AODISSEIA
Especial

O Mágico de Oz: Há 80 anos nascia um reflexo da vida

Obra de Victor Fleming foi importante para o cinema...e para mim!


19 de setembro de 2019 - 01:53 - Tiago Soares

Eu mudei muito. Não apenas em personalidade, mas me mudei bastante. Eu não sei se já tive o meu Kansas, enfim, O Mágico de Oz foi importante pra mim. Oz é nada mais nada menos do que um reflexo de nossa realidade. Dorothy encontra amálgamas das mesmas pessoas nessa nova terra, e quando você passa por quatro estados de três regiões diferentes do Brasil, percebe que vai encontrar os mesmos tipos de pessoas durante toda a vida. Se todo mundo é diferente, ninguém é.

Quando Dorothy viaja até Oz (seja essa viagem física ou metafórica), ela reencontra seus demônios. Ela foge da megera Gulch e sua fixação por Totó, mas esbarra na Bruxa Má do Oeste. Ela perde seus amigos, mas ganha novos (o Espantalho, O Homem de Lata e o Leão). O Mágico de Oz assim como a vida, não pára para que o jogador se restabeleça, respire e ganhe novo fôlego para continuar vivendo. Ela segue seu caminho pela Estrada dos Tijolos Amarelos.

 

A Estrada dos Tijolos Amarelos

Na terra dos Munchkins, Glinda pede que Dorothy siga a Estrada dos Tijolos Amarelos, para chegar a Cidade das Esmeraldas e encontrar o tal mágico e poderoso Oz. A todo momento encontramos pessoas que desejam nos guiar em nossas respectivas jornadas e mostrarão o caminho. Outras tentarão se aproveitar da nossa inocência em um lugar novo para dar rotas perigosas. Seguir o caminho proposto é uma escolha verdadeiramente nossa, e se Dorothy não tivesse ido na direção certa, à medida em que faz pequenas paradas importantes, não teria encontrado seus novos amigos.

 

Além do Arco-Íris

o mágico de oz

O ser humano está sempre em busca de mais e na maioria das vezes não se encontra satisfeito. Somos ambiciosos, não há como negar. Saber separar ambição de soberba é algo importante quando se está em uma fase boa e quer permanecer nela. Dorothy era feliz, estava bem com os tios Em e Henry, e os amigos Zeke, Hickory e Hunk, mas ela queria e se perguntava se existia um lugar além do arco-íris. Somewhere Over the Rainbow foi eleita a melhor canção da história do cinema e não é para menos. Triste, a música pode ser encaixada naqueles momentos pensativos e reflexivos, em que nos pegamos pensando sobre qual caminho seguir, qual decisão tomar e se existe algo além do que conhecemos.

 

“Acho que não estamos mais no Kansas”

A fotografia em preto e branco do Kansas, unido a tecnologia de cores chamada Technicolor serviu para separar os dois mundos: aquele em que Dorothy vivia e aquele em que ela sonhava. Mesmo em um lugar novo, a protagonista não perde sua essência, entretanto ganha experiência e tem o senso de justiça aprimorado. Dorothy queria proteger Totó no Kansas e em Oz deseja fazer o mesmo com o Espantalho, o Homem de Lata e o Leão. Ela saiu do Kansas, mas o Kansas não saiu dela.

 

Os 4 C’s (Casa, Cérebro, Coração e Coragem)

o mágico de oz

Tenho pleno conhecimento que na língua original do filme tal coincidência não faz sentido, mas usei a letra “C” como base para dizer que, por mais diferentes que sejam, o quarteto de Oz queria a mesma coisa. O que falta em um (ou o que eles acham que faltam), sobram nos outros, à medida em que começam a adquirir aquilo que tanto desejam, aos poucos, por muitos vezes sem nem perceber. Personagens carismáticos, mas infelizes com a condição atual. Enfrentam seus medos e anseios mais profundos. Suas diferenças os tornam semelhantes.

 

“Não há lugar como o nosso lar”

Lar. Palavra absoluta com um significado tão abstrato. O escritor norte-americano Lyman Frank Baum, autor da obra original era um ex-circense, e com certeza uma das frases mais famosas de Dorothy refletia muito bem o que ele vivia. Lar é onde seu coração está e a ingenuidade presente em O Mágico de Oz, pode mascarar alguns dos significados presentes em relação ao mágico, a ilusão da beleza de um novo mundo e tudo que o acompanha. Felizmente, Dorothy entende que não precisa ficar tão longe de casa para encontrar seu propósito, pureza e esperança. Afinal, tudo que precisamos já está dentro de nós.