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Filhos de Duna encerra um ciclo dentro da série, mas prepara terreno para o futuro


  • Título: Filhos de Duna
  • Autor: Frank Herbert
  • Ano: 1976
  • Edição: 2017
  • Editora: Aleph
  • Páginas: 528
  • Gênero: Ficção Científica

“Meu pai não levava em conta, em seu próprio tempo, com que rapidez a água faz tudo voltar ao chão de onde ela brotou”

Sinopse de Filhos de Duna

O Imperium vive um interregno após Paul Atreides abdicar de seu título de imperador e entregar-se ao deserto. Sua irmã, Alia, ascende ao poder como regente enquanto os filhos de Muad’Dib não são capazes de assumir o Trono do Leão. Herdeiros não só do poder político e econômico de seu pai, os gêmeos também carregam em suas veias toda a carga genética manipulada por séculos pela Irmandade Bene Gesserit. Mas a hegemonia dos Atreides está ameaçada. De seu exílio em Salusa Secundus, os membros da despojada Casa Corrino tramam uma complexa teia para retomar as rédeas do Imperium e se vingar de todos os envolvidos em sua queda.

Filhos de Duna tem o seu início nove anos depois do final dos acontecimentos em Messias de Duna. Se você não leu nenhum desses livros fica difícil ler essa resenha tomar spoilers. Porém, caso tenha algum interesse em ler a série e esteja lendo resenhas de cada um dos livros para decidir sobre isso, saiba que é um livro fodasticamente sensacional e sem ele a série não tem sentido.

Recapitulando: no final de Messias de Duna, Chani morre ao dar à luz aos gêmeos, Leto e Ghanima. Paul Muad’Dib, cego, segue a tradição fremen de vagar pelo deserto e não é encontrado. Alia assume o trono do Império como regente.

Em Filhos de Duna, o planeta Arrakis, antes um deserto, agora está cada vez mais verdejante. As pessoas não têm mais tanta necessidade de manter a disciplina da água, pois ela se encontra em maior abundância, correndo livre a céu aberto em rios e lagos. A cultura fremem passa a mudar drasticamente. Por outro lado, os vermes de areia, produtores da especiaria, o maior bem do universo, estão desaparecendo.

“Antes, ali era a terra onde nada crescia. Agora há plantas. Elas se espalham como piolhos numa ferida. Temos nuvens e chuva por todo lugar em Duna! Chuva, milady! Oh precisa mãe de Muad’Dib, assim como o sono é o irmão da morte, é a chuva no Cinturão de Duna. Ela é a morte para todos nós.”

Leto e Ghanima, assim como Alia, nasceram pré-nascidos, ou seja, tem em suas consciências a memórias de seus antepassados até tempos do início da civilização humana aqui na Terra. Alia, por sua vez, está perdendo o controle de sua própria consciência, e deixando uma de suas memórias antepassados assumir, ao mesmo tempo que tenta manter o Império dos Atreides e proteger seu poder dos seus inimigos.

Dessa vez, Filhos de Duna apresenta um complô formado pelo que restou da Casa Corrino, família do antigo Imperador, e a Bene Gesserit, agora tendo Lady Jessica como aliada. Porém, os gêmeos têm seus próprios planos, e a maneira de manipular as pessoas e o cenário ao seu favor.

“Muitas forças buscavam controlar os gêmeos Atreides […] A Irmandade […] A hierarquia da Igreja de Auqaf e Hajj […] A CHOAM […] Poucos pensavam em perguntar aos gêmeos quais eram os planos deles, antes que fosse tarde demais”

Sendo uma releitura e já sabendo o final de Filhos de Duna, foi muito mais fácil ver as dicas que o autor foi dando para chegar lá. Não são dicas fáceis de se interpretar, mas elas estão ali. É muito bem escrito, a maneira como vai se desenvolvendo é genial. Camada por camada tudo vai se desenrolando, até chegar no final, onde tudo se conecta de uma maneira surpreendente.

O que achamos do livro Filhos de Duna?

Filhos de Duna é o livro da série em que a questão ambiental é melhor trabalhada. Sim, em Duna vemos como é a vida no deserto, qual a importância da água, quão grande é a necessidade da água, e como tendo o seu excesso a sua falta afeta toda a cultura de uma população. Porém, aqui também temos uma mensagem muito forte sobre o meio ambiente: não se deve alterar um bioma. Falei certo biólogos? É bioma que chama? Enfim, vamos com bioma.  Mesmo que esse bioma seja desértico, quente, inabitável. A natureza sempre será mais sábia do que o homem, e quando o dedo podre do homem mexe nela, vem o caos.

“Com a mesma clareza de quem tivesse testemunhado os acontecimentos, ele via o que havia se passado nesse planeta, e isso o preenchia com a sensação premonitória das mudanças cataclísmicas que a intervenção humana estava desencadeando.”

Filhos de Duna tem o desenvolvimento de ótimos personagens novos, como os gêmeos, mas também antigos, como Stilgar e Duncan Idaho, que para mim foram os mais destacados. Temos a volta de Lady Jéssica, mostrando novamente a mulher perspicaz que é. Filhos de Duna também traz a misteriosa figura do Profeta, um homem que anda pelas cidades discursando contra o governo teocrático de Alia e seus sacerdotes, contra a religião, o jihad e o próprio Muad’Dib, e muitos acreditam que ele mesmo seja o Muad’Dib retornado do deserto, que tenha sobrevivido mesmo cego.

“A sua é uma religião de verdade quando você comete atrocidades em nome dela?”

Filhos de Duna encerra um ciclo dentro da série, porém faz toda preparação para o ciclo que há de vir com o livro 4, Imperador Deus de Duna.

Gostou da resenha? Você pode estar adquirindo seu livro em versão física ou digital aqui.

E a saga de Duna está longe do fim.

Aqui é a Liv do Resenhas Caóticas, e se você quer acompanhar mais as minhas leituras, me siga no Instagram @ResenhasCaoticas. Obrigada e até a próxima.

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Livia Salzani

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