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Teoricamente, O Rebu é a nova novela das 11 da Rede Globo. Entretanto, o formato do remake da história exibida em 1974 é muito mais parecido com as séries internacionais de TV a cabo. O pequeno número de episódios, o horário, a liberdade criativa e, principalmente, a qualidade técnica se assemelham a esses e ainda dão continuidade ao ar de novidade que o canal vem trazendo para o horário nobre.

O Rebu vai ter 36 episódios que vão girar em torno de um assassinato em uma festa da alta classe carioca. Boa parte da trama se passa nessa festa, enquanto somos apresentados aos personagens e situações do presente e do futuro. Se eu achei essa ideia inovadora para os dias de hoje, tentem imaginar o que ela deve ter causado na década de 70.

Para levar algo desse nível para a televisão seria necessária uma equipe de luxo. E os responsáveis pela série acabaram me impressionando mais do que a própria história, por que eu tive certeza que eles iriam dar o tom inovador que ela precisa. Os nomes de George Moura (roteirista), José Luiz Villamarin (diretor geral) e Walter Carvalho (um dos melhores diretores de fotografia da atualidade) aparecem de maneira constante na mídia após o sucesso de Amores Roubados e O Canto da Sereia. E o novo trabalho promete ser maior e melhor.

Esse vai ser o trio responsável por trazer a qualidade técnica de alto nível para esse produto, assim como eles fizeram nos outros programas citados. George tem o tom certo de escrita para esses textos de suspense e crime e já mostrou que vai saber lidar muito bem com os saltos temporais e com os diversos suspeitos que já começam a martelar na mente do espectador desde o primeiro episódio. E o interessante é que nada ficou confuso, pelo menos até o momento.

Com um texto espetacular em mãos, Villamarin e Walter Carvalho se focaram no aspecto estético da série, que já inicia a festa com um longo plano-sequência para apresentar todos os personagens principais. E como um adicional, tudo isso está sendo filmado com câmeras 4K (mais definidas que as Full HD). Logo, se você, diferente de mim, tem um televisão muito boa, aproveite porque a experiência e a imersão tendem a ser mais poderosas.

O trabalho de Walter talvez seja o que fica mais bem definido desde o início com a fotografia azulada e fria que toma a festa, deixando claro que o clima ali não é dos mais amigáveis. E seu trabalho ainda deve crescer mais quando os flashbacks e flashforwards aparecem com mais frequência e precisarem serem diferenciados pela luz ou pela câmera. Como não é do feitio de George escrever saltos temporais bruscos, vai ser o trabalho de direção e fotografia que vai diferenciar os momentos distintos.

Com uma equipe dessa, o elenco não deve ter tanto trabalho. Ainda assim somos apresentados a um time de peso que conta com Tony Ramos, Patricia Pillar, Cássia Kis Magro, Vera Holtz, José de Abreu, Camila Morgado, Sophie Charlotte, Dira Paes, Daniel de Oliveira e Jesuíta Barbosa, a grande revelação de Amores Roubados. Todos tiveram poucos momentos em cena para avaliarmos a atuação, mas levando em conta outros trabalhos (inclusive com esse mesmo trio) não posso esperar pouco desse grupo.

O episódio de estréia foi espetacular, mas passou tão rápido que eu preciso ver mais para analisar o trabalho de todos de maneira mais precisa e completa. Fiquei muito animado com esse começo e tenho quase certeza que vai ser um produto digno de ter o DVD. Enquanto estou só torcendo para que a narrativa não-linear e as escolhas estéticas fora do comum não afastem o público, que isso é o que realmente importa para a Globo.

OBS 1: Além da cena de abertura, gostei muito de uma transição bem movimentada e atual, que usava as redes sociais  como plano de fundo.

OBS 2: Não posso esquecer de bater palmas para o figurino e cenário, que, além de ótimos, precisam de cuidados especiais por conta da continuidade.

Filhos da Esperança (2006)

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1 Comment

  1. […] história, como já falei aqui, girava em torno do assassinato de Bruno Ferraz no meio de uma festa da alta sociedade carioca. […]

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