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Um bom romance para a Netflix


Love-NetflixQuem já assistiu Freaks and Geeks, O Virgem de 40 anos, Ligeiramente Grávidos, Segurando as Pontas, Tá Rindo do Quê? e até a série Girls já sabe o que esperar do envolvimento de Judd Apatow em qualquer programa sempre resulta em uma divertida mistura entre comédia e romance. Logo não tinha como esperar algo diferente da sua nova série em parceria com a liberdade criativa da Netflix, certo?

A resposta seria parcialmente certo, porque essa expectativa toda some quando percebemos desde o primeiro episódio de Love que essa típica história dos encontros e desencontros de um casal cheio de defeitos e incompatibilidades não se apoia tanto no humor quanto os trabalhos anteriores do roteirista e diretor. Claro que existem alguns momentos engraçados, mas 80% das piadas não funcionam e perdem a oportunidade de criar bons momentos através de personagens realmente problemáticos.

A sorte da série é que isso não faz tanta falta assim, já que todo o resto funciona, principalmente o romance entre dois protagonistas comuns e reais. A identificação do público com algumas características e ações de Gus e Mickey são imediatas e isso faz com que seja impossível não torcer por eles de alguma, querer acompanhar o desenrolar de todas as idas e voltas e esperar pelo desfecho relativamente interessante, considerando que a segunda temporada já foi confirmada.

Mesmo falhando nas piadas visuais mais simples, a direção também tem alguns bons acertos em relação ao uso desses personagens em situações do cotidiano de qualquer ser humano e, principalmente, na continuidade da história. Aproveitando o formato de lançamento da Netflix, eles conseguem fazer episódios que começam onde o anterior parou e criam uma continuidade que vai na contramão da maior parte das comédias e funciona muito bem aqui.

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Entretanto, maior parte dessa conexão quase instantânea com que assiste é mérito do elenco muito bem escolhido, particularmente os protagonistas Gillian Jacobs (Community) e Paul Rust (que também é criador e roteirista da série). Mesmo com algumas limitações, eles encarnam as características e as paranoias dos seus personagens com destreza, enquanto apresentam uma ótima química entre si e com as participações menores de Claudia O’Doherty, Iris Apatow (filha de Judd) e Briga Heelan.

No final das contas, eu ainda acho que Love seria muito melhor se acertasse o tom das piadas e decidisse usar a abordagem cômica com mais frequência, mas, mesmo assim, a série é bonitinha, divertida e – por incrível que pareça – o romance é bom o suficiente para prender a atenção do público pelos seus dez episódios. Nâo é o melhor produto original da Netflix, mas funciona e pode ser assistido com tranquilidade.


OBS 1: Uma coisa meio aleatória que ajudou a me prender é o fato do protagonista ser nerd e fazer várias referências a filmes no decorrer da temporada.


odisseia-07

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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