nada será como antes
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Quando um quarto de empregada diz muito sobre alguém


Nada Será Como Antes só melhora, e não apenas isso, esse é o melhor episódio até aqui. Com um começo lento, e parecendo que ia apenas finalizar algumas narrativas começadas no episódio passado, a série foca mais nos personagens, de preferência em um deles, do que na própria TV, não a deixando de lado completamente.

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O crescimento da TV é evidente, e o personagem de Osmar Prado faz a pergunta que ainda está nas bocas do homens e empresas de grande poder até hoje: E se a TV ao invés de apenas causar emoções, fosse capaz de influenciá-las? Assim Pompeu (Osmar Prado), resolve usar a TV para se reeleger, dando início a política na televisão.

Usando um fato histórico (a transferência da capital brasileira do Rio de Janeiro para Brasília por JK), fazem com que Pompeu e Julia (Letícia Colin), lancem a candidatura de Otaviano (Daniel de Oliveira), sem experiência política, mais bem mais jovem e sociável, algo perfeito para os padrões televisivos.

A saga do casal Saulo (Murilo Benício) e Verônica (Débora Falabella) apresenta a boa e velha química, já que ambos são casados na vida real, mas com uma série de acontecimentos, sempre acabam voltando tudo ao status quo, fazendo da história deles, algo que já vimos na semana passada, e nas anteriores. O machismo naquela época, é algo sempre batido na tecla.

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Mas o destaque fica para o passado de Beatriz (Bruna Marquezine), que resolve levar sua mãe Odete (Cassia Kiss) para morar com ela. O desenvolvimento da personagem, saber como ela se tornou aquela mulher, é difícil de assistir, mas prazeroso em sua resolução. Em um quarto de empregada (sua mãe), flashbacks nos mostram abuso sexual, exploração, atitudes beirando a escravidão, preconceito, dentre outros problemas, algo muito parecido com Jéssica de Que Horas Ela Volta.

Cássia Kiss tem uma forte presença de tela, e ao invés de engolir Bruna Marquezine, as duas se completam, e a menina se prova como mais do que um rostinho bonito. A sequência em que Beatriz apresenta a TV a Odete, como ligá-la e como funciona, é umas das coisas mais belas e genuínas que já vi nas telinhas brasileiras.

Beatriz já tinha nos apresentado camadas em uma sequência com Verônica, que mostra que o improviso é uma parte importante para se chegar ao resultado final. Com partes poucos empolgantes no casal principal, mas com gratas surpresas quando foca nos coadjuvantes, Nada Será Como Antes já é uma das melhores produções brasileiras dos últimos tempos e por favor, mais Cássia Kiss na tela .

Tiago Cinéfilo
Estudante de Comunicação e editor deste site. Criador, podcaster e editor do "Eu Não Acredito em Nada", o podcast de terror da Odisseia.

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