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Uma flecha cega e sem direção


Arrow_season_4_poster_-_Aim._Higher.Um amigo disse há pouco tempo que assistir Arrow é uma espécie de sadomasoquismo semanal. Não tenho como discordar e nem explicar porque ainda assisto uma série que consegue reunir como poucas um roteiro ruim, decisões que não fazem nenhum sentido, cenas de ação fraquíssimas e um elenco que não pode fazer nada para mudar esse status quo. Talvez o motivo tenha sido simplesmente escrever esse texto e aliviar toda a tensão de semanas a fio.

[Alerta: Spoilers podem te atingir em qualquer parte desse texto]

Mas para alcançar meus objetivos preciso fazer uma pequena recapitulação da temporada, que se dividiu basicamente entre a interminável jornada de Oliver Queen pela sua escuridão pessoal e a sua luta para salvar (mais uma vez) a cidade mais procurada por quem quer desenvolver atividades terroristas. Para isso, trouxeram Damien Darhk (Neal McDonough), um vilão que, da mesma forma que Zoom em The Flash, começou ameaçador para entrar aos poucos no caminho do desenvolvimento pobre.

Enquanto seu principal inimigo parecia ter uma única e repetitiva função na trama, Oliver Queen precisava abandonar sua pacata vida normal para voltar a ser o Arqueiro Verde em Star City. Uma primeira saída óbvia que já preparou o terreno para milhares de discussões rasas entre ele e Felicity, lições de moral envolvendo pelo menos um membro do grupo, tramas sem elaboração alguma, discursos bregas em cima de carros e frases de efeitos que povoam um roteiro que é simplesmente mal escrito.

O texto não consegue ter foco nenhum e demonstra isso claramente quando gasta tempo dos episódios finais com uma constrangedora discussão sobre verdade entre Quentin e Donna, sendo que ela mesmo admitiu ter mentido para Felicity no episódio seguinte. Isso porque eu nem quero falar muito sobre o desenvolvimento deplorável dos flashbacks que entram em cena do nada, ocupam um tempo precioso sem ter grandes consequências na trama principal e se encerram deixando claro que são fruto de um trabalho preguiçoso.

Apesar de tudo isso, a pior coisa da temporada foi a forma como a série banalizou a morte, eliminando personagens sem trabalhar nenhuma conexão emocional, jogando as consequências de cada um desses momentos no lixo ou simplesmente cagando tudo em uma das cenas mais importantes da temporada. Quero deixar claro que entendo todo o sentido da morte da Laurel e como ela mostra um vilão que cumpre suas promessas, mas não consigo aceitar todas as decisões que cercaram o antes e o depois da cena em si. A pior delas foi o anúncio desse acontecimento lá no primeiro episódio em um flasforward, que foi reexibido até perder sua força dramática, ignorou a sua já estabelecida linha temporal com The Flash (como Barry chegou correndo no velório se estava sem velocidade na sua série?) e ainda cortou todo o clima da cena quando foi devidamente encaixado em seu lugar.

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E o pior (não tenho outra palavra para usar aqui…) é que eles conseguiram cagar ainda mais essa morte com uma cena estupidamente mal dirigida, que errou ao levar ela para o hospital com a “fantasia”, usou todos os clichês possíveis e apelou até para o recurso do corte sem áudio antes de um corte brusco para o fim de Laurel Lance, ignorando o fato da médica ter dito que ela ia se recuperar. No entanto, isso é apenas o reflexo de uma direção desleixada que utiliza faíscas para afastar oponentes e não consegue acertar nem nas cenas de luta, que já foram bem coreografadas há algum tempo atrás.

Logicamente, que esse conjunto ainda complica – e muito – a vida de um elenco comprometido e dedicado. A direção horrorosa e o roteiro fraco não tem nenhuma capacidade de ajudar Stephen Amell, Willa Holland, Paul Blackthorne, David RamseyEmily Bett RickardsKatie Cassidy a deixar o show mais divertido e proveitoso para o público. Amell continua olhando para o nada em todos os diálogos, mas eu nem sei se posso culpar ele.

Depois de uma terceira temporada resumida em copiar histórias do Batman, eu só continuei por que ainda tinha esperança. Tudo o que consegui foi ser torturado durante 23 semanas, perder meu tempo em um texto completamente negativo e sair ainda mais decepcionado com a péssima qualidade que Arrow alcançou. Ainda não sei se volto para a quinta temporada, mas acho que a única solução viável para conseguir dar alguma direção para essa flecha é demitir toda a sala de roteiristas, abraçar a linha temporal criada em The Flash e mergulhar de cabeça em um reboot com urgência.


Obs 1: Uma das poucas coisas boas da temporada foram as participações especiais, principalmente de Curtis (Echo Kellum), Noah Kuttler (Tom Amandes), Brick (Vinnie Jones), Vixen (Megalyn Echikunwoke) e Constantine (Matt Ryan).


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Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

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1 Comment

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