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A HQ de O Legado de Júpiter foi lançada inicialmente em 2013, desenvolvida por Mark Millar e Frank Quitely como uma forma de questionar os super-heróis, seus poderes e cultos de deuses.

Um novo olhar, como vemos em The Boys, por exemplo, trata dos seres superpoderosos longe dos holofotes dos grandes salvadores da humanidade e justamente humanizam, por vezes até demais, seus personagens, mergulhando num mundo de violência gratuita, abuso de drogas, sexo e roupas cafonas.

O Legado de Júpiter até tenta ser assim, mas esbarra numa pataquada sem igual, beirando a vergonha alheia entre os efeitos mal produzidos e uma história que, se nos quadrinhos funcionava como elemento questionador, aqui só fez crescer o cringe que habita em nós.


Série O Legado de Júpiter estreia na Netflix

Foto: Divulgação Netflix

Sobre o Legado de Júpiter

A série da Netflix gasta seus oito episódios apresentando um prelúdio do que veremos no futuro, com a União da Justiça, um grupo de pessoas que, ao explorarem uma ilha, adquirem os poderes do planeta em questão.

O Legado de Júpiter passeia entre passado e presente, com jornadas em 1929, na Grande Depressão Americana com Sheldon (Josh Duhamel) conquistando seus poderes, e nos dias atuais, agora sendo conhecido como Utópico e grande responsável por manter a paz no planeta por mais de 90 anos, junto da União.

O grande debate da produção está em como o grupo lida com as cobranças da população por justiça, além da dificuldade de se aterem ao código de comprometimento à governabilidade e as loucuras de filhos inconsequentes e super poderosos que não tem nada com isso.

Acontece que nada disso é profundo o suficiente na série, com falas antecipando o que vamos ver a seguir e uma dificuldade do tamanho de Júpiter para se apegar o mínimo possível aos personagens.

Os efeitos visuais decepcionam até onde mereciam mais carinho e as cenas de ação acabam parecendo uma produção da CW para a Sessão da Tarde dos anos 2000. Como se não bastasse, tudo é acompanhado por um sermão completamente engrunhido do Utópico, sobre como tudo aquilo é errado.

A fórmula se repete por diversas vezes e até quando você acha que vai engrenar, O Legado de Júpiter bota a ré e vai pra trás de novo, criando uma trama cheia de barrigas, sem nem ao menos sair do lugar.

Foto: Divulgação Netflix

Elenco de Legado de Júpiter 

Com relação aos atores, é nítido o esforço para tirarem leite de pedra dentro daquilo que tem em mãos. Josh Duhamel, Ben Daniels e Leslie Bibb estão bem com seus personagens, mas é nítido o desconforto quando precisam entregar mais drama onde o texto não deixa.

Junto de Tenika Davis, Ian Quinlan, Andrew Horton, Elena Kampouris e Anna Akana, O Legado de Júpiter possui bons atores mas, de novo, esbarra numa direção desastrosa e expositiva, literalmente falando tudo o que veremos nos próximos minutos.

Foto: Divulgação Netflix

O Legado de Júpiter vale a pena?

Ao usar tripas saindo, caras explodidas, sangue jorrando e violência gratuita, a série tenta horrorizar onde sabe que não choca, disfarçando qualquer nota de sentimento com gore absoluto mas que pouco te enoja.

A tentativa de conversar sobre o que os quadrinhos discutira, falha quando O Legado de Júpiter acha que o espectador é burro e precisa de explicação para tudo que vai acontecer. A cena do grupo quando adquire seus poderes é algo mais constrangedor do que entrar no metrô sem calça.

O Legado de Júpiter tinha fôlego para ser uma boa alternativa nesse mundo de séries e filmes de super heróis mas não é divertido feito Kick-Ass nem impressionantemente violento feito Kingsman. Não sei o que Mark Millar pensou disso tudo, mas acho que não está contente com o potencial desperdiçado da série.

E, a julgar pela última cena, vem mais por aí.


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O Legado de Júpiter

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