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Exterminador do Futuro: Destino Sombrio é mais do mesmo

Nem Sarah Connor explodindo tudo é capaz de salvar uma franquia que parece ter chegado ao fim


4 de novembro de 2019 - 09:06 - felipehoffmann

O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio marca a volta de James Cameron à produção e, com ele, todo o universo imaginado para uma franquia que vinha mal das pernas.

 

Hollywood parece viver numa crise de inovação terrível. Não são poucos os remakes ou reboots de filmes consagrados que chegam aos cinemas pelo simples fato de fazer dinheiro. E por mais otimista que tente ser, O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio, é um maravilhoso exemplo desse oportunismo que a indústria parece viver.

O filme dirigido por Tim Miller (Deadpool) marca o retorno de James Cameron (Avatar) à franquia, agora como produtor executivo. E o que parecia ser um alívio e um respiro aos fãs se transformou num filme que, mesmo entendendo os últimos três longas como uma nódoa da franquia e ignorando-os completamente, consegue ser mais do mesmo em escalas industriais.

Os dois primeiros Terminators, eram uma obra prima de seu tempo. Uma duologia de extrema qualidade, inventivas e tensas em suas propostas. Em 2019, tentar repetir aquele sucesso, soa como zombaria com o público, pela simples preguiça de expandir um universo ou tentar algo minimamente criativo.

 

 

O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio segue à risca a cartilha de sucesso dos seus arautos, trocando um personagem e situação por outro com uma precisão quase matemática, contudo, o resultado disso é um filme pouco imaginativo e estimulante. Os primeiros longas eram ótimos, porém são histórias de quase 30 anos. O mundo muda, os conceitos mudam e a exigência aumenta na mesma medida. Destino Sombrio explora a diversidade mas esquece de contar uma história cativante no meio disso tudo.

Quando encontramos Dani Ramos (Natalia Reyes), uma jovem que trabalha com o irmão em uma linha de montagem na Cidade do México, ela parece a quintessência de algo que não sustenta uma trama e isso é intencional. Dani é o equivalente a Sarah Connor de Linda Hamilton no primeiro Exterminador do Futuro – uma mulher que deve ser protegida, porque (presumimos) seu destino é dar à luz a um futuro líder da guerra contra as máquinas. Mas o que Dani realmente está dando à luz é em seu próprio senso de urgência e em uma revolução que nem ela mesmo acredita.

 

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Já as presenças de Linda Hamilton e Mackenzie Davis introduzem o novo e o velho em contraste de ideias. Hamilton nasceu para ser Sarah Connor e a faz com brilhantismo. Ficar 25 anos correndo atrás de Terminators fez dela uma badass daquelas e essa mulher durona e sanguinária injeta um poder muito maior para Sarah, mesmo sem estar intimamente ligada à trama principal dessa vez. Já Davis é uma mistura de ideias em que Cameron literalmente humaniza a personagem, a transformando numa humanoide de fortes sentimentos e muito sangue nas veias.

E dentro do caos geral de frases de efeito que é O Exterminador do Futuro: O Destino Sombrio, sobra tempo para Arnold Schwarzenegger brilhar novamente em seu tom blasé. Seu timing cômico de um robô inserido na sociedade é fundamental para comprar a ideia do personagem e ele faz sem se esforçar muito, como o próprio papel indica, tendo que derrotar uma versão mega atualizada de si mesmo, com uma roupagem mais nova e menos musculosa.

 

 

No fim das contas, O Exterminador do Futuro: O Destino Sombrio é um amontoado de CGI que parece envelhecer mal, com cenas em que humanos são super-heróis e resistem a quedas inimagináveis e um vilão extremamente poderoso que sofre derrotas pontuais por inúmeros Deus Ex-Machina. O filme de Miller usa de velhas muletas para tentar acrescentar algo novo, mas falha nessas novas ideias. E, apesar de mirar um ponto futuro, esse Terminator tenta botar aqui no presente, tudo que funcionava lá trás, só que sem a magia do passado e a inventividade do futuro.