Dança da Morte
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Dança da Morte é um típico livro de Stephen King, onde cada detalhe é mencionado e a história tem seu próprio tempo

As Mil duzentas e sessenta e oito páginas são importantes quando inserimos todo o contexto da obra nesses tempos de quarentena. 


  • Título: Dança da Morte
  • Autor: Stephen King
  • Páginas: 1268
  • Ano: 1978/1990
  • Edição: 2012
  • Editora: Suma
  • Gênero: Ficção científica pós apocalíptica, terror

“Meus companheiros americanos, peço a vocês que fiquem em casa.”

Dança da Morte é um dos livros que eu mais queria ler de Stephen King. Fazendo parte do chamado Kingverso, onde as histórias convergem com a famosa série A Torre Negra do autor, e é uma das obras mais famosas dele, seja pelo tamanho, seja pela história em si.

Já foi lançada uma adaptação em minissérie para televisão, em 1994 e estrelada por Gary Sinise, e em dezembro deste ano será lançada a série The Stand (nome original da obra), com Whoopi Goldberg, Alexander Skarsgård, James Marsden e Amber Heard.

Confira o trailer:

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Lançado em 1978 com mais de 800 páginas, foi relançada em 1990 numa versão estendida. No prefácio, o autor fala que na primeira edição, muito do que ele queria publicar foi cortado, a fim do livro ficar menor e mais comercial. A nova edição trouxe mais informações, que ele diz serem importantes para um melhor entendimento. Claro que eu dei preferência por ler a versão estendida e ter a história na íntegra, do jeito que o autor quis escrever.

Eu deveria ter lido a versão não estendida.

Ou deveria ter lido numa época da vida que não estivesse organizando de mudança e cuidando de um gato doente.

Mas o negócio é que, pra mim, essas mil duzentas e sessenta e oito páginas, mesmo lidas no kindle e sem o peso do livro, foram sentidas.

Alguma impressões sobre o livro Dança da Morte

Já estou acostumada a Stephen King fazer várias descrições nos livros, tanto de pensamentos aleatórios e engraçados dos personagens, quanto de coisas do dia-a-dia deles e de todo mundo, que ajudam a dar uma sensação de uma história mais verídica e de se relacionar melhor com os personagens.

Porém, Dança da Morte tem muitos personagens e o autor se preocupa em contar toda a vida deles para mostrar o que fez com que eles chegassem onde chegaram, fizessem o que fizeram e falassem o que falaram, além de descrever cada curva das estradas por onde eles passam, e as vezes contar a história dessa estrada.

E isso atrapalha principalmente porque Dança da Morte é um livro interessantíssimo, com um plot que me deixou mega ansiosa para chegar no final e descobrir como termina, e esse monte de descrição inútil me deixava com raiva de ter a sensação de que era só encheção de linguiça, mais do que ser importante realmente pra história, e que isso tudo estava no caminho para chegar ao fim.

Stephen King é um ótimo escritor, tanto que eu não desisti do livro e me deixou presa nele. Porém ele não tem a poética de Tolkien para descrever um ambiente ou um cenário, então as descrições em Dança da Morte ficavam mais parecendo instruções de como chegar do ponto A para ponto B e uma lista de coisas que tinham num caminho.

Uma coisa que senti falta em Dança da Morte foi de mulheres independentes e fortes. Tinha. Não vou mentir. Mas comparado a outras obras do próprio autor, mesmo mais antigas, as que aparecem são de forma muito rápida, deixando destaque a personagens que são fortes pela situação que passam, talvez não tenham o reconhecimento que merecem. As mulheres que aparecem mais parecem que são para enaltecer seus machos. E os romances aqui são bem do tipo “piscou, xonou”.

Bom, desabafei o que tinha pra desabafar, agora vou contar a história.

Dança da morte é um clássico de Stephen King

Foto: Divulgação

Qual a história de Dança da Morte?

Em Dança da Morte, um vírus, apelidado de Capitão Viajante, é solto acidentalmente em um laboratório dos EUA, se espalha rapidamente pelo país, talvez pelo mundo mas isso não fica muito certo, matando 99% da população. Os sobreviventes começam a ter sonhos em comum. Parte deles começam a sonhar com uma velhinha negra conhecida como Mãe Abigail, que mora no Nebraska, e os convida para vir encontrá-la, parte sonha com um outro homem, que os chama para ir para Las Vegas.

A ideia do livro é criar um pouco essa dicotomia entre o bem e o mal. Mãe Abigail afirma que foi Deus quem mandou ela numa missão e que Ele está atraindo as pessoas para ela. Ela tem visões e sabe onde as pessoas estão e quando vão chegar. O homem escuro, vilão que eu já conhecia não só de A Torre Negra, mas também de Olhos de Dragão, representa todo o mal, Satanás, e nos sonhos se mostra como um homem completamente encapuzado, como a própria Morte.

O livro é dividido em 3 partes, a primeira tem um foco em apresentar os personagens principais, onde eles vivem, como eles comem, o que eles fazem, hoje, no Glob… Essa apresentação conta não só a história dessas pessoas, mas vai mostrando a evolução da pandemia, a Dança da Morte, que assola o país. É um início até bem interessante, pois vai nos fazendo ter simpatia pelas pessoas, sejam elas “do bem” ou “do mal”.

A segunda parte já se concentra na movimentação das pessoas pelo país, para chegar onde Mãe Abigail ou o homem escuro estão. Aqui tem mais um pouco de desenvolvimento de personagens, alguns novos são apresentados e é bem interessante até. Mas começa a descrição de cada curva de cada estrada e eu pesquei horrores com isso. Porém, nessa parte de Dança da Morte, começamos a ter mais convergência de alguns personagens da primeira parte, e vai construindo um cenário mais interessante.

“Eu sabia que este tipo de coisa poderia acontecer… perdão, aconteceria… mas acho que só eu sabia disso, de uma forma acadêmica. Isto é um bocado diferente do que insistir nas velhas sessões de livre debate.”

Esses sobreviventes, dos dois lados, vão tentando a sua maneira conseguir reconstruir a civilização. Um dos personagens de Dança da Morte é um sociólogo, e é bem interessante ler as ideias dele sobre a construção de uma comunidade pós pandemia apocalíptica, além de ver o medo dos sobreviventes a se ter uma nova pandemia. Mesmo que o covid-19 não tenha o poder de destruição do Capitão Viajante, não tem como não associar com o cenário que estamos vivendo após uma quarentena fechada, que ainda tem muito pela frente até que possamos voltar a vida normal. Ou aprender a conviver com o novo normal.

“Em breve as pessoas aqui vão acordar para o fato de que as velhas normas já eram e que elas podem reestruturar a sociedade e qualquer antiga norma a seu bel-prazer.”

Na terceira parte de Dança da Morte, vemos o resultado de toda essa convergência e FINALMENTE um encaminhamento para um conflito entre os dois lados. É onde o autor apresenta como é a sociedade e as pessoas do outro lado, e isso é bastante surpreendente. O autor realmente mexe com a ideia de se o ser humano é realmente mal ou se a influência externa é quem faz isso.

“Ninguém pode dizer o que se passa entre a pessoa que você foi e a pessoa na qual se transformou. Ninguém pode reservar aquela azul e isolada seção do inferno. Não há mapas de troca. Você simplesmente… passa para o outro lado.”

O Livro Dança da Morte vale a pena?

Infelizmente Dança da Morte, apesar de sua enormidade, não responde algumas das perguntas causadas exatamente por isso. O que nos faz bons ou maus? As pessoas que seguiram o homem escuro eram realmente ruins ou só foram influenciadas por ele? Cadê o livre arbítrio? Aqueles que seguiram Mãe Abigail eram todos, em sua essência, pessoas boas mesmo?

“O pessoal de Vegas não era mau, porém não havia muito amor naquela gente. Porque se ocupava demais em sentir medo. O amor não vicejava muito bem num lugar onde só havia medo, tal como as plantas não se desenvolviam muito bem onde estava sempre escuro.”

Com um final típico de Stephen King, isso é, decepcionante e cheio de mortes completamente desnecessárias, achei mais interessante as reflexões que o livro deu, visto o cenário atual, do que me emocionei com os personagens e a história em si.

Não me arrependo de ter lido, porém sem saber cada curva de cada estrada dos EUA seria mais proveitoso. Acredito que a série tem muita informação para ser uma boa adaptação, talvez até mais emocionante e proveitosa que a leitura.

Todos os elementos estão ali.

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Livia Salzani

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