Alerta: Alguns spoilers ficaram presos entre o céu e o inferno]

Pra começar, é importante lembrar que toda a temporada girou em torno da sempre utilizada relação familiar de Sam e Dean e da luta dos irmãos contra a Escuridão. Tudo isso entrecortado por aquela infinidade de fillers comuns na televisão aberta que sempre atrapalham o desenvolvimento tranquilo e correto da série. Nesse caso, a principal prejudicada foi realmente a vilã que teve um desenvolvimento apressado e só cresceu a partir do momento em que possibilitou um crescimento absurdo da mitologia da série.

Mas a nossa sorte é que Supernatural consegue manter a sua qualidade quando está explorando sua mitologia, focando no amor entre os protagonistas e simplesmente usando um caso da semana. É verdade que usarem a mesma desculpa de “não encontramos nada sobre a Escuridão” em quase todos os episódios desse tipo foi cansativo, mas os resultados dos casos foram satisfatórios com o devido destaque para a emocionante homenagem ao Impala, o episódio da luta livre, o caso do das fantasias assassinas e a aparição do amigo imaginário que acompanhou Sam na infância.

Claro que isso só é possível porque Supernatural consegue explorar o lado zueiro da vida, a personalidade de seus protagonistas e o humor único das situações, mesmo quando o caso é extremamente sério. Depois de tanto tempo de existência, a série chutou o pau da barraca, aprendeu a atender os pedidos dos fãs em episódios hilários, aproveitou o máximo da imaginação de seus roteiristas e ainda equilibrou isso dentro das típicas ameaças de fim do mundo.

Limbo

O exemplo perfeito disso está no ótimo episódio em que eles apresentaram Deus, aproveitando a já difundida teoria dos fãs sobre o escritor Chuck. Junto com os episódios que giraram em torno da fuga de Lúcifer da jaula, esse momento foi o destaque da temporada justamente por surpreender os fãs, usar sua irreverência para fazer piadas com Eric Kripke (o criador da série) e dar o ponto de partida para o desenvolvimento do tema familiar na reta final.

E, mesmo se apoiando em uma temática explorada exaustivamente na série com as idas e vindas dos irmãos, essa reta final expandiu a mitologia ainda e garantiu sua qualidade nos paralelos entre os protagonistas e a relação entre Deus e a Escuridão, que é sua irmã. Um caminho interessante que nos levou para uma resolução simples e inusitada por não envolver cenas grandiosas de ação ou a morte de alguém importante, focando em dois ganchos espetaculares envolvendo o próximo vilão e mais casos de família.

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Entretanto, é óbvio que quase nada disso seria possível sem uma direção que sabe criar piadas visuais, as muitas referências a cultura pop, a trilha sonora clássica e ao elenco sempre afiado. Jensen Ackles possui uma capacidade espetacular de alternar entre o drama e a comédia (vejam a cena da despedida no season finale), Jared Padalecki ainda sabe ser o sério da família como ninguém, Mark Sheppard mantém seu Crowley depressivo e sarcástico, Mark Pellegrino abusa do medo no retorno de Lúcifer e Rob Benedict surpreende como um Deus de bem com a vida. E apesar de tudo isso, o destaque da temporada vai para Misha Collins e sua mudança tripla de personalidade para interpretar Castiel, Lúcifer e o mesmo vilão fingindo ser o anjo de formas completamente diferentes.

No fim das contas, é essa combinação muito bem feita entre diversão, ação, drama e suspense que me faz continuar vendo Supernatural até hoje. É a relação dos irmãos e os monstros que me acompanham desde quando eu ligava a TV no SBT morrendo de medo. É o equilíbrio entre a mitologia e a zoeira que fizeram Supernatural se tornar parte da minha semana. E uma temporada que superou alguns probleminhas e reuniu tudo isso de forma maravilhosa merece ser parte da família. Que o nível se mantenha e venha mais uma temporada!


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Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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2 Comments

  1. […] Já Mark Pellegrino nasceu em Los Angeles, California e tem atuado de forma constante desde a década de 1980 em mais de 120 produções. Nas telonas, participou de grandes produções e também de alguns filmes independentes como A Lenda do Tesouro Perdido, O Grande Lebowski, Capote, Número 23 e Cidade dos Sonhos. Além de sucesso nas telas, Mark leciona na Playhouse West, localizada ao norte de Hollywood e já serviu ao exército dos Estados Unidos. Mas o ator ficou mais conhecido por suas participações na TV em Arquivo X, Tal Pai, Tal Filho,Crossing Jordan, Nova York Contra o Crime, Plantão Médico (E.R.), Grey’s Anatomy,Prison Break, o Jacob em Lost (Espero que ele me escolha para proteger ilha, fã detected), Paul Bennett em Dexter e Lúcifer em Supernatural. […]

  2. […] que os personagens tem que ter. Principalmente os possuídos. Diferente de séries de sucesso como Supernatural ou filmes de possessão, o assunto aqui é abordado de maneira diferente. Vemos que estar possesso […]

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