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A segunda semana de Justiça, prometia uma narrativa mas lenta e sem tantas revelações, já que tivemos 4 primeiros capítulos impactantes na semana passada, e ainda faltam 12 episódios para o fim. Felizmente, contrariando minhas expectativas, tivemos muitas revelações e uma evolução dramática que permeou a maioria das histórias. Confira a análise da primeira semana aqui, e vamos em frente:

Violência social e psicológica

Na semana passada, vimos que Elisa (Débora Bloch) não conseguiu seguir em frente com seu plano de vingança, e nesta percebemos que o motivo da ressalva a incomodou bastante. Os diálogos afiados com Heitor (Cássio Gabus Mendes) continuam, e um pouco mais da visão do “outro lado” fazem deste capítulo um dos melhores da série até aqui em questão de roteiro. Ver o Vicente de Jesuíta Barbosa (um dos maiores atores em ascensão) mostrando uma faceta diferente do playboy mimado e machista é um grande acerto e a cena em que a câmera na mão o segue até o antigo quarto de Isabela (Marina Ruy Barbosa) é um deleite.

Neste capítulo vemos um pouco da trajetória de Vicente, e sabemos que o mesmo passou por um conflito interno, chegando quase as vias de fato, quando foi impedido pela sua salvadora Regina, vivida pela linda Camila Márdila (Que Horas Ela Volta). A personagem é responsável por trazer a alegria de Vicente ao mundo com sua filha Isabela (por mais bizarro que isso possa parecer).

Durante o capítulo, o jogo de gato e rato entre Vicente e Elisa é o destaque. Em busca do perdão da mãe, os encontros geram coincidências convenientes, mas que não chegam a afetar a trama. Aqui, as conexões não foram de certa forma importantes, a não ser pela aparição breve de Fátima a procura de emprego, e ver tanto nela como em Elisa o pesar do tempo, além de ver duas excelentes atrizes atuando. Já a ligação com Débora (Luisa Arraes) e Rose (Jéssica Ellen) é bastante gratuita e não precisava existir. A subtrama paralela entre Téo (Pedro Nercessian) e Vanessa (Giovana Echeverria), não move a história principal, mas ajuda a nos situar no mundo atual.

Recentemente tivemos o caso de estupro coletivo, em que 33 homens abusam de uma moça desacordada e seu vídeo foi compartilhado milhares de vezes. Aqui um vídeo de Vanessa em um momento íntimo com Téo circula pela faculdade, e temas como hipocrisia, fraqueza psicológica e falta de confiança são abordados, gerando o ato impensado de Vanessa e a hostilização de Téo, que vale lembrar, traduz uma sociedade violenta que deseja fazer justiça com as próprias mãos.

fatima

O passado (ainda) incomoda muita gente

Com exceção do pequeno plano sequência inicial na cena de Fátima (Adriana Esteves) resgatando Douglas (Enrique Diaz) do incêndio em sua casa e do show de atuação em que Adriana encarnou nuances da Carminha de outrora, o episódio de terça tem muitas semelhanças com o de segunda. Se na segunda vemos Elisa (Debora Bloch) tentando voltar a ativa como professora e seguir em frente, neste, Fátima começa a arrumar sua casa, que apresenta um visual mais aconchegante e menos assustador do que quando estava, simbolicamente e literalmente coberta por um matagal.

Além disso, após o encontro com Regina (Camila Márdila) a mulher de Vicente fazendo uma conexão pontual, Rita resolve começar o próprio negócio com o objetivo de seguir em frente. Com isso desperta o interesse do mestre de obras e cantor de bares Firmino (Julio Andrade), que deve ter papel crucial na vida de Fátima pelo calibre do ator. Outro ponto semelhante com o episódio de segunda, é mostrar o outro lado de um personagem, assim como conhecemos mais de Vicente na segunda, nesta é a vez de Douglas, e por mais maldoso que o personagem poderia ter sido, mostrou que realmente tem a mente fraca e era bastante influenciado, causando certa empatia por parte do público.

A relação entre Fátima/Douglas é semelhante a relação de desconforto e consolo mútuo entre Vicente/Elisa. Mas o grande foco deste capítulo são as cenas emocionantes de dois reencontros. Uma pede que você desligue um pouco do senso de descrença, afinal, numa cidade grande como Recife, encontrar seu filho na primeira oportunidade parece conveniente demais. Adriana Esteves tem se firmado como a melhor atriz da minissérie e uma das melhores do país.

A naturalidade com a qual reencontra seu filho Jesus (Tobias Carrieres), apesar do ator apresentar algumas falhas na atuação, é convincente, Adriana segura a peteca e mantém ela até reencontrar Mayara (Julia Dalavia), que já tinha aparecido de relance no episódio de sexta (26/08) na “festinha” de Celso (Vladimir Brichta) para Maurício. Notamos que o motivo de Mayara estar ali trabalhando com Kelly (Leandra Leal), é meramente pessoal e até compreensível, mostrando que o passado ainda incomoda bastante. Como Douglas ainda ama Kelly, acho que ele pode acabar atrapalhando a vingança de Mayara, mas veremos.

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Justiça sem cor

Confesso que a história das quintas-feiras foi uma das minhas preferidas por abordar um assunto que muita gente acha que está extinto no Brasil: o racismo. Com fim do episódio passado, surgiu uma certa decepção de minha parte, pois a única personagem negra da minissérie foi de protagonista a coadjuvante em pouco tempo. Com o início do 7º capítulo de Justiça, achei que isso não aconteceria, pois Rose (Jéssica Ellen) está em primeiro plano sempre.

Além disso a fotografia documental  que a acompanha detona um certo destaque, o que acaba não acontecendo, e a história de Débora (Luisa Arraes) se torna bem mais interessante. O drama do estupro de Débora e sua busca pelo estuprador permeiam boa parte do capítulo, sendo que ela está decidida e seu marido deseja seguir em frente. Isso faz com que a cena do jantar com os amigos seja um dos momentos mais contraditórios, onde o roteiro instiga nossa própria imaginação.

Posso dizer que estamos diante do capítulo mais fraco até aqui. Não que isso seja seja ruim se tratando do nível alto de Justiça, mas não há evolução alguma de personagens. Ao contrario dos outros dois episódios da semana, os personagens tem uma leve linha de evolução, mas logo voltam ao status quo. Rose tem uma subtrama, aonde tem que ajudar uma amiga, que está presa e tem uma filha, a fralda da criança está cheia de drogas e Rose leva a menina para a casa de Débora.

Só nesta frase você viu Rose repetir atitudes impensadas de antes de ser presa, sem contar a relação com Celso (Vladimir Britcha), arrumando mais um inimigo pra sua coleção na figura de Kelly (Leandra Leal). Marcelo (Igor Angelkorte) é outro que tem uma subtrama, bastante forçada de início, um segredo revelado tarde demais, e para convenientemente deixar o personagem mais humano, o que não funciona, pois na cena seguinte ele continua sendo um babaca com Rose. Débora parece ser realmente a protagonista, pois foi a personagem que mais mudou durante os 7 anos.

A busca por Oswaldo (Pedro Wagner), seu estuprador, não avança na história e ele vive um conflito interno e externo sem saber se parte ou não para a atitude, o que fica bem claro na cena em que ela e Marcelo estão no carro, onde a câmera não sai de dentro do veículo. Se nas palavras, Débora quer seguir em frente, no fundo ela quer fazer Justiça, gerando a cena seguinte em que ela descobre mais uma vítima de Oswaldo e em sequência uma cena do estuprador olhando uma possível próxima vítima.

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O poder da vingança

Assim como vimos o atropelamento de Beatriz, nos outros 3 capítulos da 1ª semana, sob todos pontos de vistas, o 8º episódio desta semana avança um pouco a história de Maurício (Cauã Reymond), mas acaba sendo um copilado das outras histórias, só que de outros pontos de vista.

Temos a cena de Douglas (Enrique Diaz) atrás de Celso (Vladimir Britcha), na visão de Celso de dentro do quiosque, a visão de Antenor (Antonio Calloni) recebendo a notícia de que seu filho, Téo (Pedro Nercessian), foi o responsável pelo que aconteceu com Vanessa (Giovana Echeverria) e por aí vai. É importante dizer que apesar de Maurício ter pouco espaço no seu próprio capítulo, Cauã entrega uma performance incrível.

Apoiando a campanha de Antenor, o responsável por deixar sua mulher tetraplégica, Mauricio não esboça um riso, e no seu rosto sempre consta um pesar, como se algo o incomodasse. E incomoda. O fracasso de seu plano de vingança, mostrado de forma sutil, mas eficiente, ainda dá uma pequena cutucada no acidente aéreo envolvendo Eduardo Campos, candidato a presidência do Brasil em 2014.

Temos possibilidades infinitas nas história de Mauricio, Rose, Fátima e Vicente, e esperamos que isso seja explorado de maneira satisfatória e simples. Vicente e Fátima ainda tem as melhores histórias e dilemas, mas em partes parecem ter se resolvido. Já Rose e Maurício tiveram um desenvolvimento mais lento e têm um leque maior. Torcemos para que a história não se perca e continue nos prendendo na TV todas as noites.


Obs 1: Celso está em todas as histórias e participa direta ou indiretamente com elas. A Globo inclusive fez uma matéria disso. Confira aqui.

Obs 2Hallelujah quase não tocou nesta semana, sentimos saudades.

Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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