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E novela das 11/série da Globo também chegou ao seu final na mesma semana de A Grande Família. Um obra impressionante que, mesmo cometendo alguns erros, conseguiu, na minha opinião, ficar marcada como um dos melhores produtos produzidos pela televisão aberta brasileira nos últimos tempos. Ainda tenho 20 anos, ou seja, assisti relativamente pouca coisa, mas O Rebu teve um saldo extremamente positivo.

A história, como já falei aqui, girava em torno do assassinato de Bruno Ferraz no meio de uma festa da alta sociedade carioca. Depois de toda a investigação, era chegada a hora do público descobrir quem era o temido assassino. Os autores seguiram um andamento lógico, sem tentar criar uma reviravolta mirabolante nos minutos finais e acertaram em cheio.

No fim das contas, o assassinato foi atribuído à empresária Ângela Mahler, com um dedinho de cumplicidade de Duda. Fazia total sentido, mas o que me incomodou foi a maneira como esse mistério foi revelado. Desde o penúltimo capítulo, os espectadores mais atentos conseguiriam sacar toda a história. Eu tenho pra mim que pouco foi deixado para os últimos momentos.

A Duda foi uma das minhas principais suspeitas desde o início, por conta daquela cena dela cantando para o Bruno. Eu desconfiava que ela tinha se emocionado daquele jeito por já saber da morte, tanto que quando viu o corpo na piscina seu desespero nem era tão grande quanto o esperado. Eu estava certo em partes, mas a reviravolta em torna da Ângela não colou comigo. O público sabia que a causa da morte não tinha sido a pancada na cabeça, então quando ela conta pra Ângela tudo o que fez, já dá pra sacar quem é que vai finalizar o trabalho.

Mais isso não tira o mérito do complexo roteiro construído por George Moura, que conseguiu amarrar tudo de maneira prática e funcional. Todos os personagens tiveram fins dignos e tudo foi desenvolvido detalhadamente de maneira intensa e poderosa.

Nada também pode tirar os méritos do diretor José Luiz Villamarim e de toda sua equipe, que nos brindou com cenas belíssimas. A direção de arte, o som e a fotografia trabalhavam em conjunto para dar ao público brasileiro uma experiência diferenciada. O meu destaque ainda é o plano-sequência de abertura, que foi repetido nesse último episódio, por ter apresentado boa parte dos personagens e suas relações com movimentos de câmera complexos e perfeitos.

E faltando uma peça pra fechar a série, temos que falar daquele elenco mais do que sublime. Não tenho um adjetivo perfeito para nomear o trabalho feito por Tony Ramos, Patrícia Pillar, Cássia Kis Magro, Marcos Palmeira, Sophie Charlotte, Daniel de Oliveira, José de Abreu, Camila Morgado, Jesuíta Barbosa, Maria Flor, Julio Andrade e Dira Paes (a única que errou um pouco do tom, mas também merece elogios). Sem contar outros atores menos conhecidos que fizeram trabalhos interessantes e se revelaram, como os interpretes da ninfeta Mirna e do cozinheiro Adão.

Talvez se tivesse menos capítulos, O Rebu funcionaria melhor, mas ainda é uma obra brilhante e completa que merece lugar na história da Rede Globo. Inovadora, diferente, crítica e atemporal como poucas séries conseguem ser.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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2 Comments

  1. […] em suas séries, minisséries e até em algumas novelas, principalmente aquelas da faixa das 11h. O Rebu, Amores Roubados, Amorteamo, Verdades Secretas, Justiça, Nada Será Como Antes e por aí vai, são […]

  2. […] assassino ou o tempo que se passa entre o início dos flashbacks e a fatalidade. É nessa vibe de O Rebu que a HBO apresenta Big Little Lies, sua nova e acertadíssima […]

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