O Cão Que Não Se Cala – Crítica | Involução humana

o cão que não se cala

Sci-fi argentino em preto e branco, O Cão Que Não Se Cala cansa pela repetição nos poucos 73 minutos 


Nem todo mundo é Yorgos Lanthimos. Essa frase pode até ser polêmica já que o diretor tem desafetos na mesma medida em que acumula admiradores. A questão é, desde que o diretor ganhou notoriedade no bom O Lagosta, e no excelente A Favorita, mais cineastas começaram a imitar seu estilo peculiar.

Claro que, a estranheza não é uma exclusividade do grego, mas em alguns momentos ela cansa. Em seus poucos 73 minutos (que parecem eternos), O Cão Que Não Se Cala entra nessa leva.

O Cão Que Não Se Cala - Crítica | Involução humana 3
Foto: Divulgação Mostra de São Paulo 2021

Qual o enredo de O Cão Que Não Se Cala?

Sebastian (Daniel Katz) é um homem comum. Já na casa dos 30 anos, ele dedica seu tempo ao seu cão fiel e trabalha em uma série de empregos temporários. Enquanto caminha de forma intermitente pela idade adulta, navega pelo amor, pela perda e pela paternidade.

Até que o mundo é abalado por uma catástrofe inesperada, virando de cabeça para baixo sua já turbulenta vida. Sebastian luta para se adequar a um mundo em constante mudança —e que pode finalmente estar chegando ao fim.

O que achamos do filme?

O filme de Ana Katz é daqueles que começa no fim. Apenas aos 50 minutos de produção que a sinopse acima aparece na trama, e antes disso, seguimos um protagonista desinteressante com uma vida pacata. Pensando bem, talvez esse seja mesmo o objetivo do roteiro de Katz, ao lado de Gonzalo Delgado.

A fotografia em preto e branco também pouco acrescenta, talvez apenas para mostrar a falta de cor na vida de Sebastian. Além de sofrer em busca de trabalho, a sensação é que todos se aproveitam dele, ao mesmo tempo em que não valorizam sua importância (se é que ela existe).

O Cão Que Não Se Cala - Crítica | Involução humana 4
Foto: Divulgação Mostra de São Paulo 2021

Quando o tal evento acontece, O Cão Que Não Se Cala ganha estilo e atiça a nossa curiosidade, apesar de ser pouco aproveitado, acredito que pelo baixo orçamento, já que em vários momentos temos algumas artes/animações no filme. Ana Katz tem em mãos uma trama grandiosa, mas resolve ir pelo caminho do indiferente, e menos anárquico possível.

Se pelo menos essa displicência levasse a um desfecho satisfatório, eu teria visto um filme melhor, e com certeza escreveria um texto mais interessante.


Filme visto na 45ª Mostra de São Paulo, que acontece entre os dias 21 de outubro e 03 de novembro de 2021.

Gostou desse conteúdo? Então nos ajude a manter o site vivo entrando para o Odisseia Club. Seja um apoiador da Odisseia e acompanhe tudo sobre filmes, séries, games, músicas e muito mais.

O Cão Que Não Se Cala - Crítica | Involução humana 5

Total
0
Shares
Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Previous Post
irmandade

Irmandade – Crítica | Suspense Super-Cine

Next Post
listen

Listen – Crítica | Ainda podemos confiar no sistema?

Related Posts