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Séries

Séries: Ash vs. Evil Dead (1ª Temporada)

Um pouco mais de Ash, risos e sangue


5 de janeiro de 2016 - 11:00 - Flávio Pizzol

Por muito tempo nós esperamos por uma continuação digna de Uma Noite Alucinante (A Morte do Demônio para alguns), mas com certeza não esperamos que ela viesse com esse formato, essa qualidade e essa quantidade de sangue. Sem dúvida nenhuma, Ash vs. Evil Dead é uma das melhores surpresas da temporada.

Para quem não conhece a história de nenhum dos filmes dirigidos por Sam Raimi nem assistiu o remake meia boca de 2013, o filme original conta a história de um grupo de amigos que vai passar o final de semana em uma cabana e acaba com tudo após ler um livro misterioso. Depois de várias continuações insanas, a série volta a acompanhar Ash, o único sobrevivente daquela noite, quando ele libera todo o mal mais uma vez e tem que voltar a caça.

Para começar, um dos principais acertos da série, desenvolvida pelo próprio Sam ao lado de Ivan Raimi e Tom Spezialy, é usar e abusar da nostalgia, das referências descaradas aos filmes anteriores e dos tão queridos fan services sem ter medo de ir além do que já foi estabelecido, já que uma série precisa estabelecer sua própria mitologia para ter vida longa. Ou seja, cada momento da série é feito para saciar a vontade dos fãs, mas o roteiro não se esquece de quebrar algumas dessas marcas para dar novos e acertados rumos para a sua história.

Outro grande destaque da série está na grande dose de humor que não poderia faltar em uma obra que pode facilmente receber o título de trash. Tudo é construído para dar mais espaço para o humor, as cenas são pensadas para causarem risadas por conta da tosquice e o desenvolvimento ainda maior de Ash dá mais espaço para o jeito fanfarrão do protagonista ganhar espaço e brilhar ao lado de dois ótimos coadjuvantes que rapidamente conquistam o público.

A direção dos episódios cria a cereja do bolo quando consegue reunir isso tudo sem esquecer de colocar um pouco de terror, tensão e sustos no segundo plano. Entretanto, eles tem plena noção de que a força da série está no clima, nas cenas propositalmente toscas e nos efeitos baratos que arrancam risadas de qualquer um, por isso não poupam esforços para nos lembrarem daquele longa de 1981 feito com pouco dinheiro e aprimorarem ainda mais aqueles efeitos práticos que já enchiam os nossos olhos.

Por conta disso, acaba sendo realmente interessante assistir os pequenos making ofs apresentados no fim de cada um dos 10 episódios só para perceber o quanto cada membro da equipe é fã do material original, como eles se esforçaram para criar todos os efeitos de verdade (incluindo o livro falante) e, principalmente, quantos litros de sangue falso foram gastos em cada episódio. E podem acreditar que a série não ameniza e realmente pesa a mão de uma maneira surtada na hora de criar cenas de morte sangrentas e incríveis.

Todavia, nada disso seria possível sem a presença ilustre de Bruce Campbell. Seus companheiros de aventura, interpretados pelos carismáticos Ray Santiago e Dana DeLorenzo, são muitos bons, mas a série não poderia existir sem a canastrice que só Bruce sabe dar para o seu Ash, simplesmente porque é ele que reúne o humor, o sangue e as altas doses de nostalgia que fazem Ash vs. Evil Dead ser o que é.

Infelizmente muitas pessoas não vão ter essa visão, mas a união perfeita entre a comédia ágil, o gore pesado e o terror fazem com que essa seja uma das melhores séries do ano. Sem dúvida nenhuma, a série vai ter muito mais apelo com aqueles que já estão acostumados a esse tipo de produção, entretanto eu recomento que qualquer um assista os filmes originais e dê uma chance para Ash vs. Evil Dead em troca de motoserras, tripas e muita diversão.


OBS 1: Eu não poderia encerrar sem falar sobre a trilha sonora espetacular. É só esperar e curtir cada momento.