Noite Passada em Soho – Crítica | O “A Hora do Pesadelo” de Edgar Wright

Noite Passada em Soho - Crítica | O "A Hora do Pesadelo" de Edgar Wright 4

Redigindo uma carta de ódio a Londres e a ilusão da cidade grande, Edgar Wright entrega espetáculo em Noite Passada em Soho


“São Paulo é uma ilusão”. Essa foi a primeira frase que meu pai me disse após 10 anos morando em uma das maiores capitais do país, e isso reverberou em minha mente enquanto assistia Noite Passada em Soho.

O novo filme de Edgar Wright (de sucessos como Baby Driver, Todo Mundo Quase Morto e Scott Pilgrim), é uma síntese da desilusão encontrada quando nos deparamos e somos engolidos pelas grandes metrópoles.

É claro que, o êxodo de Eloise (ou Ellie) não se compara a distância que vários brasileiros já fizeram em busca de alento nas grandes capitais, mas de certo modo, Wright manipula sua história ao abordar essas mudanças e de como somos afetados pelo meio em que vivemos.

noite passada em soho
Foto: Divulgação Universal Pictures

Qual a trama de Noite Passada em Soho?

Noite Passada em Soho acompanha Eloise (Thomasin Mckenzie), uma jovem apaixonada por design de moda que consegue, misteriosamente, voltar à década de 1960. Lá, ela encontra Sandie (Anya Taylor-Joy), uma deslumbrante aspirante a cantora por quem é fascinada.

O que ela não contava é que a Londres dos anos 1960 pode não ser o que parece, e o tempo passa cada vez mais a desmoronar, levando a consequências sombrias.

O que achamos do filme?

É fácil se identificar com Eloise, e Wright sempre entrega bons protagonistas. Aqui, ele usa de uma fofa introdução para apresentar uma jovem sonhadora e ao mesmo tempo sensitiva, em todos os âmbitos da palavra.

Os diálogos rápidos provindos do humor britânico também ajudam a desenvolver tudo que cerca aquele universo. Como estudante de moda, Eloise adentra a um mundo fashionista, cercada por artificialidade.

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Foto: Divulgação Universal Pictures

A medida que conhecemos as belezas da cidade, o diretor faz pequenas críticas a sociedade londrina, evidenciando a crueldade e o fato das pessoas sempre encontraram um triste destino.

Há em Noite Passada em Soho um senso de denúncia, ao subjulgar o mundo como predatório, esbanjando rivalidade por todos os lados. Quando adentra ao mundo dos sonhos, Wright, assim como vários filmes de terror atuais, quer trabalhar a dualidade. Eloise está mentalmente perturbada ou aquilo tudo está acontecendo de fato?

Nem preciso destacar (ou preciso), a direção de arte, que gentilmente transpõe o espectador aos belíssimos anos 60. Digo gentilmente porque, a primeira vista aquilo é de encher os olhos, ao passo que essa ilusão vai perecendo diante dos nossos olhos, e percebemos que Londres (ou o mundo), nem mudou tanto assim.

Apesar de Noite Passada em Soho entregar o filme mais sombrio de Edgar Wrigjr, há espaço para o estilo único do diretor, desde conversas divertidas, a trilha sonora empolgante e o visual de encher os olhos.

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Foto: Divulgação Universal Pictures

As sequências em que Eloise sai da realidade para os anos 60, ou até mesmo se confunde entre épocas, são de puro vigor estético. Wright mistura diversão, drama, suspense e elementos do horror, que se constroem com calma.

É importante notar como o diretor brinca com essas facetas, misturando-as assim como Wes Craven fez em A Hora do Pesadelo. É claro, falta a Wright o jeito “sem vergonha” de Wes e um Freddy Krueger parar chamar de seu, mas sobram cenários, figuras e momentos aterrorizantes.

Nada é o que parece em Noite Passada em Soho, e quando o filme começar a pender para um final irregular e sem noção, a força de suas protagonistas segura aquilo que poderia ser um equívoco. Talvez o erro seja buscar consolo e alento em algo grandioso, quando na maioria das vezes o que procuramos está na simplicidade, algo ainda ausente nas obras de Wright.

Tornar parte desse texto um exemplo sobre minha vida em São Paulo é a descrição de uma das frases do filme: “os homens adoram fazer com que tudo seja sobre eles”. Será que Edgar Wright está falando de si mesmo num coming of age egoísta e detalhista sobre a encenação de nossas expectativas? Nunca saberemos.


Ps: Está obra foi a última da carreira de Diana Rigg que faleceu ano passado.

Noite Passada em Soho está em cartaz nos cinemas brasileiros. Caso vá aos cinemas, siga todos os protocolos de segurança!

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