nada será como antes
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Final feliz? Pra quem?


Nada Será Como Antes chega ao seu fim, muito mais melancólico como começou, e com poucas cenas felizes nesses últimos 3 episódios, que com certeza deve ter pego o público de surpresa. Antes disso confira as críticas dos episódios anteriores, e vamos lá:

A batalha de Verônica (Débora Falabella) pra reconquistar a guarda de Thiago das mãos de Saulo (Murilo Benício) continua, a de Beatriz (Bruna Marquezine) para se livrar de Júlia (Letícia Colin) e Otaviano (Daniel de Oliveira), a fim de poder se entregar a Davi (Jesuíta Barbosa), a de Péricles (Fabrício Boliveira) em busca do sonho de um mínimo papel na novela e a de Rodolfo (Alejandro Claveaux) tentando esconder sua homossexualidade, tudo isso, permeia os três últimos episódios de maneira repetitiva, a vantagem é que José Luiz Villamarim conduz a história com toque dramáticos.

A última conversa de Beatriz e Odete (Cássia Kis) mantém a atenção do espectador, é quase uma despedida e de fato é. Com a morte da mãe, seguida da agressão de Davi, Beatriz mostra uma faceta nunca antes vista, ela sempre demonstra ser uma super mulher, agora parece bem mais humana, está quebrada e sem direção, a mãe que fazia suas roupas e a servia em todos os sentidos, não está mais ali, a personagem perde sua alegria e loucura, que só Davi é capaz de devolver e fazê-la se sentir viva, o que é uma grande ironia já que ele tira a sua vida, aliás Jesuíta Barbosa este ano conseguiu irritar muitos espectadores ao trazer ao ar mais um assassino apaixonado além de Vicente.

Para alguns a família Azevedo teve o que mereceu, após o incêndio criminoso, uma família que já parecia desunida e desestruturada vai as vias de fato, com Júlia em depressão, Pompeu (Osmar Prado) doente e Otaviano em crises de realidade e identidade. Péricles finalmente consegue seu papel na novela, e com muito esforço mostra que as barreiras do preconceito ainda estão ai. Rodolfo tem o arco menos interessante aqui, mas só o fato da palavra “aceitação” ser mencionada, merece o destaque, num mundo atual extremamente homofóbico, vemos que já existiam pessoas flexíveis naquela época.

A trilha sonora parece seguir o caos nestes episódios finais, versões bem mais melancólicas de outras músicas são tocadas constantemente. A direção brinca com elementos televisivos, numa câmera quase documental, intercala com imagens antigas, para nos dar a sensação de realidade, é como se estivéssemos vivendo os anos dourados, que não podiam terminar com nada melhor do que uma grande festa de Reveillon dando as boas-vindas aos anos 60

Mas o foco aqui, ou melhor, nos três últimos episódios é no casal principal, Verônica e Saulo se entendem, se desentendem, brigam, voltam, o que nos faz pensar se isso é pela felicidade do garoto ou suas próprias. A ponto de literalmente fazer loucuras pelo filho, Débora Falabella entrega uma das melhores atuações de sua carreira, em especial numa linda cena em que conversa com sua mãe Lourdes (Susana Ribeiro), já que o pai Ernesto (Antônio Fábio) acaba de falecer. Saulo demonstra sentimentos e desce dos salto após inúmeros eventos catastróficos seguidos.

A maneira como as telenovelas mudam, passando a retratar a realidade, seja das ruas ou do Brasil, a forma de exibi-las e como são realizadas, tudo isso, evolui juntamente com o texto magnífico dos sempre citados  Guel Arraes (O Auto da Compadecida), Jorge Furtado (Os Normais – O Filme) e João Falcão (A Máquina). Nada Será Como Antes trouxe um trabalho incrível de direção de arte e muita qualidade as noites de terça, pena que foi apreciada por poucos.

 

Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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