ccxp
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Estou atrasado, eu sei. Mas eu realmente precisei dessas 2 semanas para deixar a poeira baixar, o suor nerd parar de escorrer dos meus olhos, meu coração se acalmar e entender o que escrever nesse post. A CCXP – parafraseando o slogan do evento – foi épico e mostrou que o Brasil pode comportar um evento sobre cultura pop de grande magnitude. Com uma organização muito boa, o evento foi um sucesso e tem um futuro promissor pela frente.

O primeiro aspecto, que com toda a certeza merece ser comentado, é o fato da feira ter tido o nível das feiras internacionais. Nunca fui nas lá de fora, mas sempre acompanhei as coberturas e pude ver e sentir tudo o que eu queria ver. Os estandes eram gigantescos, sendo que os da Warner e da Marvel estavam muito parecidos com os de San Diego nesse ano. Ou seja, nós tivemos a mesma coisa que eles tiveram.

Os painéis também tiveram um nível elevado. A maioria dos estúdios, como Fox e Paramount, apostaram na feira e trouxeram muito material inédito ou coisas que só tinham sido exibidas lá fora. Entre os destaques, que podem ser vistos nos posts sobre os mesmos, foram os trechos de Kingsman e o lançamento mundial do trailer do novo Exterminador do Futuro.

Inclusive, eu ouvi de alguns executivos que os chefões internacionais do estúdio estavam gostando muito da feira e que a ideia é trazer cada vez mais coisas, já essa foi um teste. Viram que funcionou e a segunda edição deve ter muito mais coisas. 2015 promete.

Dentre os convidados bancados pela produção da feira, não dá pra dar destaque para só um, porque todos foram simpáticos com público e mandaram muito bem nos seus painéis. Para mim, a surpresa veio com o nome de Jason Momoa, já que eu achava que ele não seria nem um pouco divertido ou simpático e eu queimei minha língua.

Nota dez para os organizadores da feira, que fizeram milagre em uma primeira edição de evento. O público gostou, o comerciante gostou, os estúdios gostaram e a CCXP mostrou como se fazer um evento de grande porte.

Não fiquei sabendo de nenhuma briga ou incidente mais sério, já que o brasileiro se mostrou muito mais respeitoso e simpático do que eu esperava. Mas é claro que algumas coisas não iriam sair 100% de primeira e tem alguns aspectos que podem ser melhorados ou corrigidos.

A quantidade de bebedouros e banheiros eram pequenas para a quantidade de gente que visitou a feira, principalmente no sábado. Isso gerou filas onde não deveriam ter filas.

A falta de outros bancos, visto que só o Bradesco tinha caixa eletrônico no local, também incomodou algumas pessoas com quem conversei. A falta de dinheiro na mão não atrapalhava nas lojas, que tinham como passar cartões sem problema, entretanto dificultava as compras independentes no Artists Alley, por exemplo.

A imprensa também se sentiu um pouco incomodada de não ter uma sala conjunta, onde pudesse pelo menos sentar e carregas seus dispositivos sem ter que disputar com outras milhares de pessoas. Não digo que foi isso que mais incomodou, mas eu estava ansioso por estar em um local onde pudesse trocar ideias com pessoas que tivessem mais experiência e conhecimento do que eu. Por total acaso, conheci algumas pessoas que me ajudaram, me ensinaram muitas coisas e fizeram companhia.

O maior problema apontado foi a falta de segurança, visto que não teve nenhuma revista ou coisa do tipo durante a entrada do público. Graças a Deus isso não gerou nenhuma consequência grave, mas a segurança deve ser aprimorada e priorizada para evitar riscos e problemas para o público e os convidados.

Também tiveram algumas questões que incomodaram o público, mas que eu não concordo. Por exemplo, não acho que os convidados eram pequenos, já que não deve ser fácil convencer e bancar artistas internacionais para um evento que está só começando. Os produtores não tinham macete de dinheiro infinito para trazer Stan Lee ou Downeys Jrs. Também não tinham nenhum resultado para mostrar para essas pessoas. A partir de agora isso deve mudar.

Os auditórios poderiam ser maiores, mas eu entendo que você não pode ampliar muito sem perder alguns pontos da experiência. Por exemplo, o som dos painéis e a altura do palco foi o que mais me incomodou, entretanto eu consigo imaginar que quem está atrás ou nos cantos não enxergar tão bem é consequência da ampliação atrasada do auditório, que antes seria menor. Eles imaginaram uma situação e lidaram com outra. E isso só poderá ser consertado em 2015, pelo menos com um palco mais alto.

E pra quem reclamou das filas, nem gasto minha saliva com vocês. Na boa, era óbvio que as filas iriam marcar sua presença, principalmente nos dias de maior público (sábado teve pelo menos umas 20000 pessoas). Se você realmente achou que ia comprar coisas na promoção, assistir O Hobbit em primeira mão ou conhecer o Sean Astin sem ter enfrentar espaço com outros que tinham os mesmos objetivos, sinto muito. A solução desse aspecto deve partir do público, que pode se preparar melhor, e não da produção.

De resto, o evento surpreendeu quem não esperava nada e agradou a maior do público. Como em todo lugar, sempre vai ter aquele infeliz que só quer falar mal, mas a CCXP teve um saldo muito positivo, já virou um marco na história da nerdice brasileira e eu já estou ansioso para os dias 3 a 6 de dezembro de 2015, no mesmo bat-local e no mesmo bat-horário.

OBS: Agora vou colocar alguns trechos de conversas que tive com visitantes, só pra vocês terem uma noção do que a galera achou.

“Sempre acompanhei as coberturas do Omelete sobre a Comic Con de San Diego e quando eles anunciaram que teria uma edição no Brasil fiquei muito empolgado, porque eu confiava muito nos caras. Nunca tinha ido a nenhum evento desse tipo, dessa proporção e fiquei muito satisfeito com toda a experiência. Estava tudo muito organizado, muito bem planejado e os estandes estavam lindos. Fiquei muito impressionado com o que vi. O melhor era ver a sua própria paixão refletida em toda aquela galera, todo mundo de uma forma ou de outra curtindo o que gosta num evento gigantesco. Eu estava torcendo muito pra dar certo! […] Foi o evento que o Brasil estava precisando sobre cultura nerd. Foi épico!!!” – Felipe Alves de Abreu, 25, São Paulo.

“Logo em seu primeiro ano, a Comic Con Experience conseguiu trazer boas atrações. Havia lojas diversificadas, estantes bem atrativas e painéis simplesmente fantásticos! […] Para quem se interessava mais por quadrinhos independentes, havia o Artists Alley, com mais de 200 quadrinistas expondo e vendendo seus trabalhos. Era uma das áreas mais divertidas para se passear e conhecer coisas novas.” – Clara Rios, , Piauí.

“Quando eu vi que teria Comic Con no Brasil, fui correndo comprar os ingressos para os quatro dias, porque sempre imaginei aquelas que mostravam em San Diego, com todos meus artistas e atores favoritos participando. Faltando um mês para o início do evento, me arrependi de ter comprado para os quatro dias, pensando: “ah, aqui é Brasil, não vem ninguém e será muita bagunça, sei que vou me arrepender”. […] Quando chegou o primeiro dia, fui até o local desanimada: sem saber o que eu encontraria lá e sem conhecer ninguém. Quando eu vi que estava vazio, pensei “pronto, me arrependi já”. Uma hora depois, depois de encontrar alguém pra andar comigo, depois de andar pelo evento todo e conhecer as atrações, mudei de ideia mais uma vez. […] Enfim, achei que o evento me surpreendeu, ainda mais para uma primeira edição. De verdade, fiquei orgulhosa. Vi que no Brasil também podemos ter eventos tão legais e organizados como em qualquer outro lugar, basta os organizadores e os consumidores estejam dispostos para tal. […] No geral, um evento melhor do que eu esperava e que tem potencial para crescer e evoluir cada vez mais. – Paloma Oliveira, 18, São Paulo.

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