AODISSEIA
Especial

Projeto 52: Onde os Fracos Não Tem Vez

Subvertendo as expectativas.

28 de janeiro de 2018 - 21:11 - Tiago Soares

Mais uma semana, mais um filme no Projeto 52, seguindo a lista da Mariana Paiva do site Querido Click, que resolveu lançar um desafio de cinema: nas 52 semanas do ano, iremos ver um filme sobre algum tema.

O objetivo principal é um texto todos os domingos até a última semana do ano. Neste domingo o tema é Ganhador do Oscar e resolvemos falar de um filme indicado a 8 estatuetas, vencendo 4 delas – que completa 10 anos de sua estreia aqui no Brasil – além de 10 anos de sua vitória como melhor filme. Aproveitem e deixem comentários com dicas de filmes sobre os temas.

Ganhador do Oscar

Mais um daqueles filmes que estavam na minha lista interminável. Vale lembrar que o Projeto 52 não é apenas um projeto do Odisseia ou pra vocês, é um desafio para mim também. O compromisso de estar toda semana escrevendo sobre um filme que, além de estar dentro do tema, obrigatoriamente eu não tenha assistido, exige dedicação.

Onde os Fracos Não tem Vez se passa nos anos 80 e conta a história de Llewelyn Moss (Josh Brolin), um clássico caçador texano, que por acaso acaba encontrando o fim de uma negociação entre possíveis traficantes que deu muito errado. Neste cenário, ele encontra 2 milhões de dólares e acaba levando-os consigo, sem se dar conta do perigo que isso atrairia.

Paralelo a ele está Anton Chigurh (Javier Bardem), um frio psicopata, disposto a pegar o dinheiro, não apenas pelo prazer, mas pela honra, tornando Moss caça ao invés de caçador. Tudo isso narrado por Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones), que investiga o eterno jogo de gato e rato entre os dois.

Estamos diante de um dos filmes mais bonitos e bem dirigidos dos irmãos Coen. Eles adaptam a obra de Cormac McCarthy (No Country for Old Men), e deixam o texto a cargo dele. Sendo assim, a única preocupação de Joel e Ethan é a direção, algo que eles fazem brilhantemente, através de enquadramentos belíssimos e cheios de simbologia.

O sarcasmo dos Coen está presente, e suas famosas “comédias do desastre”, dão lugar a apenas desastre, limitando a comédia apenas ao visual do vilão de Barden, que tem um cabelo no mínimo, exótico. Sabendo trabalhar seus personagens – que são as maiores qualidades de suas obras – os Coen entregam uma história simples, mas que ganha riqueza à medida que conhecemos mais as personas.

Brolin é unidimensional, mas inteligente. Veterano e estrategista, seu Moss traz consigo o peso de batalhas passadas, é um sobrevivente. Barden é o clássico vilão dos Coen. A primeira temporada de Fargo – série de Noah Hawley – traz um vilão desses, por sua vez, baseada na obra dos irmãos. Seu Chigurh é metódico, calmo, quase não sorri – não explode de forma caricatural. Sem dúvida é um dos melhores vilões do cinema e um dos maiores psicopatas.

O Ed de Tommy Lee Jones foge dos papéis carrancudos do ator, servindo como uma espécie de alma cansada cheia de esperança, procurando entender o que está acontecendo em sua pacata cidade.

A cinematografia de Roger Deakins (meu fotografo favorito), alterna entre as noites frias e penumbrosas e o calor do deserto – algo parecido com o que fez em uma de suas obras mais recentes – Sicário: Terra de Ninguém. A trilha é quase inexistente e quando aparece é na maioria das vezes para causar desconforto.

O final – para muitos decepcionante e deveras interpretativo – subverte as expectativas, dando um gosto de quero mais misturado com um ponto de interrogação enorme. A questão é que Onde os Fracos Não Tem Vez é um filme sobre derrotas, fracassos em missões, mortes e muito sangue. É praticamente uma ode ao mal.


Obs: Onde os Fracos Não Tem Vez está disponível na Netflix.


O site está fora do ar e o canal da Marina está parado a um bom tempo, mas deixarei os links caso queiram acompanha-la.

Blogqueridoclick.wordpress.com/

Sitequeridoclick.com.br/

Youtubewww.youtube.com/user/QueridoClick/


– Tema da próxima semana: Animação. Até Lá!