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Um presente de Natal digno de Sherlock Holmes

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O tempo de espera por um episódio de Sherlock é muito grande e, infelizmente, só tende a aumentar com a inclusão da Marvel na agenda dos seus protagonistas. Entretanto, episódios como esses tem o poder de mostrar que esperar pode valer muito a pena.

Nesse caso, a espera dos fãs durou praticamente dois anos até que um especial de Natal fosse produzido com o toque diferencial de que essa seria a primeira vez em que essa versão dos personagens seria vista na era vitoriana. Para fazer isso, Steven Moffat e Mark Gatiss decidiram seguir Holmes e Watson pela resolução complexa de um caso onde uma noiva morta com um tiro na cabeça parece ter voltado a vida com o objetivo de matar pessoas.

Esse é o ponto de partida de um roteiro que aborda de maneira consciente e divertida as deduções típicas, as reviravoltas, as interações entre personagens consagrados, os diálogos afiados, o humor britânico e, é claro, o clássico “bromance” entre a dupla de protagonistas. É um típico caso para Sherlock Holmes que resulta em um episódio com todas as características que já marcaram as outras temporadas e fizeram com que essa fosse a versão mais amada do detetive.

Logicamente, isso é acompanhado por um elenco que retorna mais afiado do que nunca com todas as nuances, peculiaridades e qualidades que já foram trabalhadas em algum momento, principalmente na terceira temporada. Benedict Cumberbatch e Martin Freeman continuam sendo os destaques quando se fala em química e humor, enquanto Mark Gatiss, Rupert Graves, Amanda Abbington e Andrew Scott funcionam aqueles coadjuvantes de luxo que são essenciais para o bom desenvolvimento da história.

Entretanto, a questão é que The Abominable Bride é muito mais do que uma adaptação comum, uma repetição de aspectos já abordados na série ou uma simples brincadeira temporal com os personagens. Não vou me estender muito para não entregar nada, mas podem acreditar que o roteiro acerta em cheio nas surpresas, no aprofundamento dentro da mente de Sherlock e na forma como trabalha com a percepção entre passado e presente para que o episódio se encaixe de forma pontual na linha cronológica da verdadeira temporada.

E a direção de Douglas Mackinnon (responsável por muitos episódios de Doctor Who) sabe usar isso a seu favor de maneira certeira, utilizando um apelo visual muito interessante para a era vitoriana, transportando alguns dos truques utilizados no presente e brincando com a percepção do público dentro do tempo e do espaço em pequenas referências que vão encher os olhos de qualquer fã da série e dos livros originais. A única coisa que me incomodou um pouquinho e precisa ser ressaltada é que ele se empolga e acaba exagerando no uso de algumas dessas jogadas visuais, principalmente nas transições.

Mas não é justo ficar se estendendo nisso quando o episódio consegue entregar tudo o que era esperado, matar a saudade dos fãs, divertir por 90 minutos e ir além disso com ideias que eram completamente inesperadas. Não é o melhor episódio da série, mas continua mostrando a força dessa adaptação da BBC e deixa o gostinho de quero mais para uma quarta temporada recheada de mistérios e respostas a serem respondidas. Que 2017 traga mais três episódios de Sherlock!

OBS 1: Vale lembrar que o episódio ainda encontrou espaço para criticar aspectos sociais da era vitoriana e usar isso para criar uma resolução muito interessante para o caso.

 

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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1 Comment

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