Nove Dias – Crítica | Um encontro expositivo, com Deus?

Nove Dias - Crítica | Um encontro expositivo, com Deus? 3
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Longa americano do brasileiro Edson Oda, Nove Dias é um drama que busca compreender a humanidade


A complexidade humana é algo que vários filósofos, estudiosos, cientistas políticos e sociais tentaram e tentam reaver a cada dia. Quando obras audiovisuais buscam contextualizar o ser humano, podem render produtos magníficos, mas também cair num campo perigoso: o do tédio.

Infelizmente Nove Dias – filme do diretor brasileiro Edson Oda – cai no campo das indagações confusas e existenciais, o que acaba deixando suas 2 horas um pouco maçantes.

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Foto: Divulgação Mostra de São Paulo 2021

Qual a trama de Nove Dias?

Will (Winston Duke) passa os dias em um posto avançado assistindo ao vivo pela TV o ponto de vista das pessoas. Quando alguém morre, é aberta uma nova vaga para uma vida na Terra.

Logo, surgem vários candidatos, almas não nascidas que se submetem a testes para determinarem suas habilidades, e que enfrentam o esquecimento quando não são consideradas aptas para a vaga.

Mas logo Will passa a enfrentar o seu próprio desafio existencial quando Emma (Zazie Beetz), uma candidata de espírito livre, diferente de todos os outros, o faz lidar com seu turbulento passado.

O que achamos do filme?

Um dos pontos a se destacar em Nove Dias é a linda fotografia de Wyatt Garfield, unido ao design de produção de Dan Hermansen (Deadpool 2). O primeiro, usa do vasto ambiente além-casa para trazer uma sensação de imensidão, enquanto o segundo valoriza o interior, buscando um ar vintage ao lar de Will.

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Foto: Divulgação Mostra de São Paulo 2021

Fora isso, os diálogos do próprio Oda buscam compreender as escolhas humanas, mas se tornam expositivos, procurando uma singularidade que torna o seu filme igual a uma viagem pela mente de Platão.

Com exceção à sensibilidade da atuação de Zazie Beetz como Emma, e as músicas brasileiras inseridas, Nove Dias não apresenta discussões tão interessantes, já que o personagem do Winston Duke começa a se quebrar mais próximo do fim, emulando o Deus do Antigo Testamento no restante da fita.

Os testes para saber quem terá a “honra” do nascimento são até intrigantes, mas a fluidez dá lugar a mais uma parada para explicar a natureza de tal desafio, ao mesmo tempo em que pouco desenvolve as decisões tomadas.

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Foto: Divulgação Mostra de São Paulo 2021

Esse grito preso na garganta ganha contornos mais libertadores em seu desfecho, mas até lá, Nove Dias já conseguiu o que queria: tornar chato o prazer de viver.


Nove Dias foi visto na 45ª Mostra de São Paulo, que acontece entre os dias 21 de outubro e 03 de novembro de 2021. A repescagem vai até o dia 07 de novembro.

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