AODISSEIA
Séries

O fim de Game of Thrones e seus tons de cinza

Game of Thrones resolveu não seguir pelo óbvio. E que bom que foi assim


22 de maio de 2019 - 11:03 - felipehoffmann

Por uma década as noites de domingo acabavam com olhares atônitos, fôlegos que faltavam e arrepios intensos depois de mais um episódio épico de Game of Thrones. Assim a série foi se forjando. Construindo sua história semanalmente e crescendo em discussões a cada página que passava dos livros de George R. R. Martin.

 

Game of Thrones se tornou um sucesso absoluto em audiência. O nível empregado pela HBO transformou GOT em um evento televisivo de magnitude mundial e, essa relação pessoal com a série, algo intangível.

Por isso a discussão tão ferrenha daqueles que odiaram as escolhas para o fim de Game of Thrones.

Essas escolhas são reflexo de ações dos personagens. E essa ações são histórias. Lembranças que serão registradas de alguma forma, seja em livros, músicas, ou até mesmo por um rei. A estória, nesse caso, fez a roda girar. Fez-se remontar ao início de tudo e assim como uma espiral, tudo se repetir.

 

A despedida dos irmãos em Game of Thrones

 

A temporada de Game of Thrones

Final de série sempre é algo complicado. Os fãs criam suas próprias projeções de encerramento e trabalham aquilo subjetivamente. Só que é preciso trabalhar as expectativas dentro do que uma produção oferece. No caso de Game of Thrones, tivemos um final simples e agridoce, mas que concluiu com respeito e coerência a trajetória de cada um.

Dificilmente seria satisfatório para todo mundo. O próprio Tyrion fala isso no último episódio, como se quebrasse a quarta parede e dissesse diretamente para o público de Game of Thrones.

Se te incomodou tanto, talvez sua expectativa por uma resolução elaborada falasse mais alto. Mas não foi essa escolha, e tá tudo bem assim.

“Nem todo mundo está feliz, então talvez seja o correto”.

E aqui, uma resolução elaborada não é antagonismo de um final raso. A complexidade dos personagens fora construída durante as temporadas e o desfecho desta última é só o final da calda longa que cada pessoa desenvolveu.

É inegável o fato da temporada saltar diversas situações dos personagens e ir direto para sua resolução. A escolha dos produtores David Benioff e D. B. Weiss em fazer apenas seis episódios, mesmo tendo carta branca da HBO, foi algo que deixou tudo mais corrido. Sem as páginas de Martin como base, o progresso de todo mundo ficou realmente irregular, mas não incoerente.

 

Sansa Rainha em Game of Thrones

 

Só que isso vem ocorrendo há, pelo menos. umas três temporadas e você continuou assistindo mesmo sabendo de tudo. Foi o caminho que Game of Thrones escolheu, e levar a série para o maniqueísmo é, no mínimo, injustiça por tudo aquilo que ela construiu.

 

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O final dessa série poderia ter sido apoteótico, triunfal, descomunal, clichê. Mas escolheu a serenidade das escolhas de cada um. Game of Thrones acabou quando Arya apunhalou o Rei da Noite. Todo mundo viu e esse foi o grande momento da série. Dali pra frente foi tudo um epílogo de uma trama grandiosa, com a conclusão de cada um.

Terminar como começou é mostrar que a vida volta ao normal e as situações se repetem. As discussões retornam e a vida recomeça para os pontos poderem se encaixar. Bran é a memória e história de Westeros. Sua escolha como rei, foi justamente pra preservar a lembrança de tudo. Ele não era o mais capaz, nem o mais inteligente. Mas foi aquele que viveu as memórias e poderia dar um rumo melhor para os Seis Reinos.

 

Daenerys Rainha em Game of Thrones -

 

Game of Thrones se despediu como uma série grandiosa que se apressou para chegar num final honrado. Bradar uma inaptidão em fazer um desfecho digno de suas expectativas é não enxergar a importância e a história de cada personagem. Ser pé no chão também é uma escolha e, talvez, uma das mais corajosas e verossímeis de todas. Longe de toda ficção medieval fantasiosa.

Para continuar sua espiral, a série termina nas florestas do Norte, quando tudo começou anos atrás. Uma última pincelada do destino para mostrar que a roda não quebra. Por mais que alguém tente despedaça-la, ela continua rodando.

Foi assim que Game of Thrones escolheu girar.