Músicas

Pabllo Vittar (111): repetição musical metalinguística

pabllo vittar
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Pabllo Vittar antecipa seu novo CD, “111”, que junta tudo que a cantora fez em trabalhos anteriores, com poucas novidades


Título: 111
Artista: Pabllo Vittar
País: Brasil
Lançamento: 24 de março de 2020
Gravadora: Sonic Music Brasil
Número de faixas: 9
Duração: 22min25seg

Estamos acostumados a ver a cantora Pabllo Vittar se reinventar, seja visual ou musicalmente falando. O salto de qualidade de sua voz é evidente, desde seu primeiro disco “Vai Passar Mal”, onde reuniu músicas chicletes e sucessos que estão na boca do povo até hoje. Com uma pegada pop, ela muda totalmente de foco no segundo trabalho “Não Para Não”, que une batidas do forró, tecnobrega e muita influência da música maranhense, local de sua origem.

No primeiro trabalho havia problemas em relação a originalidade, muito por conta de sua inspiração em divas pop. Mesmo assim a maioria das músicas são excelentes. No segundo, mais original até em sua identidade visual, ela une o pop ao regionalismo. Agora, em “111”, o que se vê é um compilado de tudo que a cantora já fez. É como se Pabllo Vittar atirasse para todos os lados e feats para saber se vai dar certo ou não.

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Não me leve a mal, “111” tem suas vantagens e músicas memoráveis, mas não apresenta nada de novo na (ainda) curta jornada de Pabllo. O novo disco foi liberado mais cedo devido a vazamentos na internet, e 4 músicas já tinham sido liberadas em novembro numa espécie pré EP, comemorando o aniversário da cantora no dia 1º de novembro (motivo do título do álbum).

Abrir seu terceiro disco com a faixa “Parabéns” foi um grande acerto, já que é a canção mais animada e se tornou um dos hits do carnaval 2020. A voz de Pabllo se encaixou perfeitamente na rouquidão de Márcio Vitor do Psirico, criando um axé pop de responsa e é o feat mais “natural” do disco. “Tímida” é mais um feat, dessa vez com Thalía, a cantora e atriz mexicana (eterna Maria do Bairro/Marimar,Maria Mercedes), traz o ritmo latino a essa canção cantada toda em espanhol.

Infelizmente a letra é fraca, apesar do refrão chiclete, praticamente a mesma coisa que acontece com “Lovezinho”, parceria com Ivete Sangalo. Nada memorável, a faixa traz a voz potente da cantora baiana, num arrocha até gostoso de ouvir, e vai ganhar clipe em breve.


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“Amor de Que” é meu xodó de “111”. Nela, Pabllo Vittar traz sua voz de forma mais potente, além do forrozinho que marcou o disco anterior. Também um dos hits do carnaval deste ano, a música tem um dos clipes mais bonitos e representativos da cantora. Ganhou uma versão brega funk para o carnaval, mas a original é mil vezes melhor.

“Salvaje” é mais uma em espanhol do recente trabalho. Apesar do idioma ainda não cair muito bem na voz de Pabllo, este love song tem uma letra potente, ritmo dinâmico e é a melhor dela na língua hispânica. Se no espanhol ainda não está muito bem, Pabllo Vittar arrasa no inglês e em “Flash Pose”, parceria com a cantora, compositora e diretora britânica Charli XCX. O som já foi um hit em diversas baladas LGBTQI+.

A próxima foi produto de uma campanha publicitária com a Coca-Cola, que combinou a voz de Pabllo com o cantor Jerry Smith em uma pisadinha que diverte, mas também não mostra a que veio. “Clima Quente” parece um som feito às pressas. “Ponte Perra” é outra que foi liberada na degustação anterior. A faixa não empolga e apresenta o mesmo problema da cantora com a língua espanhola, não trazendo a sensualidade necessária e não agregando ao disco.

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A última é surpreendentemente a favorita do álbum para muitos e está no TOP das paradas nas mais diversas plataformas de música. “Rajadão” é um eletro gospel, um pop trance do céu ou apenas um som esperançoso de Pabllo Vittar. Chame como quiser, a faixa ganha nossos corações, principalmente daqueles que já passaram por uma fase mais cristã na vida.

Com uma pegada meio Cassiane (500 graus) e Damares (a cantora gospel, não a ministra), a faixa anuncia tempos melhores, e tem os melhores vocais com: “O poder da vitória vai curar a dor / … / A chuva da vitória vai reinar no fim / E quem caiu vai levantar e a gente vai vencer / Sofrimento acabar e o amor vai crescer”O sucesso é tão grande que o DJ Rennan da Penha prometeu uma versão 160 BPM que pretende lançar em breve.

Com pouco mais de 22 minutos e 9 faixas, “111” tem músicas boas, mas que não funcionam tão bem assim como um todo. Uma continuação abaixo do anterior, que porventura não fecha tão bem assim a trilogia da drag queen. Trilíngue, a promessa é que o disco ganhará novas músicas em breve, numa espécie de versão deluxe.


Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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