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Séries: Agents of S.H.I.E.L.D (3ª Temporada)


20 de maio de 2016 - 16:00 - Flávio Pizzol

A melhor série de heróis da televisão aberta


agents-shield-season-3-comic-con-posterAgents of S.H.I.E.L.D começou apenas como uma fonte de divulgação para o universo cinematográfico da Marvel, dependendo inclusive das reviravoltas da telona para movimentar seu ano de estréia. A necessidade de se adequar ao final de Soldado Invernal fez com que a série largasse os tais casos da semana, desapegasse um pouquinho das referências cinematográficas e aprendesse a não ter medo da reinvenção. Algumas imposições continuam, mas o terceiro ano dá uma aula de roteiro e encerra mais um ciclo como o melhor programa de heróis da TV aberta.

[Missão: Não dar spoilers. Status: Não concluída…]

A temporada começou basicamente de onde tudo parou no ano passado, lidando com todos os ganchos óbvios e substituindo o cinema na função de desenvolver os Inumanos. Coulson está cada vez mais seguro na sua posição de diretor, May mudou de vida com o seu ex-marido, Jemma está presa em outro planeta, Fitz não desiste de salvar sua amada e Skye (ou Daisy, nesse caso) já aceitou seus poderes e sua função de recrutadora dentro da agência. Um ótimo ponto de partida que os roteiristas utilizam muito bem na hora de desenvolver cada uma dessas pessoas, incluir muitos easter eggs e trazer novos conceitos vindos dos quadrinhos, como os tão esperados Guerreiros Secretos.

Os ótimos episódios da primeira parte lidam com cada uma dessas personalidades de forma solta para poder desenvolver cada um emocionalmente e colocar todas as peças necessárias no tabuleiro. Um trabalho calmo e muito bem conectado que encontra seu ápice em um corajoso episódio sobre a vida de Jemma no espaço, sendo este o primeiro momento em que toda a trama foi apresentada. Tudo isso sem esquecer que são as dores, paixões e necessidades de cada um que vão realmente guiar a trama.

Inclusive, dar destaque para a interação entre os membros da equipe de Coulson é o maior acerto dos roteiristas até aqui, porque todos os personagens são acima da média, possuem química e funcionam juntos em qualquer formato escolhido. As evoluções individuais são marcantes, mas é fácil perceber que Clark Gregg, Ming-Na Wen, Chloe Bennet (linda), Iain De Caestecker, Elizabeth HenstridgeHenry Simmons, Nick BloodAdrianne PalickiLuke Mitchell também estão sempre muito confortáveis quando o foco fica no romance, na amizade e no senso de grupo. O espaço para esses momentos poderiam até ser maiores, mas eu fiquei satisfeito dom o que foi feito aqui.

No outro lado da história, apesar dos eventos de A Era de Ultron, a HIDRA continuou sendo a principal adversária dos protagonistas, junto com as ótimas adições de Gideon Malick (Powers Boothe), Grant Ward (Brett Dalton) e, posteriormente, o Hive (Colmeia em tradução livre). Todos eles tiveram seus momentos de destaque, fizeram a trama andar quando necessário e ainda fecharam algumas lacunas de temporadas anteriores, como a importância do próprio Grant que finalmente deve ter encontrado seu fim.

Agents-of-SHIELD-Season-3-Finale-GroupTudo isso sem deixar de lado a qualidade da produção, que só escorrega um pouquinho no visual de alguns personagens que são mal trabalhados ou escondidos por truques do roteiro. Isso é facilmente justificado pelo baixo orçamento das séries de televisão aberta e eu realmente acho que Agents of S.H.I.E.L.D sabe lidar com isso de maneira razoável, misturando poderes com artes marciais e criando cenas de ação muito inventivas, que nessa temporada incluíram até planos sequência durante algumas lutas.

Infelizmente, o final da temporada não entregou o suspense que prometia, porque acabou esbarrando em algumas saídas óbvias e na necessidade de não destruir esse mundo que vai continuar sendo retratado nos cinemas. Mesmo assim as histórias foram concluídas da maneira correta e Agents of S.H.I.E.L.D conseguiu manter seu padrão de não ter medo de transformar todo o seu universo. Isso ficou mais do que claro no ótimo arco de Daisy (que incluiu uma ótima passagem como vilã), na misteriosa mudança na cadeia de comando após a passagem de tempo e, logicamente, na apresentação de uma era ainda mais tecnológica para a próxima temporada com o surgimento de AIDA.

Eu ainda não sei se comprei a ideia de uma Daisy fugitiva, mas eu certamente acredito na capacidade dos roteiristas, dos diretores e do elenco da série. O trabalho interessante e cuidadoso de cada um deles foi essencial para que essa temporada fosse tão boa em relação as temporadas anteriores e aos outros shows com super-heróis. Envolvente, divertida e recheada de gêneros distintos durante todos os seus 22 episódios, Agents of S.H.I.E.L.D é uma série que sem dúvida merece ser assistida e apreciada pelos fãs dos quadrinhos e dos filmes.


OBS 1: Gostei muito da participação de John Hannah, Juan Pablo Raba e Natalia Cordova-Buckley e espero que eles tenham ainda mais foco na próxima temporada. Isso sem contar o retorno de Adrian Pasdar.

OBS 2: Não é qualquer série de TV aberta que consegue traduzir os discursos de minoria tão bem e colocar dois personagens latinos (um deles homossexual)  no centro da ação sem que isso ganhe um foco desnecessário.


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