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Façam suas apostas! A corrida (de cavalos) pelo Oscar começou!


BoJack-Horseman-Season-3_poster_goldposter_com_1-1.jpg@0o_0l_800w_80qJá falei várias vezes por aqui que BoJack Horseman é uma das melhores coisas já produzidas pela Netflix, principalmente por ser um produto que só teria espaço nesse contexto de streaming. Apesar do choque inicial que nunca vai abandonar a série e alguns probleminhas ressuscitados por essa temporada, ainda temos um resultado inteligente, engraçado e extremamente subversivo que mantém suas principais características e deve agradar todos os fãs do “desenho”.

O terceiro ano do show, criado por Raphael Bob-Waksberg (que agora também vai trabalhar no roteiro da continuação de Uma Aventura LEGO), segue o cavalo mais famoso de Hollywood durante a divulgação do seu novo longa, Secretariat, e a consequente campanha para ser finalmente indicado ao Oscar. Mas é claro que, como sempre, a vida vai dar seu jeito de jogar contra o sucesso e a felicidade do nosso protagonista, que vai passar por poucas e boas durante 12 episódios.

O roteiro acerta em cheio ao continuar fazendo tudo que consagrou o programa, indo do drama ao humor mais ácido com uma agilidade incrível. Isso sem esquecer da bizarrice óbvia, que garante a existência de milhares de gags hilárias com os costumes dos animais (como uma enguia que precisa usar uma arma de choque), clipes musicais sobre aborto e um episódio mudo que se passa quase todo embaixo d’água. Tudo muito bem cadenciado e encaixado dentro desse universo que já foi completamente estabelecido nas temporadas anteriores.

As piadas também continuam muito afiadas, principalmente aquelas voltadas ao cotidiano dos famosos, o show business no geral e ao Oscar, que se tornou o principal alvo dessa leva de episódios. Assim o roteiro tira sarro de Sopranos, Sea World, cultura do estupro, sistema de indicações do Oscar, Black-ish, a média de idade dos votantes da Academia, Kiefer Sutherland, aborto, as relações entre famosos e suas babás, Margo Martindale e macarrão. Também não se esqueça Nicolas Cage, George Clooney, Robert Downey Jr., jornais impressos, publicidade, costumes italianos, lobby nas premiações, Jimmy Fallon, Edgar Allan Poe, machismo, feminismo e Deadpool. Ou seja, entre piadas físicas, sacadas geniais e pequenos easter eggs, tudo vira alvo de alguma zoação em BoJack Horseman.

Tudo isso realizado através de uma – cada vez mais – incrível equipe de dubladores, encabeçados pelos protagonistas Will Arnett, Amy Sedaris, Alison Brie, Paul F. Tompkins (o aumento da importância de Mr. Peanutbutter é muito bom) e Aaron Paul e pelos retornos maravilhosos de Patton Oswalt, Kristen Schaal, J.K. Simmons, Ben Schwartz e Alan Arkin. Além deles, a série contou com as magníficas adições (ou pequenas participações) de Angela Bassett, Diedrich Bader, Raúl Esparza, Lake Bell, Fred Savage, Constance Zimmer, ‘Weird Al’ Yankovic, Jessica Biel, Jamie Clayton, Greg Kinnear, Tessa Thompson, Dave Franco e Neil deGrasse Tyson. Um elenco realmente mágico que combina perfeitamente com o jeito da série.

Apesar de tudo isso funcionar muito bem, o terceiro ano também trouxe de volta alguns problemas e vícios que tinham sido extintos durante a temporada passada. O principal deles é a ausência de ligações claras entre os episódios criando arcos maiores para cada um dos personagens principais. Até existe uma pequena semente plantada nos primeiros episódios que gera algumas consequências no final, mas tudo é muito frágil e acaba deixando pelo menos um terço dos episódios basicamente soltos. São episódios divertidos que poderiam ser algo mais se realmente estivessem incluídos em algo maior.

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Automaticamente, isso prejudica a funcionalidade do drama, um elemento que sempre foi muito importante em BoJack Horseman. Por mais que seja uma ótima comédia, uma das maiores qualidades sempre esteve na transição entre o humor ágil e ácido para alguns momentos muito dramáticos, que dessa vez só deram as caras nos últimos três episódios. Fugindo de mais um confronto clichê com Todd e apostando na morte de uma personagem importante, o roteiro da série criou um final realmente forte que colocou em cheque todos os vícios e a carreira do protagonista. É justamente o alto padrão dramatúrgico desse final (que não deixou de ser engraçado e surpreendente em nenhum momento) a sensação de que ficou faltando algo no restante dos episódios.

Entretanto, apesar de ter apresentado um novo ano sutilmente inferior ao anterior, é muito importante dizer que BoJack Horseman continua sendo um programa digno da sua atenção. É uma série engraçada, sarcástica, cheia de referências ao mundo dos famosos e bizarra na medida certa que sabe abordar o drama de uma forma que faça o público refletir junto com os personagens. Claro que eu entendo o problema que alguns vão ter com as relações atípicas entre animais e humanos, mas posso adiantar que você se acostuma e, com o tempo, percebe todas as ironias que envolvem um cavalo correndo atrás de sua felicidade.


OBS 1: A quarta temporada já foi confirmada para 2017.


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Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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1 Comment

  1. […] que consegue casar sua persona expansiva tanto com os diálogos bizarros de Kristen Schaal (BoJack Horseman) e quanto com a ingenuidade inerente de Mel Rodriguez (Better Call Saul). O último perdeu um […]

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