Quando Falta o Ar – Crítica | Festival É Tudo Verdade 2022

quando falta o ar

Quando Falta o Ar – Quanto a gente tá devendo a Deus?


“Imagina se a gente tiver que começar a pagar pelo ar que respira…
Quanto a gente tá devendo a Deus?”

Essa é a reflexão feita por um detento, que do lado de dentro, não tinha como saber que aqui as pessoas já sucubiam pela falta desse recurso básico da sobrevivência humana: o oxigênio.

Ana e Helena Petta já são conhecidas pelo saudosismo que têm pelo SUS com trabalhos como “Unidade Básica”, série do Globoplay que retrata a rotina de profissionais da área da saúde. Como se esse já não fosse um tema intenso o suficiente, elas decidiram ir além com o documentário “Quando Falta o Ar”.

+++ É Tudo Verdade 2022 | Festival de documentários divulga a programação completa

Quando Falta o Ar - Crítica | Festival É Tudo Verdade 2022 3
Foto: Divulgação É Tudo Verdade 2022

Qual a trama de Quando Falta o Ar?

O filme, que foi gravado no auge da pandemia entre 2020 e 2021, passa por 5 estados brasileiros, e com muita sensibilidade e respeito às diretoras abordam a rotina de profissionais mulheres, que estiveram na linha de frente no combate a Covid-19. Através dessas personagens, somos apresentados à vida daqueles que sofreram com o contágio.

O que achamos do filme?

No início, já somos surpreendidos com um corpo em transferência pelos corredores do hospital, não para um novo leito ou para a UTI, mas para o necrotério do lado de fora do prédio hospitalar, por causa do risco de transmissão do vírus. E apenas nesse começo, o choque já está instaurado. O susto de ver uma pessoa morta nos prepara para o que vamos ver no decorrer do documentário.

Mas, se a realidade da morte choca, imagina quando nos depararmos com realidades tão distintas e distantes da nossa? Pessoas vivas em situações que sequer passaram pela nossa cabeça, seja pela falta de conhecimento ou pelo momento que não nos permitiu olhar para os lados. E é exatamente isso que o documentário nos mostra, que a pandemia não tinha um alvo específico, ela era capaz de atingir impiedosamente qualquer um que duvidasse de sua existência.

Mas há os alvos mais vulneráveis, seja pela saúde ou pela posição social. E as personagens que protagonizam o longa nos conduzem a essas realidades díspares, assim, somos arremessados entre hospitais, penitenciárias e periferias. Através dos olhos delas, vemos a luta para preencher as lacunas de necessidades básicas que qualquer cidadão deve ter acesso.

+++ A História do Olhar – Crítica | Festival É Tudo Verdade 2022

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Foto: Divulgação É Tudo Verdade 2022

Mas em alguns lugares esses direitos são ignorados, como é o caso dos detentos, que suplicam por chinelos e cobertores para amenizar os sintomas da doença ou de ribeirinhos, que sem acesso a uma UBS, dependem da visita de agentes de saúde para terem a garantia de que ainda estão saudáveis. Outra pauta citada, é o dilema de famílias de baixa renda, que perderam a perspectiva durante pandemia, e na luta para conseguir o mínimo, se arriscam saindo de casa em busca de trabalho.

Dessa forma, a desigualdade social vai sendo exposta. A agente de saúde, que é um alento para os olhos daqueles que não tem informação ou ajuda, mostra que a vida dela não passa nem perto de ser diferente daqueles que ela atende na rua, provando mais uma vez que estamos todos no mesmo barco, ainda que em classes diferentes.

“Quando Falta o Ar” é um tapa na cara daqueles que permanecem dentro de suas bolhas desdenhando do sofrimento alheio e ignorando as medidas de segurança.

No decorrer do longa, acompanhamos tantas histórias que nem percebemos que essas pessoas não nos foram apresentadas, mas diferentes dos números do jornal, aqui nós esbarramos nos fatos, que são duros para aqueles que estão a mercê e não tem o privilégio de desacreditar do que está acontecendo no mundo.


Filme visto no Festival É Tudo Verdade 2022, que acontece entre os dias 31 e março e 10 de abril. Para mais informações clique AQUI.

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