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Séries: Sense 8 – Especial de Natal

FELIZ ANO NOVO P*RRA!!! (Texto publicado originalmente no dia 24 de dezembro de 2016)

14 de junho de 2018 - 11:00 - Tiago Soares

Sense 8 é o exemplo de série que ou é amada ou odiada. Por isso que a frase que abre esse texto exemplifica bem o que sentimos, tanto ao ver a primeira temporada, como este especial de Natal. Se você não amar os “sensates“, suas personalidades, e até os coadjuvantes que interagem com os mesmos, esta série não é pra você, aliás, se você não viu esse especial, veja, pois o texto contém spoilers.

Começamos exatamente aonde paramos na temporada passada, em junho de 2015 com Will (Brian J. Smith) ao lado de Riley (Tuppence Middleton) sendo perseguido por Sussurros (Terrence Mann), Lito (Miguel Ángel Silvestre) e Hernando (Alfonso Herrera) encarando as consequências das suas fotos íntimas divulgadas, Kala (Tina Desai) em sua lua de mel, mas em dúvida se fica com Wolfgang (Max Riemelt) ou Rajan (Purab Kohli), ao mesmo tempo que o alemão tenta se livrar do assassinato do tio,  Sun (Doona Bae) ainda tenta provar sua inocência e sair da cadeia, enquanto Nomi (Jamie Clayton) continua fugindo da Biologic Preservation Organization (BPO) e Capheus  (Toby Onwumere) afim de continuar com sua fama e restaurar sua Van-Damme.

Basicamente nada muda de início, e acompanhamos 6 meses da vida dos sensates (de julho a dezembro), pegando seus aniversários (em agosto), até o Natal e o Ano Novo, três datas que merecem destaque. Sense 8 está de volta, a passagem pelos países seguida pela bela fotografia de John Toll, auxiliada pela trilha sonora, aliás como esquecer a sensacional cena de abertura com os sensates mergulhando em alto mar ao som de Feeling Good. É mais do que correto dizer que Sense 8 tem o melhor grupo de todas as séries da atualidade, não falo apenas do carisma do atores e de sua entrega, mas dos personagens, todos tem seus dilemas e todos são excelentes, claro que você pode ter o seu preferido, mas lembrem-se, todos eles são um.

Os melhores momentos deste especial se dão justamente nessa união, ou como eles chamam “visitas“. Quando todos interagem, é que a direção e a edição precisa é percebida com maior destaque. E não falo apenas das principais cenas como a de aniversário, mostrando cada um comemorando da forma que pode, além de suas diferentes culturas, ou a da bela sequência de Natal ao som de Hallelujah, aliás a música esteve presente em várias mídias esse ano, mesmo assim a versão de Sense 8 consegue emocionar sendo cantada por um coral (nada mais Sense 8), a sequência de Ano Novo também é bonita, trazendo conflitos interessantes e muita ação, mas gosto muito quando até mesmo nos momentos simples, uns ajudam aos outros, seja para abrir uma simples porta ou assassinar uns caras, seja para patinar no gelo ou fugir de paparazzis, a união é o que eles tem de mais forte.

O especial perde força quando resolve avançar sua história, sem fazer isso de maneira correta, não individualmente, a história de todos avança um pouco, mas sem causar problemas, o problema está quando Will interage com Jonas (Naveen Andrews), com a mãe “sensate” morta Angelica (Daryl Hannah) e até com Sussuros, aí é que tudo se confunde e temos mais perguntas que respostas, tirando aquela sensação de “especial” e tentando fazer com que a trama siga, o que não acontece. Esse problema não nos tira da atmosfera do programa, mas pisa no freio, porque a história individual de todos eles é muito mais interessante, é como se o tal “vilão” e sua “perseguição” fossem meros panos de fundo pra que todos possam interagir, que como já disse, é onde este especial acerta.

Com pouco mais de 2 horas de duração, não sentimos o período de 6 meses passar, dirigido por Lana Wachowski, escrito por ela e J. Michael Straczynski, o especial guarda espaço para boas cenas de ação, a maioria delas envolvendo Sun e Wolfgang, a famosa cena de orgia está presente também, desta vez envolvendo todos eles, seguido por um belo monólogo de Sun: “Nós existimos por causa do sexo, não é algo para ser temido, é algo para ser honrado”. O humor também dá as caras, principalmente na interação de Kala com Wolfgang e na dele com Felix (Max Mauff), aliás os coadjuvantes também fazem um ótimo trabalho, além de Felix e Hernando, Daniela (Eréndira Ibarra), Jela (Paul Ogola) e Amanita (Freema Agyeman) são destaques.

Não avançando a trama do grupo, mas apostando na força e na saudade que temos dos seus personagens, Sense 8 – Christmas Special traz uma boa construção de cenário e prepara o campo para a segunda temporada que chega na Netflix  no dia 05 de maio de 2017, e esperamos que a história avance, mas sem esquecer dos personagens, que é o que Sense 8 tem de melhor.