Cheiro Inovações
0

Um dos sentidos que ainda não conseguiu atravessar as telas, o olfato deve ampliar sua importância com a chegada do cheiro digital


“Ainda bem que não dá pra sentir o cheiro do outro lado da televisão…”

Essa é uma frase que volta e meia sai da boca de quem está assistindo imagens que remetam a cheiros ruins. Tenho certeza que você já ouviu algum parente ou até apresentador falar algo assim.

Às vezes, quando a lembrança olfativa é boa, podemos fazer o caminho contrário e pensar: “pena que não consigo sentir o cheiro daqui”. Aposto que essa reflexão já alcançou muitas mentes durante os mais diversos programas de culinária.

O fato é que, nas duas situações, a tecnologia ainda não alcançou um ponto que nos permitir sentir um cheiro através das telas do computador, da televisão ou do celular. Até agora pelo menos…


+++ Confira como assistir os catálogos internacionais da Netflix
+++ Em tempos de pandemia, conheça o mundo sem sair de casa

Cheiro Inovações

O olfato

Um dos cinco sentidos do corpo humano, o olfato é o responsável por nos fazer sentir cheiros. Logo, como era de se esperar, seu principal órgão é o nariz.

É por ele que o ar entra, iniciando seu caminho em direção à cavidade nasal. Ali ele vai ser umedecido, aquecido e purificado antes de entrar em contato com a mucosa olfativa que fica na parte superior da cavidade.

Essa mucosa – também conhecida como “mucosa amarela” – é preenchida por células olfativas. Assim, quando entram pelas fossas nasais e se dissolvem no muco, as moléculas de cheiro (que estão dissolvidas no ar) acabam atingindo os prolongamentos de tais células. Os impulsos gerados ali são enviados para o sistema nervoso, onde são interpretados e transformados na sensação de odor que sentimos.

Uma relação fisiológica que não pode ser facilmente substituída. Existem as situações em que uma imagem capturadas pela visão ou um textura interpretada através do tato fazem nossos cérebros lembrarem de algum cheiro, mas o sentido que possui maior relação com o olfato é o paladar.

Talvez isso tenha se tornado um obstáculo para a tecnologia, direcionando a maior parte das inovações para os outros sentidos do corpo humano.


Cheiro Inovações

O cheiro do cinema

Os cinemas geralmente possuem aquele cheio característico de pipoca e manteiga derretida. Ele se mistura com o odor exalado pelas pessoas pessoas, criando assinaturas químicas distintas. E eu nem estou falando de pessoas suadas presas em um lugar fechado.

Segundo um artigo publicado na revista Nature, a sensação olfativa pode ser diferente em filmes de gêneros diferentes. Em uma sessão de Jogos Vorazes na Alemanha, por exemplo, os pesquisadores encontraram dióxido de carbono e isopreno.

O primeiro é fruto da expiração normal, porém a grande concentração sugere que muitas pessoas ficaram ofegantes em alguns momentos do filme. Já o segundo, de acordo com a revista Discover, pode ser fruto de cenas que deixaram os espectadores inquietos.


Cheiro inovações

O cheiro no cinema

Essa é uma curiosidade e tanto, mas não é desse cheiro causado pelas imagens que nós estamos falando. É do cheiro que sai da tela diretamente para o seu nariz.

Em outras palavras, aquele cheiro de comida que poderia acompanhar uma sequência de Chef. Ou o cheirinho de grama molhada que invade as janelas quando chegamos no campo.

Fazer o público do cinema sentir esses mesmos cheiros é um desafio mais difícil de resolver.

Mesmo assim, podemos dizer que os cinemas chegaram primeiro em possíveis soluções.

Tudo começou nos primórdios da produção cinematográfica, quando os próprios exibidores colocavam algodões banhados em óleos de rosas na frente de ventiladores.

Com o tempo, muita gente (incluindo Walt Disney durante a produção do clássico Fantasia) tentou modernizar esse sistema de odorização. A melhor tentativa, registrada na exibição do filme Cheiro de Mistério em Nova York no ano de 1960, está ligada a preparação de assentos que exalavam cheiros em sincronia com o filme.

A ideia era boa, mas a execução dessincronizada gerou um boca-a-boca negativo fatal.  A tecnologia foi deixada de lado e o filme completamente esquecido.

Cheiro Inovações

Em 1981, uma nova tentativa foi feita através da distribuição de cartelas com cheiros na entrada da sala. Um dos filmes que fez isso foi o razoável Polyester, que lotou as salas do Festival do Rio com pessoas interessadas em raspar as cartelas apelidadas de Odoramas sempre que um determinado número surgisse na tela.

As críticas foram positivas, mas o problema estava no preço da proposta. As cartelas não eram reutilizáveis como os óculos 3D atuais, logo precisariam ser repostas por novas a cada sessão.

É algo tão complicado que um novo teste só foi realizado por Robert Rodriguez nos últimos filmes da franquia Pequenos Espiões. Denominada AromaScope, a proposta entregava para cada espectador um óculos especial e oito cartelas com cheiros que deviam ser raspadas quando o sinal numérico aparecesse na telona.

Porém, como era de se esperar, a tecnologia esbarrou num problema parecido com o de sua antecessora. O alto preço das cartelas fez com que muitos países passassem longe de sentir o cheiro da inovação.

Atualmente, a ideia voltou para a década de 60 e se igualou a outra tecnologia descartada para oferecer cheiros em algumas salas específicas. Com isso, as sessões 4D oferecem experiências imersivas que contam com o movimento das poltronas, jatos de água e odores mais conhecidos.


+++ Confira o texto sobre as salas 4D da Colômbia

Cheiro Inovações

O cheiro digital

Entretanto, nas últimas semanas, essas tentativas de levar os cheiros para as salas (de cinema ou de casa) podem ter ganhado um novo rumo.

Digo isso porque a Natura anunciou, em parceria com uma startup chamada Noar, o lançamento de um demonstrador digital de fragrâncias. Em outras palavras, um aplicativo que leva até o consumidor uma espécie de “cheiro digital”.

Eu admito que preciso ver a ideia em funcionamento pra entender, mas, aparentemente, o MultiScent 20 depende do uso conjunto de um dispositivo especial e um aplicativo. São 20 fragrâncias disponíveis para acesso através de QRCodes.

Segundo Cláudia Galvão, a CEO da Noar, o projeto libera um “cheiro seco” que não deixa resíduos no ar. Com isso, o consumidor pode experimentar vários aromas sem se confundir ou precisar tirar a máscara, enquanto a empresa diminui os gastos com refis de amostragem.

Cheiro Inovações

Os pesquisadores do Imagineering Institute, na Malásia, já estudavam algo parecido desde o ano passado. Porém a sua proposta girava em torno de um tubo com eletrodos que precisava ser inserido nas narinas pra enganar as células olfativas com pequenos choques elétricos.

O protótipo funcionava, mas também gerava algum desconforto para o consumidor. Talvez a Natura tenha conseguido encontrar uma solução mais prática.

Claro que ainda não se trata do cheiro saindo da tela do computador ou do celular, mas é um começo que pode mudar o futuro dos cheiros.



Gostou desse conteúdo? Então nos ajude a manter o site vivo entrando para o Odisseia Club. Seja um apoiador da Odisseia e acompanhe tudo sobre filmes, séries, games, músicas e muito mais.

Flavio Pizzol
Nascido em uma galáxia muito distante, sou o construtor original dessa nave. Aquele que chegou aqui quando tudo era mato. Além disso, nas horas vagas, publicitário, crítico de cinema, aprendiz de escritor e músico de fundo de quintal. PS: Não sabe trocar a sua imagem do perfil...

Oito Mulheres e um Segredo | 5 coisas que você não sabia sobre o filme

Previous article

Enola Holmes | Confira o trailer do novo filme da Netflix

Next article

You may also like

Comments

Leave a reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

More in Criatividade